Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 24/05/2012
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Depoimento de
Mara Faustino

Hoje é dia 11 de setembro. No nosso calendário, um dia comum, sem grandes festividades. Seria um número pintado de preto na folhinha se não fosse um domingo e isso dá a ele a coloração rubra. Porém, um fato marcou o dia 11 de setembro. Não o fato em si, pois o ser humano tem essa possibilidade – ser humano se vinga, ser humano castiga, ser humano se acha superior/inferior a alguém, ser humano julga-condena-sentencia, enfim, ser humano era; mas a dimensão do fato marcou essa data. Jogar aviões sobre prédios é algo grande demais.

Deixando de lado as proporções, algumas atitudes na vida da gente também marcam – negativa ou positivamente. O que não podemos permitir é que nos acostumemos com as atitudes negativas. Quando algo de ruim que fazemos não nos incomoda mais, é sinal de perigo, de alerta.

E ontem algo muito bom aconteceu. Algo muito grande aconteceu. Algo muito sério aconteceu. E eu não soube agradecer o suficiente por isso. Estava tão envolvida nos detalhes, nos “conformes” que deixei de fazer o que devia.
Quantas pessoas se envolverem e eu não agradeci o suficiente.

Apesar do texto ser comum, pois o sentimento é comum, quero que vocês saibam que sou muito grata a Deus por ter me dado irmãos, amigos, família, companheiros e, capacidade para poder viver na Espiritualidade Franciscana que é, sem dúvida, “dois aviões se chocando com dois prédios” – bota tudo a baixo, transforma a paisagem da vida da gente, muda o foco, faz acordar.

Tudo o que aconteceu ontem foi muito bom, muito sério, muito grave e merece ser visto, lembrado e trazido para o comprometimento mas, de tudo, de tudo,tudo, o que mais me mostrava a Graça de Deus naquela hora e naquele lugar eram as pessoas que estavam ali. Quanta gente! Que coisa linda!

O pessoal daqui chegando com as camisetas no cabide pra vestir depois, montando mesas, guardando os lanches, fazendo lembrancinhas, correndo para lá e para cá. Sem tumulto, sem discussão, se colocando a serviço.

Dona Maria toda preocupada para que desse tudo certo, desde sexta-feira cuidando das coisas da Igreja de São Benedito. O Cloaldo, a Conceição, ali também: sobe santo, desce santo, tira quadro, põe estandarte...olha lá, tá torto.

Frei Fidêncio, que simplicidade ... chegou quietinho com o Moacir e já foram brincando e se misturando com a gente. Ele o Ministro Provincial da Ordem dos Frades Menores, ali com a gente. Isso ensina muito a gente. Muito mesmo. O Moacir que tão simplesmente respondeu sim a um convite e registrou tudo, o tempo todo com a câmera e o gravador na mão. Isso ensina.

Frei Gilberto, nosso Assistente Espiritual, que de forma tão carinhosa e responsável deixou sua Paróquia em Sorocaba para estar conosco. Isso ensina muito a gente. Muito mesmo.

Os ônibus, as Fraternidades todas de tantos lugares: Itu, Itapeva, Itapetininga, Sorocaba, a minha Fraternidade, Sumaré, Santos, São Paulo, Guarulhos e outras que eu possa ter me esquecido agora. Estrada, calor, estrada...mapa...mas todos sabiam para onde estavam vindo e, principalmente, para que estavam vindo. Encontrar velhos irmãos, acolher novos irmãos. Isso ensina.

Todo o pessoal do Regional que é minha família. Pessoas que sempre estão disponíveis, alegres no serviço. Ontem eu olhava pra eles e cheguei até a comentar com alguns, como são bonitos os meus irmãos. Que Missa linda foi a de ontem! Também, só tinha gente linda ali!

As pessoas que de alguma forma fazem parte da nossa história: famílias da novena, da trezena, dos projetos...estavam ali.
Pessoas que simplesmente atenderam a um convite sem grandes explicações mas quiseram estar ali
Tudo isso ensina a gente.

Meus amigos. Aqueles que caminham comigo e que sabem quem, realmente eu sou. Aqueles que convivem de perto com minhas qualidades e defeitos. Aqueles que me socorrem o tempo todo e, quase sempre, atendem os pedidos “de última hora” e sem cara feia. Aqueles que vieram participar de uma Missa de 2h... Mas que bom que estava ali. Isso ensina a gente.

O Emílio, quem nem pensou para responder o seu sim e veio para ler pra nós o seu poema sobre cada monçoeiro que somos e, eu nem agradeci. Obrigada, meu amigo. De coração! Chegou quietinho, atendeu nosso pedido e saiu quietinho...isso ensina a gente.

Amigos de perto, amigos de longe. Amigos que construímos durante a vida. Amigos.
Os irmãos da comunidade, seja da nossa, seja das outras...Porto Feliz é pequena, dá pra ser assim. O coral que por três semanas se dedicou a ensaiar nossa Missa...que lindo que cantaram. Como ficaram lindas as músicas. A Equipe de Acolhida...que benção! Que disposição. Ser comunidade ensina muito a gente.

Nossas famílias. A minha em especial, que normalmente abandono. Quero cuidar para que isso não seja tão normal assim. E as famílias dos meus irmãos daqui. Como foi bonito ver chegando os filhos, os netos, os irmãos, pais, mães, sogra, marido... as famílias dos nossos irmãos que partiram pra viver no céu! Como isso ensina a gente. “Não perca de vista o seu ponto de partida”. Cuidar.

A moçada do Movimento de Assis...que alegria! Como são bonitos, meu Deus! Realmente não envelheceram tanto quanto eu. Parece que dez anos pra eles tem outro peso. Vocês me ensinaram muito! E estarem ali, ontem, me ensinou mais ainda.

Dois aviões se chocam em dois prédios. Absurdo. Insensato. Desumano. Isso ensina a gente que nem amar a gente sabe, pois aquele ato foi “justificado” por alguém. Mas hoje, dia 11 de setembro de 2011, um dia depois da Missa da Profissão e Ereção Canônica da Fraternidade São Maximiliano Kolbe, quero dizer que o amor de Deus por mim é tão grande que Ele decidiu encher minha vida de pessoas muito especiais. Pessoas imensamente grandes e fortes, como aviões e que, de vez em quando se “chocam” comigo, num abraço apertado, pra derrubar prédios que eu considerava firmes e sólidos e me mostram que amar é simplesmente estar ali, fazendo o que deve ser feito. Não por nada. Simplesmente por amar alguém, ou algo. Não qualquer algo, mas o Evangelho de Jesus Cristo que São Francisco e Santa Clara apontam com maestria.

Não me esqueci de ninguém. Mesmo que o nome não esteja aqui no texto, está aqui na memória. Olhei pra todos os que estava ali. Agradeci a Deus por todos os que estavam ali. Mesmo aqueles que não reconheci, ainda. Mas se estava lá, é porque tinha um desses motivos.

Carinho é o “gesto” do amor. Lavanda é o cheiro do amor.
Embora atrasado: Muito obrigada! Obrigada por tudo e pra sempre!!

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