Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 24/05/2012
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Por Moacir Beggo

São Paulo (SP) - A presidente da Federação das Concepcionistas do Brasil, Madre Maria Auxiliadora do Preciosíssimo Sangue, tem o privilégio de conhecer bem a Ordem da Imaculada Conceição no Brasil. Não é para menos. Desde a fundação da Federação, foi presidente por 12 anos, ficou fora por seis anos e voltou como presidente em 2007. Natural de Campos, no Rio de Janeiro, esta simpática religiosa ingressou na vida religiosa no dia 28 de dezembro de 1957 e trabalha incansavelmente pela organização dos mosteiros dentro da Federação. Uma tarefa, que, segundo ela, nem sempre foi fácil no Brasil. Desde a Idade Média, os mosteiros tinham vida autônoma e, para reuni-los, foi necessário quebrar muitas barreiras. Neste entrevista, Ir. Maria Auxiliadora fala deste momento jubilar e das preocupações com a falta de vocações.

Site Franciscanos - Qual o significado de celebrar este momento?
Irmã Maria Auxiliadora
- Nós estamos celebrando 500 anos de nossa história. Com a aprovação da nossa forma de vida, a Igreja nos deu um lugar específico dentro dela. Então, nós estamos na Igreja há 500 anos. É um momento de gratidão, de sonho e de esperança. E um momento de reflexão também: qual é o lugar que estamos ocupando nesta história?

Franciscanos - Como a Sra. vê a Ordem hoje?
Ir. Maria Auxiliadora
- Vemos com esperança. Se, por um lado, há a diminuição de monjas nos mosteiros, por falta de vocações, por outro lado vemos monjas com ideal, coragem, com vontade de caminhar e de 'passar a chama' às irmãs que virão, que vão nos substituir.

Franciscanos - Como a sra. vê esta falta de Vocações?
Ir. Maria Auxiliadora
- A falta de vocações não atinge só a nossa Ordem, mas a todas as Ordens. A proporção é de quase 1%. Nós temos muitas irmãs que estão celebrando 25 e 50 anos de vida religiosa e poucas estão professando. Na Europa, por exemplo, vive-se a mesma situação, mas estão encontrando soluções para a crise, como fundir os mosteiros. São corajosas e estão buscando vocações na Ásia, especialmente na Índia, um celeiro para as ordens religiosas. Na Espanha recebem formação e depois são devolvidas para as suas culturas. Com isso, difundem a própria Ordem.

Franciscanos - Quantas irmãs estão nos mosteiros do Brasil?
Ir. Maria Auxiliadora
- Nos 18 mosteiros do Brasil, temos 180 irmãs. Aqui, neste Congresso, temos 14 mosteiros, uma representação muito significativa.

Franciscanos - Há uma abertura maior nos mosteiros hoje?
Ir. Maria Auxiliadora
- A boa assistência dos frades nos ajudam muito e temos dado alguns passos que as outras ainda não deram. Nós tivemos Frei Bernardo que deu toda força para concretizarmos a Federação, porque os mosteiros contemplativos são autônomos. Essa autonomia já teve sentido porque nós somos da época da Idade Média, daquela época feudal. A mentalidade de cada mosteiro era da autossuficiência. Hoje em dia, com esse mundo globalizado, a autonomia não tem mais sentido.

Franciscanos - Quando houve essa mudança?
Ir. Maria Auxiliadora
- O Papa Pio XII pediu que os mosteiros se agrupassem em federações. Na Europa, isso foi muito bem aceito e os mosteiros fizeram isso rápido. No Brasil, contudo, foi um processo muito lento. Demorou mais de trinta anos. Por exemplo, as primeiras federações são de 1957. Nós e as clarissas somos em 1989. Bastante tempo! No Brasil, a gente ficou muito tempo temendo perder a autonomia.

Franciscanos - Como está hoje esse processo?
Ir. Maria Auxiliadora
- Estamos num processo muito bom. Crescendo dia a dia. Formamos um grupo da geração de 90 que está levando muito bem. A vice-presidente, a secretária e suas conselheiras estão 'passando essa chama' com alegria para frente.

Franciscanos - Como se deu a sua escolha para a vida religiosa contemplativa?
Ir. Maria Auxiliadora
- Sempre fui uma menina piedosa por ser de uma família cristã. Mas, a princípio, não pensava em ser religiosa. Quando houve uma missão dos padres Redendoristas na minha paróquia, em Campos (RJ), eles explicaram os três estados: a virgem consagrada na família, no matrimônio e na vida religiosa. Encantei-me com o primeiro estado. Mas depois, durante o Ano Mariano, fui para Aparecida e lá Deus me mostrou o caminho. Visitei um Carmelo e fiquei encantada. Depois conversando com uma religiosa das Paulinas, fiquei sabendo de nossa Ordem. Quando voltei para casa, fui procurar endereços e telefones. Namorei quatro anos o Mosteiro d'Ajuda antes de ingressar na vida religiosa em 28 de dezembro de 1957. Estou lá há 54 anos.

Franciscanos - O que a sra. diria para uma jovem que quer ser monja?
Ir. Maria Auxiliadora
- Vale a pena a gente se entregar ao Amor.

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