Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
O Carisma
     O CARISMA
     Últimas Notícias
     São Francisco
     Santa Clara
     As Três Ordens
     OFS
     JUFRA
     CFMB
     FFB
     Santos Franciscanos
     Símbolos
     Fontes Franciscanas
     Documentos da Ordem
     Curso do Carisma
     Ecologia & Espiritualidade
     Sites Franciscanos
     Assis: Imagens
     Bibliografia Franciscana

Untitled Document
Abrace o Cristo Pobre

Abrace o Cristo Pobre
A Espiritualidade de Santa Clara de Assis (*)

Por Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap

6.3.5. O ser humano existe para desposar Deus
O ser humano, esponsal por natureza, é imagem e semelhança de Deus que se revelou como comunhão de amor e esponsalidade trinitária.

Falando de aliança, vimos que nela está a chave para entender a proposta de Deus de devolver ao homem sua vocação original: viver em comunhão humana a partir do fiel reflexo da comunhão divina. O êxodo para a nova aliança vai ser marcado por essa pertença recíproca, afetiva e efetiva, magnificamente expressa em: "Eu serei o vosso Deus e vós sereis o meu povo" (Ex 6,7).
 
Fala-se da Aliança desde o começo: Deus caminhou na direção do povo, e o povo na direção de Deus. Deus e cada um de seus filhos foram concordando. Os gestos e as palavras, os dramas e as esperanças, as certezas e os temores dos homens foram a ocasião para Deus entrar com suas obras e ditos, como pudemos ver em Abraão, Moisés, Oséias, Isaías, Jeremias, Ezequiel e no Cântico dos Cânticos.
 
A encarnação do Filho de Deus foi o ponto alto dessa mútua pertença, quando na Pessoa de Jesus uniram-se Deus e o homem. A nova humanidade inaugurada com Cristo não se esgota nele, que é a cabeça de um corpo formado por todos e cada um de nós. Deus se revelou aos poucos, constituiu a Igreja como interlocutora esponsal, mas há dois momentos: um histórico e outro escatológico. O primeiro é para ir amadurecendo e aumentando a pertença esponsal do homem diante de Deus. O segundo será no fim da história como vimos em São Paulo e no Apocalipse.

Todo esse percurso termina com uma síntese: "O Espírito e a noiva dizem: Vem!" (Ap 22,17). Aí está escrito noiva (nynfe) e não esposa. A experiência complexa que os ouvintes do Apocalipse escutaram na primeira parte do livro, aprendendo devagar o amor a Cristo, leva-os a colaborar para sua vinda na história.
 
Aqui se inscrevem os três gemidos de que Paulo fala na carta aos Romanos: o gemido da criação, o gemido de cada homem e mulher, o gemido do próprio Espírito de Deus. Geme-se porque já se saboreia o final definitivo, mas ao mesmo tempo se tem a vivência cotidiana do inacabado, do imperfeito, do que inda não chegou. A Igreja recebeu como noiva as primícias do Espírito, mas aguarda o momento oportuno.
 
Não estamos diante de uma questão abstrata sobre Deus, mas diante de sua revelação cristológica. A pergunta foi ele quem fez: "quem dizem que eu sou? .. e vós, quem dizeis que eu sou?". Responder a essa pergunta reconhecendo em Jesus esse rosto esponsal de Deus foi o que ocupou tantos cristãos nas melhores páginas místicas, nas maiores obras missionárias, nos caminhos mais insuspeitos do seguimento do Senhor e do serviço aos irmãos em quem Ele está presente.
 
O encontro com Jesus no claro-escuro da história pessoal e social é o grande desafio de cada geração. Da disponibilidade da pessoa vai depender, ao menos em parte, que esse "abismo luminoso" que é Cristo continue a ser dolorosamente abismático ou se torne um lar pessoal, cuja contemplação nós já não possamos deixar, por mais que a luz cegue e a profundidade desassossegue. O encontro com Cristo não é uma meta à que se chega, é um caminho em que alguém se coloca.
 
Desse encontro com Cristo Esposo, contemplado e testemunhado por cada geração, fala-nos a história da Igreja em todos seus lances vocacionais dos diferentes caminhos em diferentes carismas. Na história da Igreja podemos ouvir o contínuo convite do Espírito à Noiva: Vem! Os que corresponderam a esse chamado geraram uma vida, uma espiritualidade e uma cultura (arte, literatura, música ... ) que se integram no horizonte esponsal da auto-revelação de Deus.

Ainda vamos continuar nossas reflexões, mas eu proponho desde já que olhemos para Clara de Assis como uma mulher que - seguindo os passos de Maria - assumiu ser a Esposa mãe e virgem e até mesmo a Esposa Igreja por sua intercessão pela cidade de Assis e pela consciência de ser "auxiliar do próprio Deus, sustentáculo dos membros vacilantes do seu corpo inefável" (3Ctln 8), integrada "à Igreja triunfante e mesmo à militante"(TestC 75). É aguda a perspectiva de Francisco que, no cântico "Ouvi pobrezinhas!" viu Clara e suas Irmãs  "no céu coroadas como a Virgem Maria". Vestida de sol, com a coroa das doze estrelas das tribos do Povo e com a lua debaixo dos pés.

VÁ PARA A PARTE 26

Tamanho do Texto: A+ a- << Voltar
Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
Copyright © 2011 Franciscanos.org.br - Todos os direitos Reservados.