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São Paulo, 24/05/2012
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-- Reportagem --
14/04/2010
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ENTREVISTA COM FREI RENATO PEZENTI

Nome: Frei Renato Pezenti
Nascimento: 3 de julho de 1982
Naturalidade: Petrolândia (SC)
Noviciado: 12/01/2001
Profissão solene: 2/08/2008
Ordenação diaconal:  5/09/2009
Reside atualmente no Seminário de Agudos, onde é orientador

Frei Renato terminou Teologia em 2009, e o seu primeiro trabalho confiado a ele pelo novo governo provincial é o de orientador dos seminaristas do Seminário Santo Antônio de Agudos (SP). Para ele, trata-se de um desafio, mas que não requer tratados pedagógicos para isso. “Eu serei apenas um irmão menor, um pouco mais velho e quero ajudá-los a descobrir uma grande paixão pelo Cristo. Por fim, estou aqui por causa do Evangelho. Esta é minha pastoral, minha evangelização e a opção que me conduziu até aqui”.

Conheça um pouco mais Frei Renato, sua origem, vocação e pensamento.

Por Moacir Beggo

Site Franciscanos - Conte um pouco da história de sua vocação.
Frei Renato - O berço de minha vocação é o seio de minha família e de minha comunidade de fé, lá nos interiores de Santa Catarina. Meus pais, Antonio e Osnilda, sempre foram muito envolvidos com a vida da comunidade e isto nos fazia bastante próximos dos frades franciscanos que servem a Paróquia de onde sou natural (Santo Estevão – Ituporanga). Junto com o cultivo da terra, partilhei da vida de pessoas que cultivavam também uma grande intimidade com Deus. Pessoas que, como eu, aprenderam desde cedo a trabalhar e a rezar. Neste meio, nasceu a admiração pelo modo de vida dos frades, livres, simples, alegres e amantes do Evangelho. Quis ser como eles. O encontro vocacional único me encheu de uma alegria que não cabia em mim e que me fez, ainda muito novo, com doze anos apenas, ingressar no Seminário de Ituporanga. Esta alegria teve que passar pela saudade, pela ausência dos pais e dos irmãos, Márcio e Daiana, pelo nem sempre empolgante “feijão com arroz” do Seminário, pela dor que rasgava o coração ao final de cada férias, pelas dificuldade da formação, pelo intrigante sentimento de ver colegas de seminário escolhendo outros caminhos e pelo desejo recorrente de abraçar outras formas de vida. No entanto, o que nutriu esta alegria foi muito maior, a presença de infinitas pessoas que me apoiaram, a fraternidade com grandes frades menores que doaram o próprio sangue pela minha formação, o prazer inigualável da vida fraterna e, acima de tudo, o dom da descoberta do Evangelho, a Boa Nova que não se pode conter. Enfim, minha história não é unicamente minha, ela nada seria se não estivesse tramada com tantos instrumentos Daquele que chama. Acredito que toda a história da vida de alguém deve ser a história da sua vocação. A minha está com 27 anos e bem, graças a Deus!

Site Franciscanos - O que significa para você a ordenação presbiteral?
Frei Renato - A Ordenação Presbiteral para mim é mais uma resposta no sentido de uma doação radical ao Evangelho. São Francisco diz: “Nada retenhais para vós mesmos para que totalmente vos receba quem totalmente se vos dá” (Cel 23, 29). É isto que significa a Ordenação para mim. Ser presbítero é servir ao altar do mundo, onde o Cristo continua se encarnando. É serviço, não poder; minoridade, não status. Por isto escolhi o tema: “Estou no meio de vós como aquele que serve” (Lc 22,27). Acredito que trazer o Cristo presente na Eucaristia é abraçar o comprometimento de trazer presente, encarnado, o seu Evangelho, que é a Boa Nova da partilha, do pão e da vida. Assim, acredito que o sacerdote não é alguém que apenas preside o ritual eucarístico da partilha, mas é alguém que deve celebrar a partilha da sua vida, conformando-se ao Cristo que doa até o próprio corpo para o nosso bem. Isto, é claro, acontece não só aos pés do altar, mas aos pés dos irmãos, especialmente os mais pobres, aqueles com os quais o mundo não celebra a festa da partilha, mas da exploração.

Site Franciscanos - Você foi designado no último Capítulo Provincial para trabalhar na formação. O que está achando desta experiência?
Frei Renato - Pessoalmente, tem sido uma experiência bastante desafiadora, um serviço árido eu diria. Compreendo que cada seminarista que está aqui, o faz porque Deus quer. Em cada um deles habita o mistério de um Deus que chama para o serviço ao seu Evangelho. Este é o desafio ao qual me refiro: como se prostrar com reverência e serviço aos pés de alguém que ainda com tão pouca idade, procura responder ao chamado de Deus de viver o mesmo dom que eu recebi? Não é fácil se prostrar como irmão menor diante do dom da vocação destes irmãos seminaristas. A grande pergunta que tenho procurado responder neste trabalho que me foi confiado, junto com minha fraternidade é: onde está o Evangelho neste serviço, na minha vida e na vida destes seminaristas? Para mim, como formador, esta é uma pergunta crucial, pois, que outra coisa é a formação senão um processo de evangelização, de conformação com o Evangelho do Cristo? Viver estas perguntas me basta para que eu me realize porque busco fazer do Evangelho o sentido da minha vida. Digo aos seminaristas que não serei eu a fazer a diferença na vida deles. O que vai fazer isto é a forma com que cada um responde aos apelos que Deus lhes faz. Eu serei apenas um irmão menor, um pouco mais velho que quero ajudá-los a descobrir uma grande paixão pelo Cristo. Por fim, estou aqui por causa do Evangelho. Esta é minha pastoral, minha evangelização e a opção que me conduziu até aqui.

Site Franciscanos - Em meio a tantos apelos da sociedade moderna, o que leva um jovem como você a atender o pedido de Jesus: "Vem e segue-me"?
Frei Renato - Ninguém abraça um projeto de mediocridade assim como ninguém abraça um projeto no qual não acredita. É por isso que procuro a cada dia responder a este convite de Jesus. Eu acredito no projeto que o Cristo me chama a abraçar e sei que não é um projeto de mediocridade. Sem dúvida há outros tantos apelos bastante sedutores e muitos deles nobres, também. No entanto, o que dá sentido à minha resposta afirmativa a este apelo é uma paixão profunda pelo Evangelho e uma experiência forte com o Cristo, especialmente o Cristo refletido no rosto dos pobres, a ponto de experimentá-lo como a maior de todas as opções. O célebre trocadilho, “toda decisão exige cisão”, sempre vem a calhar. Não há como optar sem renunciar, até porque o seguimento do Cristo não pode ser uma falta de opção, ou uma opção de omissos.
 
Site Franciscanos - O que você diria a um jovem sobre a vocação religiosa franciscana?   
Frei Renato - A Vida religiosa Franciscana vale a pena, porque o Evangelho vale a pena e o projeto de Deus vale a pena! É isto que diria. Diria que a vida Franciscana não é um projeto de poder, de conforto, de comodidade ou de segurança. É uma vida que não cabe no bolso, mas no coração. É isso que torna a Vida Franciscana uma vida profética, de anúncio e de denúncia. Num mundo onde o poder é a maior ânsia, optar pelo serviço deve ser uma resposta extremamente ousada. Por isto, a Vida Religiosa não pode ser a opção de quem não tem opção ou de quem foge. Quem quer ser religioso franciscano deve ser profundamente ousado, capaz de perceber o que não é evidente, de abraçar o que não está em voga, de estar onde ninguém quer estar, de encarnar o Evangelho mesmo que para isto seja necessário remar contra as correntes e abrir mãos dos aplausos.
Por isto, eu diria que a vida franciscana é grandiosa. Ela é um grande sonho, um sonho conformado ao sonho de Deus. Ela é do tamanho do Evangelho, justamente porque Ele é a vida e a regra dos frades (RB 1,2).

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