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A Decisão e a Fuga
Exultante de alegria, Clara fixou seus olhos
nos olhos de Francisco e, sem hesitar, disse:
"É minha firme intenção viver só para Cristo,
pobre como Ele. Por isso, decidi fugir de casa,
para não retornar jamais!" Francisco olhou-a ternamente
e disse-lhe com simplicidade: "Irmã, se assim
te inspira o Senhor, no momento em que fugires,
eu estarei a te esperar com meus irmãos em Santa
Maria dos Anjos!" Depois, antes de se despedirem,
ambos combinaram a data: a noite de Domingo de
Ramos para segunda-feira santa. No dia 18 de março de 1212, Clara
levantou-se bem cedo, vestiu o mais belo vestido
e, com algumas amigas, dirigiu-se à catedral para
a cerimônia religiosa. A liturgia do Domingo de
Ramos era muito longa: dDevia-se proceder à bênção
e distribuição dos ramos; seguia
a procissão, a celebração
da missa com as leituras, as orações
e a "Paixão".
Clara estava sentada e acompanhava em silêncio.
Pensava na fuga daquela noite, que a levaria para
longe de casa, para não mais retornar.
Quando o Bispo Guido começou a distribuição
das palmas, ela não se moveu; permaneceu
sentada, com a cabeça inclinada. O Bispo
notou a sua ausência; olhou-a e, como que
inspirado, levantou-se, desceu os degraus da cátedra
e, acompanhado dos clérigos, encaminhou-se
para ela; entregou-lhe a palma e a abençoou.
Clara beijou o anel do Bispo, tomou a palma e,
comovida, estreitou-a ao seio. Depois inclinou
ainda a cabeça e recitou uma oração.
Agora, não lhe restava senão andar...
A fuga na noite
Quando a noite já estava avançada,
colocou um manto negro sobre o vestido de festa,
cobriu a cabeça com um véu e, na
ponta dos pés, dirigiu-se para a "porta
dos mortos". Queria sair escondida e, saindo
por aquela porta, estava certa de que não
encontraria ninguém.
Com suas mãos delicadas, removeu a lenha
e os utensílios que estavam colocados contra
a saída, fez força sobre os ferrolhos
e sobre as trancas e, pouco depois, se encontrou
na estrada.
A espreita, numa esquina, uma amiga muito querida
a esperava: Pacífica de Guelfuccio. Com
passo ligeiro, juntas, encaminharam-se para Santa
Maria dos Anjos.
Narram os "Fioretti" que aquela noite
era mais "clara" do que de costume,
e que as estrelas olhavam do alto para proteger
o seu caminho.
Aguardando-as no limite do bosque, estavam dois
frades com archotes acesos.
Com eles, embrenharam-se entre as folhagens, em
direção a uma luz que brilhava pouco
além: era a Porciúncula.
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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