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1.4
Clara de Assis
Clara de Assis é a co-fundadora que
participou quase desde o início da nova
visão espiritual. Paul Sabatier, o grande
pesquisador da história franciscana,
fala dela:
"A figura de Clara não é
somente uma reprodução de Francisco,
o fundador da Ordem... Ela aparece como uma
das mulheres mais nobres descritas por historiadores.
Tem-se a impressão de que, por humildade,
ela se escondia e procurava desaparecer nos
bastidores. Mas também os seus contemporâneos
não a apreciavam tanto quanto o merecia,
talvez por uma cautela exagerada, ou até
motivados pela rivalidade entre as várias
fundações franciscanas. Sem esta
reserva, Clara seria considerada uma das mais
sublimes mulheres mulheres de toda a história".
Inicialmente é preciso frisar que Clara
já levava uma vida espiritual intensa
antes de encontrar Francisco pela primeira vez.
Independentemente dele, já tinha escolhido
uma vida radical no estado dos penitentes. Quando
Francisco ouviu falar de Clara, entrou em contato
com ela e lhe falou do "bom Jesus".
Então, Clara o seguiu. Em 1212, Clara
juntou-se definitivamente ao movimento franciscano.
Num sonho, experimentou a presença de
Francisco como a de uma mãe "que
a amamentava". Isto consta no depoimento
de uma das testemunhas no processo de canonização.
Enquanto Francisco pertencia aos "menores",
como membro da rica corporação
dos comerciantes do povo de Assis, Clara era
membro de uma família de "maiores",
quer dizer, um membro da aristocracia. Parece
que houve uma espécie de conspiração
entre as mulheres na casa desta família
nobre: Quando Clara foi viver em São
Damião, também suas irmãs
consanguíneas, Inês e Beatriz,
assim como a mãe Ortolana e a parente
Pacífica di Guelfuccio, se juntaram a
ela no mesmo convento.
Francisco, então, escreveu uma forma
de vida para as "Irmãs Menores",
como foram chamadas inicialmente em analogia
com o nome original da Primeira Ordem; mas depois
receberam oficialmente o nome de "Damas
Pobres de São Damião". Clara
incluiu o texto escrito por Francisco na sua
Regra:
"Vendo o bem-aventurado Pai que, de forma
alguma, temíamos a pobreza, o trabalho,
a tribulação, a humilhação
e o desprezo do mundo, mas que antes queríamos
aceitar tudo isso como se fossem as maiores
delícias, ele, movido por seu amor, escreveu
para nós uma forma de vida nestes termos:
"Desde que, por inspiração
divina, vos fizestes filhas e servas do altíssimo
e sumo rei, o Pai celeste, e desposastes o Espírito
Santo, escolhendo uma vida conforme à
perfeição do santo Evangelho,
quero eu - o que prometo por mim pessoalmente
e por meus irmãos - nutrir sempre, a
bem de vós, o mesmo diligente cuidado
e solicitude como por eles". E ele cumpriu
fielmente esta promessa todo o tempo de sua
vida e quis que também seus irmãos
a cumpriu fielmente esta promessa todo o tempo
de sua vida e quis que também seus irmãos
a cumprissem" (RgCl VI, 2-4).
A forma de vida escolhida por Clara era até
então desconhecida na Igreja. Durante
décadas, Clara teve que lutar pelo direito
de seguir essa forma de vida franciscana, e
sobretudo sua exigência central: a pobreza
absoluta. Pois, não era costume e não
estava previsto pelo Direito Canônico
que uma comunidade de mulheres pudesse receber
a aprovação eclesiástica
sem possuir bens e sem poder garantir os fundamentos
materiais necessários para sua subsistência.
Portanto, a Igreja oficial acreditava-se obrigada
a impor às irmãs uma forma de
vida pré-franciscana, monástica
e beneditina.
Somente após uma luta longa e tenaz com
a Cúria romana, Clara de Assis, altamente
douta e culta (seu latim era clássico),
conseguiu o direito de viver o ideal franciscano
de modo não mitigado. Pessoalmente, ela
escreveu uma Regra, e assim tornou-se - até
hoje - a primeira mulher na história
a escrever uma Regra monástica. Teve
que esperar, porém, pela aprovação
papal desta Regra até quase o fim de
sua vida. |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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