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3.3.
SENDO MISSIONÁRIOS, SOMOS ESPIRITUALMENTE
APARENTADOS A DEUS
Para Francisco de Assis, a fé na Santíssima
Trindade não é uma fórmula
erudita ou vazia, mas uma forma de vida, a participação
na própria vida do "Deus vivo e
verdadeiro" (OfP V,1). Pelo menos, é
assim que o descreveu na forma de vida que legou
a Santa Clara para as Pobres irmãos de
São Damião: Como filhas do Pai
e esposas do Espírito Santo, elas são
aparentada a Deus. Aquilo que é válido
para elas, o é igualmente para "todos
os homens e mulheres que fazem penitência
perseverando nela":
"São filhos do Pai celeste, fazem
as obras do Pai, são esposas, irmãos
e mães de Nosso Senhor Jesus Cristo (cf.
Mt 5,45; 12,5). Somos esposos, quando por
virtude do Espírito Santo, a alma fiel
se une a Nosso Senhor Jesus Cristo. Somos irmãos
de Cristo, quando fazemos a vontade do Pai que
está nos céus. Somos mães,
quando o levamos em nosso coração
e em nosso corpo por virtude do amor divino
e de uma pura e sincera consciência: nós
o geramos por uma vida santa, que deve brilhar
como exemplo para os outros" (1Ctfi 1,3-7).
Neste trecho, Francisco aplica a todos os cristãos
em geral aquilo que disse especialmente de Maria:
Ela é a filha escolhida e a serva deste
Pai, mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo
e esposa do Espírito Santo (OfP, Antífona).
Aquilo que aconteceu a Maria, pode acontecer
sempre de novo quando o Espírito Santo
agre num ser humano. É ele quem faz fiéis
de infiéis. Por isso, Francisco saúda
não somente a Maria, mas dirigindo-se
a ela, exclama também: "Salve vós
todas, ó santas virtudes, derramadas
pela graça e iluminação
do Espírito Santo, nos corações
dos fiéis, transformando-os de infiéis
em servos fiéis de Deus" (SaudVM
6).
É coisa excelente que estas palavras
da Carta aos Fiéis, que acabamos de citar,
se encontrem atualmente na maioria dos documentos
fundamentais da Ordem Franciscana. Pois, em
nenhum outro trecho dos seus escritos, Francisco
exprime o nosso parentesco com Deus e entre
nós mesmos de um modo tão místico
e dinâmico como aqui: Somos uma família
de Deus, não somente por mera consangüinidade,
mas por laços espirituais. É a
inspiração, ou seja, o Espírito
quem nos une e nos impele à ação.
O elemento missionário não se
perde neste texto místico;mas - bem ao
contrário - encontra aqui a sua origem.
Qualquer ação tem que ser precedida
pela presença de Cristo em nós.
Somente a íntima união com Ele
gera vida. O mais íntimo do ser quer
se manifestar e projetar para fora. Pelo amor
(= Espírito Santo) somos como que grávidos
de Cristo; nós o geramos "por uma
ação santa", por um agir
que corresponde ao Espírito de Deus.
Nós nos tornamos geradoras e geradores
de Deus quando a nossa vida e o nosso agir trazem
o Cristo à luz.
Trata-se, portanto, da urgência de se
deixar invadir pelo Espírito de Deus
e de seguir as pegadas de Jesus Cristo; e isto
não somente em países distantes
e num futuro longínquo, mas aqui e agora.
Esta convicção é expressa
muito claramente na carta que Francisco escreveu
ao término de sua vida a todos os irmãos.
No fim desta carta se encontra uma oração
que frisa o papel do Espírito Santo e
volta a nos mostrar que toda missão tem
sua origem na Santíssima Trindade:
"Eterno Deus onipotente, justo e misericordioso,
concedei-nos a nós míseros praticar
por vossa causa o que reconhecermos ser a vossa
vontade e querer sempre o que vos agrade, a
fim de que, interiormente purificados, iluminados
e abrasados pelo fogo do Espírito Santo,
possamos seguir as pegadas de vosso Filho, Nosso
Senhor Jesus Cristo, e por vossa graça
unicamente chegar até vós, ó
Altíssimo, que em Trindade perfeita e
Unidade simples viveis e reinais na glória
como Deus onipotente por toda a eternidade" |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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