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O beijo no leproso
Segundo o escritor Gianmaria Polidoro, em "Francisco"
(Vozes), entre os anos de 1205 e 1206, não
sabemos qual de dois grandes acontecimentos
tenha tido a precedência na perturbação
da calma eremítica de Francisco, sempre
pensativo quanto ao caminho a seguir. Não
foi através da meditação
que descobriu a estrada certa. Encontrou-a diante
de si no exato momento em que se viu envolvido
por duas extraordinárias experiências
que lhe abriram um horizonte excitante: o encontro
com o leproso na planície de Assis e
a voz do Crucifixo que lhe falou em São
Damião.
Em 1206, passeando a cavalo pelas campinas de
Assis, viu um leproso, que sempre lhe parecera
um ser horripilante, repugnante à vista e ao
olfato, cuja presença sempre lhe havia causado
invencível nojo.
Mas, então, como que movido por uma força superior,
apeou do cavalo, e, colocando naquelas mãos
sangrentas seu dinheiro, aplicou ao leproso
um beijo de amizade. Talvez a motivação para
este nobre e significativo gesto tenha sido
a recordação daquela frase do Evangelho: "Tudo
o que fizerdes ao menor de meus irmãos, é a
mim que o fazeis" (Mt 10,42).
Falando depois a respeito desse momento, ele
diz: "O que antes me era amargo, mudou-se então
em doçura da alma e do corpo. A partir desse
momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me
a Deus".
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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