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O Primeiro Lar: São Damião
Clara e Inês, que se julgavam portadoras de nova
Ordem, não podiam certamente permanecer em Santo
Angelo de Panzo.
Francisco obteve para elas o pequeno convento
anexo a São Damião, juntamente com a igrejinha
na qual haviam ido rezar tantas vezes.
São Damião se tomará, assim, cenáculo de mulheres
apaixonadas pelo Senhor, uma semente destinada
a germinar uma fileira de almas belas, sequazes
intransigentes dos ensinamentos do Poverello.
Afinal, Francisco o havia predito, como conta
Clara, em seu testamento."Tendo subido no muro
da dita igreja, assim gritava então, com voz elevada
e em língua francesa: 'Venham e ajudem-me nesta
obra do mosteiro de São Damião, porque, dentro
em breve, virão habitá-lo mulheres e, por sua
fama e pela santidade de sua vida, dar-se-á glória
ao Pai nosso celeste, em toda a sua Santa Igreja".
Clara e Inês não ficaram por muito tempo sozinhas,
porque muitas jovens de Assis foram atraídas por
seu exemplo.
Destas primeiras companheiras, ficam-nos, além
do nome, também documentação que testemunha a
santidade de sua vida e sua fidelidade, sem compromisso
algum, em seguir o exemplo de Clara.
Pouco depois da entrada em São Damião, pediu para
unir-se às irmãs Offreducci uma amiga de infância
de Clara, Pacífica; e de Perúgia, chegou Benvenuta,
conhecida nos anos da fuga de Assis, juntamente
com toda a sua família . Depois, juntou-se Balvina
de Martino; no ano seguinte, Filipa, filha de
Leonardo de Gisleno.
Todas prometeram obediência a São Francisco, que
não deixará de seguir a pequena comunidade, com
extrema diligencia e com o amor que merecia a
mais bela flor do jardim espiritual.
Para as irmãs, que começaram a ser chamadas "Damianitas",
depois de terem provado sua coragem, a própria
Clara prescreveu, com evangélica simplicidade,
uma regra a ser observada. Em 1215, ela havia
impetrado à Sé Apostólica a aprovação do Privilégio
da Pobreza, documento singular, único, com o qual
a Santa queria, aprovada pelo Papa, a escolha,
para ela e suas sequazes, de não aceitar nenhuma
posse.
E, na Regra Selada, aprovada pela forma de vida
da nova comunidade, está escrito: "O bem aventurado
pai, considerando que não temíamos nenhuma pobreza,
fadiga, tribulação, humilhação e nenhum desprezo
do mundo, que, antes, os tínhamos em conta de
grande delícia, movido de paterno afeto, escreveu
para nós a forma de vida deste modo:
'Como, por divina inspiração, vos fizestes filhas
e servas do altíssimo Sumo Rei, o Pai celeste,
e desposastes o Espírito Santo, escolhendo viver
segundo a perfeição do Santo Evangelho, quero
e prometo, de minha parte e por meus frades, ter
sempre de vós e deles atento cuidado e especial
solicitude'. O que ele, com toda a fidelidade,
cumpriu enquanto viveu e quis que fosse sempre
cumprido pelos frades".
Depois de três anos de vida monástica, Francisco
julgou oportuno dar à comunidade de São Damião
um esboço de organização: pensou em nomear uma
abadessa. Esta não podia ser senão Clara, a primogênita
da Ordem.
Mas Clara refutou: "Não, não eu, Francisco! Fugi
de todas as honras e da vaidade do mundo, não
posso me colocar no comando das minhas irmãs.
Quero só servir e obedecer!"
"Bem!" - disse-lhe Francisco em resposta - "se
tu queres obedecer, então eu te peço que o faças
por obediência!".
Desejosa da palavra de Deus
Clara, apenas eleita abadessa, sentia necessidade
de uma ajuda segura: temia, sobretudo, não ir
pelo caminho da perfeita pobreza. Por isso, teria
desejado encontrar-se mais vezes com Francisco
Mas o "Poverello" estava muitas vezes longe de
Assis e evitava dirigir-se freqüentemente a São
Damião para não suscitar "admiração e suspeita"
entre as pessoas.
Havia recomendado aos seus frades para não terem
muita "familiaridade" com as monjas e não entrarem
nos seus mosteiros. E nisto, ele queria ser o
exemplo. Em São Damião, Clara se encontrou, finalmente,
à vontade.
Transpondo aquelas paredes em ruínas, compreendeu
ter chegado para onde Deus, havia tanto tempo,
a conduzia.
Isso lhe diziam a nudez das paredes, a desolação
dos locais, os muros sem reboco, as rústicas tábuas
nem mesmo esquadradas do assim chamado "pequeno
coro", a escada íngreme e desconexa que levava
ao dormitório, um grande quarto nu e frio.
Sem dúvida, era o convento mais pobre jamais visto:
a verdadeira cidadela da Santa Pobreza
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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