Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
O Carisma
     O CARISMA
     Últimas Notícias
     São Francisco
     Santa Clara
     As Três Ordens
     OFS
     JUFRA
     CFMB
     FFB
     Santos Franciscanos
     Símbolos
     Fontes Franciscanas
     Documentos da Ordem
     Curso do Carisma
     Ecologia & Espiritualidade
     Sites Franciscanos
     Assis: Imagens
     Bibliografia Franciscana

Untitled Document
Abrace o Cristo Pobre

Abrace o Cristo Pobre
A Espiritualidade de Santa Clara de Assis (*)

Por Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap

1.5 Mística
Diante do mistério que o transborda, o homem expressa sua incapacidade de falar pelo silêncio, pela mística: quer designar realidades secretas da ordem religiosa e moral. Mística vem do grego myo = fechar os olhos ou a boca: para não ver o segredo e para não revelar nada. O silêncio saudável. Na linguagem do amor, feita de palavras e de silêncios, nós nos movemos num modo de falar que pode parecer impreciso para quem não descobriu a precisão da arte tão carregada de força e de verdade. Nela, o homem se ajoelha para recolher as riquezas do mistério. Celebra-o. Quando o mistério é muito grande, adora. Mas não foge do mistério, vive dele.

Desde que tomou consciência das realidades que existem ao seu redor e de que têm um nexo entre eles mesmos, os humanos foram místicos. E o ato de muitos terem perdido o uso da mística quando encontraram algumas explicações racionais, não acabou com ela. Os místicos cresceram. Vamos nos dedicar, aqui, apenas aos místicos dos tempos antigos e medievais que viveram da revelação bíblica porque queremos que os medievais Clara de Assis e Francisco nos ajudem a viver a mística do século XXI em diante.

Para todos esses místicos, o mistério maior é o Amor. E o amor é  relação. E nós vamos dar a maior seriedade possível a esse aprofundamento. Já foi dito: "O homem do terceiro milênio vai ser um místico ou não vai ser nada".

1.6 A Trindade e o ser humano
Assim como as perfeições invisíveis do Criador podem ser contempladas em suas obras, especialmente na grandeza e beleza de suas criaturas, nosso ser homem-mulher é um especial reflexo da Trindade: do que ama (Pai), do que é amado (o Filho) e do Amor (o Espírito Santo).

O encontro afetivo entre o homem e a mulher carrega em si um convite para se descobrir e se dar progressivamente que inclui uma abertura para o transcendente, porque nos convida a ultrapassar a nós mesmos. Em toda relação amorosa em que há uma abertura para o mundo sobrenatural, eterno e infinito, há uma superação da relação como tal, no sentido de que a própria dinâmica da experiência leva a penetrar em uma forma suprema de comunhão interpessoal: a que acontece entre seres que se comunicam em Deus, a quem buscam juntos e amam juntos.

Na Bíblia, Deus mesmo comparou o amor que tem por nós ao amor entre o homem e a mulher. A partir dessa realidade nossa e da revelação de Deus ao seu Povo, vamos olhar a realidade e viver o concreto de nossa vida na perspectiva da espiritualidade dos esponsais.

Em Santa Clara, a dimensão trinitária foi posta como um fundamento desde que São Francisco, à sua entrada na Ordem, lhe propôs como "Forma de Vida", incluída mais tarde por ela no coração da sua Forma de Vida, isto é, da sua Regra, aprovada por uma bula de Inocêncio IV em 1253. É uma proposta que pode ser entendida em sua plenitude quando consideramos outros dois escritos de São Francisco: a Antífona de Nossa Senhora que ele colocou no Ofício da Paixão, e o início da Carta aos Fiéis.
Os textos são os seguintes:

a) Forma de vida
"Desde quem por inspiração divina, vos fizestes filhas e servas do Altíssimo Sumo Rei Pai celeste e desposastes o Espírito Santo, optando por uma vida de acordo com a perfeição do Santo Evangelho, eu quero e prometo, por mim e por meus frades, ter por vós o mesmo cuidado diligente e uma solicitude especial, como por eles"(RSC 6,3-4)

b) Antífona de Nossa Senhora
"Santa Virgem Maria, não nasceu nenhuma semelhante a vós entre as mulheres neste mundo, filha e serva do altíssimo sumo Rei e Pai Celeste, Mãe do nosso santíssimo Senhor nosso Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo: Rogai por nós com São Miguel Arcanjo e todas as virtudes dos céus e todos os santos junto a vosso santíssimo dileto Filho, Nosso Senhor e Mestre! Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre, Amém!"

c) Carta aos Fiéis
"Oh! Como são bem-aventurados e benditos, eles e elas, enquanto fazem essas coisas e nelas perseveram porque descansará sobre eles o espírito do Senhor (cf. Is 11,2) e neles fará sua casa e morada (cf. Jo 14,23), e são filhos do Pai celeste (cf. Mt 5,45), cujas obras fazem, e são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Mt 12,50). Somos esposos, quando pelo Espírito Santo une-se a alma fiel a nosso Senhor Jesus Cristo. Somos seus irmãos quando fazemos a vontade do Pai que está nos céus (Mt 12,50). Mães, quando o levamos em nosso coração e em nosso corpo (cf. 1Cor 6,20), pelo amor divino e a consciência pura e sincera; e o damos à luz pela santa operação, que deve iluminar os outros com o exemplo (cf. Mt 5,16). Oh! como é glorioso, santo e grande ter nos céus um Pai! Oh! como é santo ter tal esposo: paráclito, belo e admirável! Oh! como é santo e dileto ter tal irmão e filho, agradável, humilde, pacífico, doce, amável e sobre todas as coisas desejável: Nosso Senhor Jesus Cristo!"(1CtFi 5-13).
                                                                       
                                             ***
Não continue a ler este escrito sem ter a certeza que já assimilou os diversos princípios apresentados nesta Introdução. Volte a eles de vez em quando. Não perca de vista o seu ponto de partida. Nós queremos ser humanos: cada um de nós necessita no mais profundo do seu ser abraçar o Cristo pobre como uma virgem pobre.

1.7. Um Cântico de Amor
A espiritualidade de Clara parte da união com o Cristo Esposo numa intensa comunicação amorosa, que transbordou na forma de um cântico.
Ela aprendeu e praticou esse relacionamento cantado com Francisco.
Ela se encontrou com a linguagem amorosa nos místicos que lhe falaram do Cântico dos Cânticos.
Através dos místicos ela foi encontrar o Cântico nos Santos Padres.
Através dos Padres ela foi encontrar o Cântico na Bíblia.
Através da Bíblia ela repassou os pactos de aliança como Povo.
Vestiu-se de Sol,
Coroou-se de estrelas,
Apoiou-se na Lua,
E clamou com o Espírito: Vem, Senhor Jesus! Vem!
Fazendo-o nascer cada dia numa continua atualização da Encarnação.
A celebração da Encarnação é celebração da morte e da ressurreição. Encarnação, morte e ressurreição continuam porque nós continuamos. Vamos continuar até que todos os humanos estejamos reunidos para celebrar a ceia com o Cristo-Esposo na eternidade.
Toda a vida de Clara foi um cântico de amor. Como vai ser a nossa para sempre. Um transbordamento da alegria de amar e de saber amado.

VÁ PARA A PARTE 4
Tamanho do Texto: A+ a- << Voltar
Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
Copyright © 2011 Franciscanos.org.br - Todos os direitos Reservados.