Confiança na vida
Homens e mulheres franciscanos não devem sucumbir a tendências pessimistas, mas têm que anunciar a Boa-Nova de uma vida plenamente realizada. Portanto, num sentido fundamentalmente franciscano, é válida a prioridade da vida sobre a palavra.
“Vivemos num período extraordinário da história humana, em que altíssimos progressos, nunca antes atingidos, coincidem com abismos de confusão e depressão, também antes nunca vistos. Hoje, mais do que nunca, temos de ser luz que ilumina o mundo... O Senhor, com efeito, nos colocou nas mãos, o remédio para o desânimo, o derrotismo, o abatimento e a ansiedade, que acabrunham nossa época. Temos a Boa-Nova” (Medellín 1971, 17).
Respeito pelas outras religiões
“Conhecemos povos de outras religiões, possuidores de preciosos valores espirituais, que não pretendemos destruir. Cremos firmemente que, também para eles, resplandece a luz, neles infundida pelo Criador dos homens” (Medellín 1971, 21).
“O Frade Menor se alegra com a valorização do mundo religioso. Louva ao Senhor pelas maravilhas que realiza entre todos os povos. Procura o diálogo e a oração partilhada. Assim, chega-se a uma troca de dons e da experiência de Deus. Visitas recíprocas, sobretudo por ocasião de festas religiosas, tornam-se sinais de uma fraternidade geral crescente. Tais contatos também abrirão o caminho a empreendimentos comuns em prol de justiça e paz entre todas as pessoas de boa vontade” (Mattli 1978, 27).
Na sua alocução pronunciada por ocasião do “Dia Mundial de Oração das Religiões pela Paz”, o Papa João Paulo II inaugurou expressamente esse caminho, animando-nos, franciscanas e franciscanos, a também entrarmos no caminho do diálogo inter-religioso.
Procura comum da verdade
Não se trata de impor ou absolutizar a nossa verdade, mas trata-se antes de procurar conjuntamente a verdade, por meio de um diálogo fraterno.
“Fiéis às exigências da nossa minoridade, procuramos ganhar o coração das pessoas por meio do diálogo, do respeito mútuo, da escuta, da compreensão e da aceitação. Se formos portadores da mensagem e de certos valores, então devemos estar dispostos, igualmente, a reconhecer a mensagem e os valores dos outros. Por certo, compete-nos anunciar o Senhor, porém, devemos também escutá-lo humildemente, quando falar conosco através de tudo e de todos os irmãos (Mattli 1978, 13).
“Juntamente com eles, investigando sua índole própria, travando um diálogo sincero, obedecendo ao Espírito Santo, procuremos constituir com eles uma verdadeira comunidade local, cristã e sacramental. Isto será fruto do diálogo e não se pode impor apenas de fora. Convém que nasça de dentro, pela união de suas aspirações religiosas fundamentais, com os valores autenticamente cristãos (Medellín 1971, 14).
Respeito às culturas
No encontro com outros povos, o franciscano “apreciará os seus valores culturais e entoará o Canto do Sol, vendo o amor, o espírito comunitário, a decência e a alegria do povo: tudo existe e foi criado para Ele! Baseado nesta interpretação teológica, será mais fácil encarnar o Evangelho nas culturas, para que ali assuma uma nova forma e inaugure uma nova história” (Mattli 1978, 25; cf. também Mattli 1982, 8)
Superação de um clericalismo anti-franciscano
“Observamos oportunamente, que nos lugares onde as atividades e iniciativas da comunidade cristã se centralizam no sacerdote ou no seu substituto, o povo de Deus não amadurece em responsabilidade com relação à sua vida e ação cristã... Recordamos, aqui, que os companheiros de São Francisco experimentaram-no como verdadeiro Irmão (‘il Fratelo’). Ele não estabeleceu sua comunidade sobre uma base hierárquica... Nós temos uma tarefa especial a cumprir dentro da Igreja, a saber, construir uma comunidade viva de irmãos e irmãs, e juntos, abrir caminhos, a fim de possibilitar que a bondade de Deus se torne realidade em todos os seres humanos”(Mattli 1982, 9).
Todos esses pronunciamentos estão admiravelmente formulados. Porém, para chegar à sua autêntica realização, será preciso pressupor e exigir muito.
Conversão constante
“Se aceitamos Jesus, isto exige de nós uma metanóia, isto é, conversão pessoal e comunitária, caso quisermos penetrar nas culturas com os valores do Evangelho. Nós mesmos temos que nos evangelizar sempre mais, libertando-nos do pecado e de qualquer conivência que possamos ter com a injustiça e com a opressão, ou seja, de tudo aquilo que de alguma forma nos impeça receber e proclamar o amor de Deus atuante no mundo” (Bahia 1983, 15; cf. Mattli 1978, 12)
Oração e mística
“Achamos oportuno lembrar aqui que São Francisco sempre quis adorar a Deus em todas as partes e em todo momento e amá-lo em todas as criaturas. Buscava o silêncio das grutas, dos bosques e das igrejas... Por essa razão desejamos devolver à oração, à liturgia e ao silêncio o lugar que merecem em nossa vida. Sem medo, queremos sair ao encontro dessa explosão de fé que descobrimos em nosso povo e participar nela com criatividade. Quando nos apresentamos diante de Deus junto com nossos irmãos, todos os nossos conflitos e sofrimentos, nossas expectativas e esperanças adquirem uma dimensão que a tudo transcende e, ao mesmo tempo, realiza” (Mattli, 1982, 11); cf. também para esta temática a Lição 10).
Fraternidade autêntica
“Nosso estilo de vida fraterna pode servir de exemplo para o mundo faminto de comunhão e ansioso por uma nova sociedade mais humana... Por isso demos um testemunho de fraternidade como a melhor forma de evangelização: “Nisto reconhecerão que sois meus discípulos’(Jô 13,35). Nossa fraternidade é um convite a outros para que compartilhem o que somos, o que temos e o que fazemos” (Bahia 1983, 23; cf. toda a lição 2). Sobre o mesmo tema, as clarissas declaram nas suas Constituições: “Algo de incalculavelmente precioso é apresentado pela nossa vida em comunidade de amor. Essa vida, que tem os seus fundamentos na comunhão com a vida da Santíssima Trindade, exige que revelemos diariamente esse mistério de amor de modo fiel e compreensível” (Art. 90).
E na Regra da OFS: “O senso de fraternidade os tornará alegres e dispostos a identificar-se com todos os homens, especialmente com os mais pequeninos, para os quais procurarão criar condições de vida dignas de criaturas remidas por Cristo” (cap. 2, 13).
Cooperação inter-franciscana
“Queremos convocar a uma cooperação fraterna e ampla com todos os ramos da família franciscana, de irmãos e irmãs, em todas as ocasiões em que for possível”(Mattli 1978, 41; cf. Bahia 1983, 23-26).
Da Regra da OFS: “A família franciscana reúne todos aqueles membros do Povo de Deus, leigos, religiosos e sacerdotes, que se sentem chamados ao seguimento do Cristo, na trilha de São Francisco de Assis. Por modos e formas diversas, mas em recíproca comunhão vital, esses procuram tornar presente o carisma do comum Pai Seráfico, na vida e na missão da Igreja”(cap. 1, 1).
Nas “Propostas para o Futuro”, anexas ao documento do Congresso de Mattli (1982), se insiste de modo especial na cooperação inter-franciscana; sobretudo nos setores de formação, comunicação, justiça e paz.
A temática da colaboração e cooperação inter-franciscana é também aprofundada detalhadamente na Lição 3.