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6. SÃO FIDÉLIS DE SIGMARINGEN: UMA RELAÇÃO CONFLITIVA COM OS PROTESTANTES.
Antes de entrar na Ordem, o capuchinho alemão Fidélis de Sigmaringen foi um advogado de renome (Doutor em Filosofia e Doutor em Direito). Mesmo antes de receber o nome de “Fidélis” (que quer dizer “fiel”), no convento já seguia o seu lema: “Seja fiel até a morte e assim alcançarás a coroa da vida eterna!” Fidélis tornou-se um pregador apaixonado que não dava muita consideração à opinião dos seus adversários. Recebeu da sua Ordem a incumbência de reconquistar as regiões da Récia para o Catolicismo, cuja população se tornara protestante. Hoje em dia, esta região forma o cantão de Graubünden, na Suíça; porém, no século XVII pertencia ainda à Áustria que se sentia a protetora da fé católica.
Porém, o povo da Récia queria decidir por si próprio não somente o seu futuro político, mas também a religião que queria seguir. Neste intento, organizou uma revolta armada. Isto contribuiu para que os conflitos políticos e religiosos se misturassem e se confundissem. Portanto, Fidélis estava numa posição ambígua: de um lado foi nomeado capelão do exército austríaco, de outro lado era missionário enviado a protestantes para reconquistá-los à fé católica. Nesta dupla função, valeu-se de meios que hoje em dia se consideram incompatíveis com a fé cristã. Por exemplo, levou diante da Inquisição Anna Zoller, uma católica que ousava criticar uma das suas homilias, ocasionando assim a expulsão dela de sua cidade natal chamada Feldkirch. Também em outras regiões da Récia, Fidélis tentava impor a fé católica por meios violentos: pregadores de outras convicções foram expulsos, celebrações e círculos bíblicos protestantes foram interditados, o ensino da religião católica foi imposto à força e ainda havia uma série de outras medida semelhantes. Com este seu “mandato de sanções religiosas” (= medida político-jurídica para garantir a reintrodução da confissão católica), Fidélis desencadeou a fúria dos protestantes que – assim como ele – se sentiam os legítimos defensores da verdadeira fé.
A sua morte foi a conseqüência direta deste seu “método missionário”. Pois, somente poucos dias após a publicação do seu mandato, Fidélis foi convidado a pregar em Seewis, uma localidade dessa região. Suspeitava tratar-se de uma cilada. Porém, não recusou o convite nem recuou de sua posição. No dia 24 de março de 1622, durante a sua homilia, um grupo de protestantes armados o derrubaram do púlpito, o empurraram para fora da igreja, onde o trucidaram barbaramente.
Um trecho da última pregação feita por Fidélis pode servir de documento para entendermos o modo como compreendeu a sua missão. O mesmo trecho foi citado depois por Bento XIV num panegírico por ocasião da canonização de Fidélis: “Ó fé católica, como estás imperturbável e inabalável, como estás profundamente enraizada e edificada sobre a rocha firme! Céus e terra passarão, mas tu nunca passarás. Desde o início, o mundo lhe era hostil, mas tu eras mais forte e triunfaste sobre todos. A vitória que vence o mundo é a nossa fé. Foi ela quem submeteu os reis poderosos ao reinado de Cristo; foi ela quem convenceu os povos a se submeterem e a obedecerem a Cristo. Qual foi a força que possibilitou aos apóstolos e mártires suportarem duras lutas e amargos sofrimentos se não a fé, sobretudo a fé na Ressurreição? ... E hoje mesmo, o que leva cristãos verdadeiros a renunciar ao conforto, as amenidades da vida para assumir a dureza e suportar as fadigas? É a fé viva que se faz ativa no amor” (citado no Livro da Horas (73), este trecho que consta do próprio dos franciscanos).
Na época em que Fidélis morreu, foi fundada em Roma a Congregação pela Propagação da Fé, encarregada de atuar tanto em regiões não-cristãs como em países protestantes. Fidélis foi declarado o “primeiro mártir” desta Congregação. Hoje em dia, temos dificuldade de entender o sentido das confrontações bélicas entre cristãos. De ambos os lados foram cometidos assassinatos e homicídios. Mas não somente naquela época, mesmo hoje a religião fornece motivo ou pretexto para desencadear conflitos armados. A necessidade mais urgente é perguntar se Jesus de Nazaré nos legou ou não uma outra compreensão de Deus. Não é mesmo verdade que ele foi testemunha não-violenta de Deus, “missionário de Deus” por excelência, que assumiu o sofrimento e a morte, sem jamais fazer sofrer os outros da mesma maneira? Francisco de Assis, pelo menos, seguiu este caminho. |
Este
curso é promovido pela Família Franciscana
do Brasil, por iniciativa do Centro Franciscano de
Petrópolis e sua realização acontece
nos regionais da FFB. Este curso foi impresso em 25
fascículos. Quem se interessar por esta coleção,
deve procurar
pelo Centro Franciscano, no telefone (24) 2242-5247
ou pelo e-mail ffb@compuland.com.br |
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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