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2.
AS VIAGENS MISSIONÁRIAS DE FRANCISCO
Desde o início, Francisco se considerava
um missionário. Isto não é
para se admirar, pois sentiu-se tocado em seu
íntimo pelas palavras de Jesus ao enviar
seus discípulos (cf. Mt 10). Pois essas
mesmas palavras tiveram para ele um significado
muito especial, determinando sua forma de vida.
Por isso, viajava de um lugar para outro na
Itália, a fim de conclamar homens e mulheres
para a fé em Deus e para uma vida conforme
o Evangelho. A mesma coisa desejava realizar
entre os povos que ainda não acreditavam
em Cristo.
Seis anos após a sua conversão
(1212), Francisco pretendia ir à Síria,
para pregar aos sarracenos (= muçulmanos).
Por causa da tempestade o navio em que viajava
foi jogado nas costas da Dalmácia (cf.
1Cel 55). Pouco tempo depois, na companhia de
Frei Bernardo, pôs-se a caminho do Marrocos,
atravessando a França e a Espanha (cf.
1Cel 56). Mas, na Espanha, foi acometido por
forte ataque de malária e teve que regressar.
Fracassou, pois, também esta segunda
viagem missionária.
Mas Francisco não desistiu da idéia
de uma missão ao Islamismo. Em 1219,
no Capítulo de Pentecoste, falou a respeito
deste projeto a cerca de 3 mil irmãos
presentes. Ficou decidido o envio de irmãos
para a Tunísia e o Marrocos. O próprio
Francisco escolheu ir ao Egito. Com alguns confrades,
tomou um dos navios destinados a levar reforços
aos cruzados em Damieta. Desse modo, em julho
ou agosto de 1219, chegou ao Egito. Notando
o desregramento no acampamento dos cruzados,
bem como o espírito de rixas e avareza
dos mesmos, Francisco ficou persuadido de que
não se tratava, aqui, de uma "guerra
justa". Tentou, então convencer
os soldados e o chefe da Cruzada, Cardeal Pelágio
Galvon, a fazerem um armistício e a aceitar
a oferta de paz da parte do sultão Malek
al-Kamil. Mas a política de poderio dos
cristãos não admitia nenhuma intromissão.
Fez-se tudo para obter uma vitória completa.
Aos 29 de agosto, um exército muçulmano
atacou os cruzados: seis mil foram mortos. Somente
após esta derrota é que o Cardeal
permitiu ao Poverello visitar o sultão,
mas por próprio risco.
Acompanhado por Frei Iluminado, Francisco atravessou
a terra de ninguém entre os acampamentos
militares e chegou ao sultão (cf. LegM
9,8). Como testemunha confiável, Jacques
de Vitry descreveu esse encontro; "Durante
vários dias, o sultão escutou
atentamente a Francisco, que pregava a ele e
a seus homens a fé em Cristo. Mas ele
acabou por temer que alguns do exército
se convertessem ao Senhor pelas palavras dele
e passassem para o exército cristão.
Por isso, ele ordenou reconduzi-lo ao acampamento
cristão, com todas as honras e com escolta
segura. Ao despedir-se, disse-lhe: 'Reza por
mim, para que Deus me revele propício
a lei e a fé que lhe agradam'"
(histOcc 32).
Francisco, evidentemente, causou impressão.
Mas não atingiu propriamente, o fim visado.
Não conseguiu nem o martírio desejado,
nem a esperada conversão do sultão,
nem a paz entre cristãos e muçulmanos,
pela qual ele já antes havia se empenhado.
Não conseguiu absolutamente nada com
sua nova idéia de uma cruzada sem armas.
Mas a maneira como se apresentou ao sultão,
constituiu-se em começo de uma nova práxis,
um sinal profético para um novo modo
de proceder. Francisco vivia o Evangelho: a
tolerância e a franqueza, sem deixar de
anunciar o Evangelho também explicitamente.
Neste aspecto, ele próprio é igualmente
a "forma minorum" (= forma dos menores),
ou seja, o princípio formador dos frades
menores. |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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