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Os Milagres do Pão e do Azeite
Com a pobreza de espírito, que é a verdadeira
humildade, harmonizava a pobreza de todas as
coisas.
Clara de Assis recebia muito alegremente as
esmolas em fragmentos e os pedacinhos de pão
levados pelos esmoleres. Parecia ficar triste
ao ver pães inteiros e pulava de alegria diante
dos restos.
Dentro deste espírito, Tomás de Celano narra
os seus primeiros milagres. A multiplicação
do pão Havia no mosteiro um só pão e já apertavam
a fome e a hora de comer. A santa chamou a dispenseira
e mandou cortar o pão, enviando uma parte para
os frades e deixando a outra em casa para as
Irmãs. Dessa metade mandou tirar cinquenta fatias,
de acordo com o número das senhoras, para servi-las
na mesa da pobreza.
A devota filha respondeu que iam ser necessários
os antigos milagres de Cristo para que tão pouco
pão desse cinquenta fatias, mas a mãe a contestou
dizendo: "Filha, faça com confiança o que falei".
Apressou-se a filha a cumprir o mandato da mãe,
que foi dirigir a seu Cristo piedosos suspiros
em favor das filhas. O pedaço pequeno cresceu
por graça de Deus nas mãos de quem o cortava
e cada uma da comunidade pôde receber uma bela
porção.
O azeite dado por Deus Certo dia, acabou tão
completamente o azeite das servas de Cristo,
que não havia nem para o tempero das doentes.
Dona Clara pegou uma vasilha e, mestra da humildade,
lavou-a com as próprias mãos. Colocou-a lá fora,
vazia, para que o irmão esmoler a recolhesse,
e chamou o frade para ir conseguir o azeite.
O devoto irmão quis socorrer depressa tanta
indigência e correu a buscar a vasilha.
Mas essas coisas não dependem de querer e correr,
e sim da piedade de Deus. De fato, só por Deus,
a vasilha ficou cheia de óleo, pois a oração
de Santa Clara foi à frente da ajuda do frade,
para alívio das pobres filhas. O frade, crendo
que o haviam chamado à-toa, comentou num murmúrio:
"Essas mulheres me chamaram por brincadeira,
pois, olhe, a vasilha está cheia!"
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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