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4. COLETTE DE CORBIE: VOCAÇÃO PARA RENOVAR A ORDEM
A francesa Colette de Corbie viveu no século XV, quando um grande cisma dividia a Igreja ocidental. Os fiéis tiveram que escolher entre dois papas rivalizantes. Convém notar que Colette foi adepta de um anti-papa, apoiando Pedro de Luna, natural da Catalunha, que se intitulava Bento XIII e se apresentava como o adversário do papa legítimo, Bonifácio IX. Foi justamente este anti-papa quem impulsionou Colette à sua grande obra reformadora. Primeiramente, a vida de Colette decorreu sem nenhuma relação ao modo de vida franciscano. Vivia como uma mulher piedosa, ou seja, como uma “beguina” (Beguinas eram virgens ou viúvas piedosas que, apesar de não fazerem votos religiosos, viviam uma vida em comum seguindo um modo de vida claustral), como se dizia naquele tempo. Depois tornou-se beneditina.
Mas, certo dia, quando tirava a poeira de uma estátua de São Francisco, lhe pareceu – de modo inequívoco -, que Francisco, de braço estendido, apontava para fora e lhe dava a ordem de ir embora. Então, Colette pediu admissão em um mosteiro de clarissas da versão urbanita ( que seguiam a regra escrita em 1263 pelo papa Urbano IV – cf. Lição 2), onde foi admitida na condição de criada. Pouco depois, tornou a deixar o mosteiro e passou a viver como “reclusa” (eremita) da Ordem Terceira de São Francisco, de acordo com o seu lema: “Doação por doação, amor por amor”, e vivendo uma vida silenciosa na solidão. A partir daí, muitos iam visitá-la para pedir-lhe conselho.
Somente três anos mais tarde, descobriu a sua verdadeira vocação, durante um encontro com o franciscano Henrique de la Baume (+ 1439). Frei Henrique a convenceu de que ela era chamada a reformar a vida franciscana em decadência na França. Para essa finalidade, em 1406, Colette apresentou um duplo pedido ao anti-papa Bento XIII:
• Pediu licença de levar uma vida evangélica e apostólica, segundo a Regra original de São Francisco, através de sua entrada na Ordem Segunda das Clarissas;
• Igualmente, pediu a concessão de plenos poderes para a restauração e a reforma da Ordem no espírito de São Francisco.
Procuremos imaginar bem a situação: uma mulher estranha entra na Ordem com a finalidade de reformá-la; e ainda exigindo plenos poderes ao papa! Manifesta-se aí uma autoconsciência feminina extraordinária. Colette foi uma autêntica reformadora, personificando um consciência lúcida de sua missão, energia ao agir e força de vontade. Mandou construir para si um “mosteiro ambulante”, uma carruagem, na qual percorreu a França. Rezando e meditando ininterruptamente, Colette visitou os mosteiros de clarissas e os conventos franciscanos, um após o outro. Em toda parte, tornava-se profetisa e uma reformadora bem-vinda ou recusada, conseguindo desencadear um grande movimento. Dentro da Igreja, é uma das poucas mulheres que atingiu por sua reforma não apenas as mulheres, mas também os homens. Morreu em 6 de março de 1447, quando seu movimento reformador já tinha passado além fronteiras, chegando à Alemanha (Heidelberg) e à Suíça (Vevey).
Dentro da tradição franciscana, há uma série de mulheres que representam personalidades femininas livres e autoconscientes. Mencionamos como exemplos: Clara de Assis, Ângela de Foligno, Margarida de Cortona, Colette de Corbie, até chegar a Mary Francis Kwon e Mary Hancock. Todas elas têm algo fundamental a dizer. |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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