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São Paulo, 12/02/2012
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Abrace o Cristo Pobre

Abrace o Cristo Pobre
A Espiritualidade de Santa Clara de Assis (*)

Por Frei José Carlos Corrêa Pedroso, OFMCap

8.1 A vida das clarissas como Irmãs
Creio que podemos aplicar a todas as Senhoras Pobres - as "Damianitas", ou as mulheres franciscanas do tempo da Santa - tudo que ela escreveu para Inês de Praga. Parece claro que ela tenha procurado formar essa irmã longínqua no mesmo espírito que transmitia habitualmente às que moravam com ela. Então vamos ver nas Cartas a Inês alguns pontos que podemos identificar na formação das Irmãs-Esposas de São Damião e de outros mosteiros:
 
1) As clarissas são irmãs porque são Esposas;
2) Elas refletem umas para as outras o Cristo Espelho;
3) A Forma de Vida de Santa Clara é para esposas que são irmãs.

8.1.1 As clarissas são Irmãs porque são Esposas
"Portanto, irmã caríssima, ou melhor, senhora muito digna de veneração, porque sois esposa, mãe e irmã do meu Senhor Jesus Cristo, destacada pelo esplendor do estandarte da inviolável virgindade e da santíssima pobreza, ficai firme no santo serviço do pobre Crucificado, ao qual vos dedicastes com amor ardente" (lCtln 12-13) ... e merecestes ser chamada, com quase toda dignidade, de irmã, esposa e mãe do Filho do Pai altíssimo e da gloriosa Virgem" (1Ctln 24).
 
Esses três relacionamentos são os mesmos apontados por São Francisco na Carta a todos os Fiéis quando fala da relação do fiel cristão com a Santíssima Trindade:
 
"E são esposos, irmãos e mães de nosso Senhor Jesus Cristo. Somos esposos, quando pelo Espírito Santo une-se a alma fiel a Jesus Cristo. Somos certamente irmãos, quando fazemos a vontade de seu Pai, que está no céu; mães, quando o levamos no coração e em nosso corpo pelo amor e a consciência pura e sincera; e o damos à luz pela santa operação, que deve iluminar os outros com o exemplo" (1CtFi 7-10).
 
Mesmo que Santa Clara tenha aprendido isso com Francisco, soube fazer suas essas palavras e as aplicou de diversas formas no trato com as Irmãs, na sua sensibilidade materna para com elas, dando um sentido maior ao ofício de abadessa, a partir dessa identidade esponsal que se sente no testemunho de seus Escritos.
 
Quando diz que Inês é mãe e irmã do Senhor Jesus, é evidente que está recordando a passagem do evangelho em que Jesus disse que eram "meu irmão, minha irmã e minha mãe ... os que põem em prática a palavra de Deus" (Mt 12,50). Mas quando consideramos as três atribuições juntas não podemos deixar de pensar na "Forma de Vida" que Francisco tinha dado a Clara e a suas irmãs, onde realça o relacionamento delas com cada Pessoa da Trindade.

Vejamos os principais textos nas Cartas de Santa Clara:

"Vossa recompensa será enorme nos céus, e merecestes ser chamada, com quase toda a dignidade, de irmã, esposa e mãe do Filho do Pai Altíssimo e da gloriosa Virgem" (1Ctln 23-24).
 
"Clara, humílima e indigna servidora de Cristo e serva das senhoras pobres, à reverendíssima senhora em Cristo, sua irmã Inês, a mais amável de todos os mortais, irmã do ilustre rei da Boêmia e, agora, irmã e esposa do sumo Rei dos céus" (3Ctln 1-2).
 
"À outra metade da minha alma, singular sacrário do meu cordial amor, à ilustre rainha, esposa do Cordeiro, Rei eterno, dona Inês, minha caríssima mãe e filha, especial entre todas as outras, eu, Clara, serva indigna de Cristo e inútil servidora das suas servas que vivem no mosteiro de São Damião em Assis, desejo saúde e que possa cantar o cântico novo diante do trono de Deus e do Cordeiro, juntamente com as outras santas virgens, e seguir o Cordeiro onde quer que ele vá" (4Ctln 1-3).

 
A Legenda de Santa Clara e o Processo de Canonização apresentam inúmeros exemplos de como Clara cuidava de suas Irmãs. E a Bula de Canonização diz que ela fazia isso justamente por ser esposa do Senhor:
 
"Alegre-se, então, a Mãe Igreja, que gerou e educou essa filha que, como progenitora fecunda de virtudes, produziu com seus 'exemplos muitas discípulas da religião, formando-as para o serviço perfeito de Cristo com perfeição. Alegre-se também a alegre multidão dos fiéis, porque o Rei e Senhor dos céus levou com glória para o seu alto e preclaro palácio a sua irmã e companheira, que Ele havia escolhido como esposa. Porque também as fileiras dos santos estão festejando juntas, pois, em suas habitações celestes, celebram-se as núpcias da noiva real" (cr. Fontes Clarianas pâg. 276).
 
Clara é mãe como filha da Igreja; sua maternidade é imagem da Mãe IgreJa, que é fecunda, nutre e protege, guia e ensina. É irmã para todos os crentes, companheira na vocação comum, companheira de viagem e apoio.

Assim se indica a idéia da comunidade, da "solidariedade" e da suplência. É esposa do Senhor e, por isso, motivo de alegria, sinal irradiante de esperança para a humanidade.
             
Pela "Forma de Vida" de São Francisco, todas as Irmãs decidiram ser esposas do Espírito Santo. E todas são filhas do Pai Eterno. Portanto, irmãs. Se não fosse pelas Irmãs, "que Deus lhe deu", Clara poderia ter sido uma eremita, mesmo em São Damião. Se não fosse pelas Irmãs, não seria necessária uma Forma de Vida original em tantos pontos.

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