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4.2.
UNIDADE DE VIDA E DE MISSÃO
O encontro de Francisco com o sultão
foi um evento importante na sua vida e marcou
sua evolução espiritual. Seus
biógrafos tendes a subestimar este fato,
focalizando somente os acontecimentos políticos
e o fracasso na tentativa de convencer o sultão
(cf. 1Cel 55). Na realidade, o encontro aprofundou
o entendimento de Francisco. Alegrou-se com
a presença viva de Deus entre os muçulmanos,
porque eles adoram o Senhor de modo impressionante,
conhecendo seu Deus através de um livro
sagrado, de modo semelhante aos cristãos.
Possivelmente, Francisco sonhava com um mundo
onde muçulmanos e cristãos se
enriqueceriam mutuamente com as idéias
que ambos faziam de Deus.
Essa hipótese nos dá uma compreensão
mais profunda de sua vida. Durante suas viagens
missionárias, sua visão de Deus
foi confirmada. Em contraste com a convicção
dos cruzados, cujo Deus é um Deus guerreiro,
o Deus dos irmãos franciscanos se revela
em Jesus como um Deus humilde. Esse Deus humilde
e servidor, revelado pela vida terrestre de
Jesus, ajudou Francisco a fazer uma releitura
da Bíblia (cf. Mt 16,24 - RegNB 1,3;
Mt 19,19 - RegNB 1,5; Mt 5,39 - RegNB 14,4).
Tanto Francisco mo o papa leram os mesmos textos
sagrados, porém, as compreenderam em
sentido oposto: para a autoridade eclesial,
o texto sobre "carregar a cruz de Jesus"
significa a conquista dos lugares santos, enquanto
que para Francisco as mesmas palavras foram
um convite a uma vida sem posses e sem violência.
Daí Francisco ter entendido que sua missão
de paz deriva diretamente de uma "inspiração
divina" (RegNB 16,3). Logicamente, não
podia contar com a compreensão daqueles
que se armaram para a guerra.
A unidade de vida e missão tem mais uma
conseqüência. Francisco era próximo
do povo comum no ambiente próprio dele:
nos campos e nas oficinas, nas suas casas e
nos hospícios dos leprosos, onde os irmãos
serviam às pessoas, trazendo-lhes a paz.
A procura da verdade seguia o mesmo processo.
A vida se assemelha a uma viagem, onde se descobre
a presença de Deus no meio de outros
povos e onde se fica atento ao que Deus lhes
fala através de novas situações.
Francisco se recusava a entrar em disputas e
discussões, porque estava convencido
de que Deus é humilde. O seres humanos
não são nem senhores nem donos
da verdade, mas investigadores da verdade, onde
ela aparece na história da humanidade
e em toda a criação.
Essa proximidade para com os outros e a prontidão
de servi-los corresponde mais uma espiritualidade
leiga do que a espiritualidade dos clérigos.
Por isso, quando a clericalização
da Ordem começou a se impor, a espiritualidade
de Francisco ficou em perigo mortal. Não
é de admirar, portanto, que a espiritualidade
do "submeter-se a todos" já
não consta na Regra de 1223. Quando Francisco
escreveu no seu Testamento "E eu trabalhava
com minhas próprias mãos e quero
trabalhar. E quero firmemente que todos os outros
irmãos se ocupem num trabalho honesto"
(Test 20), essas palavras são como que
um eco distante e triste do seu antigo sonho.
Conforme seu axioma de evangelizar mais pelo
exemplo do que por palavras, Francisco nunca
considerou a pregação como um
dos seus deveres mais prementes. A Igreja do
seu tempo foi de outra opinião. A pregação
da verdade tinha uma primazia essencial e foi
considerada indispensável para garantir
a salvação. Francisco, por sua
vez, deduziu sua inspiração de
uma convicção diferente, que reconhecia
a presença de Deus também entre
os muçulmanos, onde realizou muitos prodígios
também no meio deles. Frente ao Islã,
Francisco não assume nem uma atitude
negativa, nem restringe a imagem de Deus dentro
dos confins da Cristandade ou de uma teologia
culturalmente contaminada. Pelo contrário,
Francisco se entrega ao mistério divino
da salvação, que abrange toda
a humanidade, e espera pela inspiração
divina antes de tomar uma decisão e agir. |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
teus são o louvor, a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti, Altíssimo, são devidos;
e homem algum é digno
de te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia
e com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas,
que no céu formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão Vento,
pelo ar, ou nublado
ou sereno, e todo o tempo,
pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
pela irmã Água,
que é mui útil e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão Fogo
pelo qual iluminas a noite.
E ele é belo e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
por nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa,
e produz frutos diversos
e coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelos que perdoam por teu amor,
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
por nossa irmã a Morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
conformes à tua santíssima vontade,
porque a morte Segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande humildade."
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