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| -- SÍmbolos Franciscanos -- |
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O Cântico das Criaturas
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Quase
moribundo, compôs São Francisco o Cântico das criaturas.
Até ao fim da vida queria ver o mundo inteiro num estado
de exaltação e louvor a Deus. No outono de 1225, enfraquecido
pelos estigmas e enfermidades, ele se retirou para São
Damião. Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado
febril e atormentado pelos ratos, deixou para a humanidade
este canto de amor ao Pai de toda a criação.
A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi
composta em julho de 1226, no palácio episcopal de Assis,
para pôr fim a uma desavença entre o bispo e o prefeito
da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a
guerra civil. A última estrofe, que acolhe a morte, foi
composta no começo de outubro de 1226.
A oração do santo diante do crucifixo de São Damião e
o Cântico do Sol são as únicas obras de São Francisco
escritas em italiano antigo e, por isso, são dos mais
importantes documentos literários da linguagem popular.
Foi nesta língua que ele certamente ditou a maioria de
seus escritos, antes que os irmãos versados em letras
os traduzissem para a língua comum da época, o latim.
"Na tradição ocidental Francisco de Assis é visto como
uma figura exemplar de grande irradiação. Com fina percepção
sentia o laço de fraternidade e de sororidade que nos
une a todos os seres. Ternamente chama a todos de irmãos
e irmãs: o sol, a lua, as formigas e o lobo de Gubbio.
As coisas tem coração. Ele sentia seu pulsar e nutria
veneração e respeito por todo ser, por menor que fosse.
Nas hortas, também as ervas daninhas tinham o seu lugar,
pois do seu jeito elas louvam o Criador.
O coração de Francisco significa um estilo de vida, a
expressão genial do cuidado, uma prática de confraternização
e um renovado encantamento pelo mundo. Recriar esse coração
nas pessoas e resgatar a cordialidade nas relações poderá
suscitar no mundo atual o mesmo fascínio pela sinfonia
do universo e o mesmo cuidado com irmã e mãe Terra como
foi paradigamaticamente vivido por São Francisco."
(Leonardo Boff)
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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