Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 13/02/2012
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-- Reportagem --
16/05/2010
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ENTREVISTA COM FREI RENATO PEZENTI

DOM JOSÉ FALA DA MISSÃO DO SACERDOTE

O bispo emérito da Diocese de Rio do Sul, Dom José Juvêncio Balestieri lembrou que ele e Frei Renato tinham uma "graça fabulosa, especialíssima, de vivermos o Ano Sacerdotal em 2010".
"É um convite para que nós reflitamos sobre o dom da vocação, para tomarmos consciência de que somos ou seremos grandes no Reino de Jesus se soubermos servir generosamente o povo de Deus", disse.
"Devo dizer o seguinte, Frei Renato. Eu e você precisamos ter coração grande, espírito de despreendimento, coragem para sair e ir ao encontro das pessoas, ajudando-as a se encontrarem pessoalmente com o Senhor Jesus Ressuscitado", ensinou.
O bispo salesiano disse que, ao longo de seus 42 anos de sacerdócio, aprendeu muitas coisas. "Não sei se consegui viver algumas, mas esses momentos eu partilho com você. Em primeiro lugar, o povo precisa de padre que seja homem de Deus. O sacerdócio é um dom de Deus. O padre não se pertence mais. O padre é todo de Deus para fazer aquilo que Deus quer. E aqui nos deparamos com o primeiro e grande desafio: é preciso que eu e você, meu caro Frei Renato, deixemos nos conduzir pelo espírito do Senhor Deus", explicou.
Como segundo item, disse que "somos homens de Deus e devemos ser homens do povo. Alguém já disse que o povo é nosso patrão - e o povo e nossas comunidades eclesiais têm o direito de encontrar no padre um pastor, um amigo, conselheiro em outras palavras. O povo tem o direito de encontrar no padre o próprio Jesus, o Bom Pastor. Eu e você, usando as palavras de João Paulo I, somos Jesus Cristo continuado. Ser servidor do povo. Esta é a sua missão como padre", enfatizou.
Como terceiro item, citou: "Como Padre, somos homens de oração. Não basta rezar. O povo quer ver você rezando, Frei Renato. Mas também não basta rezar para ser visto. É preciso rezar porque a oração é algo essencial para a minha vida e a sua vida. Padre que não reza não é verdadeiro discípulo do Senhor Jesus. Leigo que não reza vira bicho. Padre que não reza vira bicho feio. Do bispo não falo nada", brincou, provocando risos.
Ele ainda lembrou que o padre precisa ser "eucaristizado". "Padre eucaristizado, capaz de dar a própria vida para que o povo, para que as nossas comunidades possam ter vida e vida em abundância", observou.
Um outro aspecto salientou, citando Cura D´Ars: "O padre é o coração de jesus para as pessoas. Significa dizer que você deve ser homem de misericórdia. O padre sabe acolher amorosamente. O amor misericordioso de Deus deve se tornar presente e deve ser repassado às pessoas pelo coração bondoso do padre", frisou.
Por último, disse que o povo quer que Frei Renato seja um padre feliz. "Padre triste é um triste padre", observou.
Segundo ele, a alegria deve fazer parte do cotidiano do padre. "Jesus disse: 'Como o Pai me amou, assim também vos amei. Permanecei no meu amor. Eu vos disse isso para que a minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja completa'. Que a alegria faça parte do seu ministério sacerdotal. Alegria que é fruto de ser homem de Deus e homem do povo. Padre realizado, Padre feliz e que transforma tudo isso no serviço aos irmãos.
Quem é todo de Deus é todo do povo", completou, pedindo a intercessão de Deus, de Maria e dos santos franciscanos: "Que Deus, Uno e Trino, Nossa Senhora Aparecida, São Francisco de Assis, Santa Clara e todos os santos da Família Franciscana - e não são poucos - abençoem e santifiquem o seu sacerdócio, hoje, amanhã e sempre. Paz e Bem".

Por Moacir Beggo

Atalanta (SC) - Durante três horas, a família Pezenti se emocionou muito, principalmente a mãe Osnilda, que chorou sem parar em cada rito ou movimento da ordenação presbiteral do filho querido, Frei Renato Pezenti. O ginásio de esportes Manoel Inácio Antunes, da pequena e acolhedora Atalanta, no interior catarinense, transformou-se completamente num templo para registrar esse momento, que tão cedo a comunidade e a família Pezenti não vão esquecer.

Frei Renato teve uma ordenação presbiteral, neste sábado (15/05), à altura de seu tamanho, à altura de sua simpatia, de seu amor pela comunidade, amigos e pela família.

A cidade não perdeu a oportunidade de dar graças pelo filho querido e lotou o ginásio para ver o bispo Dom José Juvêncio Balestieri, emérito da Diocese de Rio do Sul (SC), impor as mãos e ungir o novo presbítero da Província Franciscana da Imaculada Conceição, representada pelo Definidor Frei Samuel Ferreira de Lima, no lugar do Ministro Provincial Frei Fidêncio Vanboemmel, e Frei João Maria dos Santos, pároco de Ituporanga, além de Frei Antônio Michels, Definidor e Pregador da Primeira Missa de Frei Renato. Da Província toda, seus confrades se fizeram presentes, assim como a presença especial dos seminaristas de Agudos,
onde Frei Renato é orientador, dos noviços, dos aspirantes, além de padres da Diocese e dos familiares, em peso na celebração.

Frei Pedro da Silva, animador vocacional da Província, e os frades que trabalharam na Semana Missionária foram unânimes em afirmar que nunca viram uma comunidade assumir com tanta intensidade uma celebração como esta de Frei Renato. A família de Frei Renato não dispensou esforços para celebrar este momento.

Isso ficou mais claro ainda nos agradecimentos logo após a ordenação, quando o povo pôde conhecer melhor a história vocacional de Frei Renato, contada em detalhes pela irmã Daiana e pela fala emocionada do novo presbítero sobre a importância da família na sua vida, quando afirmou categórico: "Eu não sou padre
por acaso. Meus pais me ensinaram a ser sacerdote".

Dirigindo-se ao bispo, Frei Renato contou: "D José, o sr. sabe o que é trabalhar o dia inteiro puxando cebola, colhendo fumo e, no final do dia, ainda ter pique para ir a uma reunião de catequese? Era isso que eu via meu pai fazendo e é isso que eu vejo ainda. O sr. sabe o que é uma mulher carregar cebola com sacos de mais ou menos 30 quilos? À noite, ela ia dormir antes dos filhos, porque, óbvio, estava mais cansada. Mas essa mulher que trabalhava o dia inteiro, ainda tinha fôlego para rezar, como podíamos ver pela porta do quarto, que não se fechava por inteiro", confessou Frei Renato, sem esquecer da nona. "Falando de família, não posso esquecer de minha nona, que muita gente conheceu. Dispensa palavra o tamanho da fé daquela mulher e o tamanho do exemplo de vida. Era uma 'padra', uma sacerdotisa, que sabia servir", acrescentou, não esquecendo do irmão mais velho, que supriu a sua ausência quando decidiu ir para o seminário.

Servir foi a palavra que Frei Renato aprendeu com seus familiares. "Parece que a única forma de dizer para Deus o tamanho da minha gratidão não é com palavras mas com gestos. E foi por isso justamente que escolhi este tema: Estou no meio de vós como aquele que serve", agradeceu. Começando por Dom José, que aceitou o seu convite para ordená-lo, ele só tinha palavras de agradecimento: aos pais, à família franciscana da Província, aos amigos e ao povo da Baixada Fluminense, onde fez os dois últimos anos de formação. "O povo de Deus nunca me deixou esquecer por que eu estava no seminário. Nunca me deixou esquecer por que estive estudando durante 15 anos da minha vida. Para servir ao Reino de Deus no seu povo. E o povo da Baixada me ensinou que o padre deve estar a serviço, que o Evangelho não precisa de riqueza, que o Reino de Deus não precisa de poder, porque aquele povo, que tem mais sorriso e simpatia do que dinheiro, me ensinou a ter fé e a ser servidor. Muito obrigado pelo povo que me recebeu ao longo da minha formação. Eu devo muito a vocês, muito mais do que vocês imaginam", disse.

Gisele, liderança na Paróquia de Santa Clara, em Imbariê, deu o testemunho afirmando que Frei Renato era digno para receber o ministério sacerdotal. Nos dois anos de seu apostolado na comunidade, Frei Renato foi muito querido: "Ele é uma pessoa sensível, talentosa, mas não quis guardar para si seus dons e os partilhou com todos no serviço", disse.

Frei Samuel, que é Definidor para esta Região Catarinense, representou o Ministro Provincial e deu graças a Deus pelo dom da vocação de Frei Renato. "Pelo dom da sua família, que o cultivaram no amor e na fé", disse, agradecendo a Dom José, que acolheu fraternalmente o convite de Frei Renato. "Estamos todos aqui reunidos, rezando e agradecendo, para que Frei Renato possa ser esse instrumento de Deus, testemunho e seguidor dos passos de Jesus Cristo. Que Deus conceda em sua vida muitas graças e bênçãos. Obrigado pelo seu sim, obrigado por fazer parte da nossa fraternidade provincial", completou Frei Samuel.

Frei Renato Pezenti celebrou a Primeira Missa na sua comunidade de origem, em Ribeirão Matilde, e teve como pregador Frei Antônio Michels, que foi o seu orientador durante os dois últimos anos de Teologia, na Fraternidade de Imbariê, Duque de Caxias. Não deixe de ler a homilia.

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