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Abrace o Cristo Pobre
A Espiritualidade de Santa Clara de Assis (*)
Por Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap
6.2 A Aliança e os Profetas
O Deus da Bíblia sempre quis estar ligado ao seu Povo por alianças. Na primeira vez, ao salvar a família de Noé, fez com ele um pacto de Aliança, e colocou no céu o arco-íris, como símbolo desse pacto (cf Gn 9). Na segunda vez, fez um pacto de Aliança com Abraão e sua descendência (cf. Gn 15-22). Na terceira vez, levando o Povo para fora do Egito, concluiu com ele mais um pacto de Aliança com Moisés no Sinai, e lhe deu as tábuas da Lei (cf. Ex 9-24). Houve uma história antes desta grande Aliança, e também depois, como podemos acompanhar nos profetas.
Os profetas foram mensageiros mandados por Deus ao seu Povo cada vez que a Aliança era esquecida. Mas, no fundo, a Aliança era sempre uma mensagem de amor. Deus tinha estabelecido a Aliança por seu amor todo especial, a Hesed, que falava de ternura, compaixão, algo que se tentou traduzir com a palavra grega Éleos ou com a palavra latina Misericórdia.
Originariamente (como nos casos de Abraão e de Moisés) a aliança tinha um aspecto jurídico: um pacto entre Javé e seu povo. Os profetas carregaram-na de afeto. A idéia de aliança dá lugar à formação do povo da Aliança, que permite elaborar o pensamento e as instituições que dão uma fisionomia particular à sociedade bíblica. O sentimento da presença divina caracteriza a sociedade hebraica. E esse sentimento corresponde à aliança: Deus está com Israel. O pecado de Israel foi ter reduzido a aliança a um privilégio diante dos outros povos, sem penetrar no conhecimento de Deus e numa existência histórica de acordo com esse conhecimento. E também ter aproveitado a segurança desse aliança para adotar os deuses de outros povos, como Baal, deus da fertilidade em Canaã.
Por causa dessa infidelidade apareceu o ministério profético: para inquietar um Israel esquecido e submetido a povos e divindades estranhas; admoestar um Israel inclinado à corrupção social contra as classes mais desfavorecidas; e lutar com Deus em favor de seu povo pecador. Por isso há um encontro dramático entre os profetas e o povo. Eles deram outra orientação à aliança: mais que um pacto, é um dom gratuito de Deus; e está fundada mais na promessa do que no compromisso. É, cada vez mais, uma relação de amor.
Daí nasceu a simbologia esponsal e, consequentemente, a exigência da fidelidade, uma fidelidade que podia resistir às separações que tivessem acontecido. Por isso, também foi importante no relacionamento entre os profetas e o Povo o conceito de história, na qual se desenvolvia um verdadeiro drama. O Deus de Israel era esposo do povo, não de sua terra: o amor que os une tem uma história; as atenções gratuitas de Deus e o triunfo de sua misericórdia sobre a infelidade de seu povo são temas proféticos. E a pregação profética nunca considerou a hipótese de uma ruptura fatal, com o divórcio ou o repúdio entre Deus-Esposo e Israel-esposa. Vamos chamar a atenção para quatro profetas principais: Oséias, Isaías, Jeremias e Ezequiel.
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