Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
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-- Curso do Carisma --
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1.1 O Movimento de Penitentes e o Movimento de Mulheres

Quando Francisco se refere à sua nova vida, usa o termo "penitência". Por isso, o primeiro nome de sua fraternidade era: "Penitentes de Assis". Também Clara considerava-se, independentemente de Francisco, uma penitente. Neste contexto, é preciso recordar que a palavra "penitência" (= poenitentia em latim) era um conceito muito importante naquela época. Equivalia ao propósito de levar "uma vida de acordo com o Evangelho"; com outras palavras, significava uma entrega total a Deus e a Jesus Cristo.
Por que, naquele tempo, teriam recorrido justamente a esse conceito de "penitência", que - aos nossos ouvidos - soa bastante negativo? O homem da Idade Média tinha uma compreensão da vocação religiosa que difere essencialmente da nossa. Costumava isolar-se - ou sozinho, ou com companheiros - do convívio geral da sociedade, para procurar viver com Deus numa relação particular. Entendeu-se como uma pessoa que constantemente e chovava seus próprios pecados e os pecados do mundo. Por meio de uma vida de oração, de recolhimento e renúncia procurava sua própria salvação, assim como a salvação dos outros. O conveito "penitência" caracterizava essa consciência fervorosa durante os séculos XII e XIII. Chegou até a designar um modo de viver que, pouco a pouco, corresponderia a uma estrutura jurídica, claramente definida.
Desde o início do Cristianismo, o pecado e sua absolvição não foram considerados algo que dissesse respeito somente à pessoa individual. A opinião pública não podia passar de modo indiferente ao lado do pecado e de sua reparação. Por isso, a Igreja estabeleceu um estado especial de penitência para pessoas que tinham cometido crimes graves, como p.ex., assassinato, adultério, blasfêmia e ainda outros pecados que eram contrários a uma vida de união com Deus. Estas pessoas, portanto, tinham que fazer penitência pública, renunciando, entre outras coisas, ao convívio conjugal, distribuindo seu dinheiro aos pobres, fundando igrejas ou conventos, rezando determinadas orações, jejuando em certas épocas etc.
Pecado, absolvição do pecado e imposição da penitência eram, portanto, eventos que aconteciam publicamente na Igreja. Pouco a pouco, porém, através dos tempos, esse modo de pensar, julgar e agir foi esquecido, substituído pela confissão auricular. Entretanto, isto não aconteceu sem resistência da Igreja oficial. Então, muitos homens e mulheres decidiram voluntariamente abraçar o estado de penitentes. Por si mesmos e em substituição a outros, estavam prontos para assumir as consequências que anteriormente eram próprias à penitência pública.
Num livro, que trata do assunto, há a seguinte observação: "Quem não sabe rezar os salmos de cor, quem não é capaz de velar durante uma vigília noturna, quem não é capaz de dobrar os joelhos ou de ficar de pé com os braços em cruz ou prostrado no chão, pode escolher uma outra pessoa que assuma a respectiva penitência no seu lugar; pois está escrito: "Carregai os fardos uns dos outros" (Gl 6,2).
A prática da penitência levou a certas prescrições, ou seja, à proibição de exercer profissões ou atividades que eram consideradas incompatíveis com o Evangelho, p.ex., a profissão de comerciante ou de soldado, para dar somente dois exemplos. Havia a obrigação de jejuar nas segundas, quartas e sextas-feiras; era preciso guardar o grande jejum durante o tempo da Quaresma, dar esmolas, penitenciar-se com instrumentos de penitência (flagelação, cilícios), fazer peregrinações, recolher-se numa ermida etc.
Encontramos todas essas coisas também na vida de Francisco e Clara. No ano 1221, prescrições semelhantes a essas apareceram numa espécie de Regra, antigamente atribuída a Francisco, mas que, de fato, não é de sua autoria. Trata-se do assim chamado "Memoriale". Provavelmente tenha sido o Cardeal Hugolino quem preparou este documento, procurando impor suas idéias aos Frades Menores, assim como também às Irmãs de São Damião.
Na sua "carta aos fiéis", dirigida aos penitentes que procuravam sua orientação, Francisco se refere indiretamente a esse "Memoriale", dando, porém, sua própria opinião sobre a vida evangélica e influenciando, deste modo, os seus seguidores. É deste movimento de penitência, orientado por Francisco, que surgiu mais tarde a Terceira Ordem Franciscana, no início espontaneamente, sem organização própria, mas finalmente de modo oficial no ano 1289, aprovado pelo Papa Nicolau IV.
No início do século XIII, portanto, já antes de Francisco e Clara, havia um grande entusiasmo pela Ordem de Penitentes. Aquilo que Tomás de Celano conta a respeito de Clara pode igualmente traduzir algo desse dinamismo religioso: "Muitos que eram ligados pela promessa matrimonial se comprometeram com consentimento mútuo a manter a abstinência, os homens entrando numa Ordem e as mulheres nos mosteiros. A mãe animava a filha, e a filha animava a mãe para seguir a Cristo; as irmãs entusiasmavam suas próprias irmãs, e as tias faziam o mesmo com suas sobrinhas".(LegCl 10).
Esta citação, porém, elucida mais outro fato: o movimento dos penitentes tinham também uma grande influência sobre a vida das mulheres. Em toda a Itália Central, assim como também na Renânia (cf. as Beguinas) surgiram espontaneamente movimentos de mulheres. Sobretudo, foram pessoas que pertenciam a famílias ricas ou nobres que se retiravam do mundo - ou na solidão ou num mosteiro - para levar uma vida dedicada exclusivamente a Deus. Somente em nosso tempo chegamos a entender a importância considerável alcançada por esses movimentos.
Desta maneira, se entende como o motivo ascético (= renúncia e mortificação) caracterizou igualmente as três Ordens franciscanas, apesar de não constituírem o elemento central, como foi demonstrado na Primeira Lição deste curso. O mais importante foi sempre o princípio positivo: o testemunho dado a um Deus que se encarnou para tornar os homens mais humanos.

Este curso é promovido pela Família Franciscana do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de Petrópolis e sua realização acontece nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25 fascículos. Quem se interessar por esta coleção, deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br
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  :: Cântico do Irmão Sol ::

"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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