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1.2
A alternativa apresentada por São Francisco
Além do movimento dos penitentes, havia
mais outro fator na situação social
em Assis que foi determinante para a forma de
vida escolhida por Francisco e Clara.
"Como estivesse em pecado" (Tes 1)
No seu Testamento, Francisco divide sua vida
em duas fases nitidamente separadas uma da outra,
ou seja: a vida "em pecado" e a vida
"de penitente". Esta divisão
esclarece alguma coisa, não somente a
respeito da biografia de Francisco, mas também
sobre diferentes formas de vida justapostas;
ou seja, a sociedade burguesa e a Ordem franciscana.
As duas estão separadas pelo "abandono
do mundo", como Francisco o chamava Francisco
entendeu sua vida posterior como uma alternativa
proposta contra a vida que anteriormente havia
levado na cidade de Assis.
Para entender a fascinação que
Francisco foi capaz de despertar em outras pessoas,
é preciso caracterizar um pouco mais
aquilo que essa vida "em pecado" significava.
Ao ler as biografias escritas sobre Francisco,
a gente tem a tentação de procurar
destacar nesse estado "em pecado"
vários pecados concretos e distintos.
Aquilo, porém, de que se trata realmente
diz respeito sobretudo a um estado geral, um
modo de ser influenciado por condições
sociais que ignoram totalmente a Deus, Jesus
Cristo e o Evangelho. Apesar do fato de que
havia na cidade de Assis muitas igrejas, sacerdotes
e frequentes funções litúrgicas,
a população estava unicamente
interessada em cuidar dos seus próprios
interesses, sem consideração por
outras realidades.
O mundo do qual Francisco participava, antes
de distanciar-se dele, tinha certas características:
>> Assim, como acontece ainda hoje
em muitas partes do mundo, o desenvolvimento
urbano causava o êxodo da população
rural para as cidades. E havia motivos suficientes
para que isso acontecesse: invenções
técnicas, feitas naquela época,
assim como o comércio florescente contribuíam
para a ascensão das cidades e levaram
os membros da burguesia à prosperidade.
É preciso frisar, porém, que somente
uma fração relativamente pequena
da populãção geral tinha
acesso a esta possibilidade.
>> A maioria da população
vivia à margem, recebendo o mínimo
necessário para poder subsistir. Uma
multidão imensa sofria na miséria
e na penúria. O mais desumano era o destino
dos leprosos que tinham que viver fora das cidades.
Sua expulsão era até solenizada
por um ato litúrgico.
>> O desenvolvimento das cidades
estimulava a auto-suficiência da burguesia;
e isto significava simultaneamente uma virada
social. A vida social já não se
baseava mais na posse da terra, mas na função
dentro da cidade; não se baseava mais
nos nobres (= chamados "maiores" em
Assis), mas no povo (em Assis conhecidos como
"minores"). Já não valia
mais a autoridade concedida "pela graça
de Deus", como um direito vitalício
herdado dos antepassados, mas a autoridade concedida
"pela graça do povo", por meio
de eleições organizadas com regularidade.
Já não valia o sistema feudal,
baseado no latifúndio e ratificado pela
fidelidade prometida pelos vassalos aos seus
senhores, mas valia agora a decisão dos
burgueses. Essa transição e mudança
da base social foi um processo longo e doloroso.
Concretamente, isto significava em Assis: revolução,
guerra civil e cativeiro.
>> Em 1203 foi assinalada em Assis,
um "Tratado de Paz" entre a nobreza
e a população, restituindo a autoridade
dos nobres, porém, em medida mitigada.
Imediatamente depois (1203-1204), Francisco
viveu os acontecimentos que iriam decidir a
sua vida, ou seja, a doença, o encontro
com o leproso, o acontecimento em São
Damião e a ruptura com o pai.
>> No segundo "Tratado de
Paz" de 1210, o peso político passou
para o lado do povo. Quase simultaneamente,
Francisco, acompanhado por onze irmãos,
apresentou ao Papa seu próprio "Tratado
de Paz" que continha a forma de vida que
ele e seus irmãos haviam escolhido voluntariamente
(RegNB 2,5.7). |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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