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Conflitos entre Feudos e Comunas
A Itália, como toda a Europa daquela época,
vivia uma fase bastante conflitiva de sua história,
marcada pela passagem do sistema feudal (baseado
na estabilidade, na servidão e nas relações
desiguais entre vassalos e suseranos) para o
sistema burguês, com o surgimento das "comunas"
livres (pequenas cidades), com seu comércio,
artesanato e pequenas indústrias. Com o novo
sistema, mudaram-se as relações. O poder dos
senhores feudais passou a ser questionado e
enfrentado pelos novos senhores, originários
das comunas, a maioria deles constituída pelos
comerciantes mais abastados, a exemplo de Pedro
Bernardone. Eram freqüentes nesta época guerras
e batalhas entre os senhores feudais e as emergentes
comunas. São conhecidas as lutas entre
"maiores", isto é, a nobreza
e os "minores", vale dizer, a classe
emergente.
Além destas lutas, havia choques entre
o Imperador, como a força civil do Sacro
Império, e o Papa, como chefe espiritual,
misturando nesta luta os interesses, de maneira
que havia uma constante guerra, ora fria ora
real. E a cidade de Assis, por sua posição
geográfica no entroncamento Alemanha-Roma,
e por sua importância comercial, trocava
constantemente de "dono": ora no alto
de sua fortaleza, a Rocca Maggiore, tremulava
a bandeira do Papa, ora a do Imperador.
Como todo jovem ambicioso de sua época, Francisco
desejava conquistar, além da fortuna, também
a fama e o título de nobreza. Para tal, fazia-se
necessário tornar-se herói em uma dessas freqüentes
batalhas. No ano de 1201, incentivado por seu
pai, que também ansiava pela fama e nobreza,
Francisco partiu para mais uma guerra que os
senhores feudais, baseados na vizinha cidade
de Perúsia, haviam declarado contra a Comuna
de Assis.
Durante os combates, em uma tarde de inverno,
Francisco caiu prisioneiro, sendo levado para
a prisão de Perúgia, onde permaneceu longos
e gelados meses. Para um jovem cheio de vida
como ele, a inércia da prisão deve ter sido
especialmente dolorosa! Somente seu espírito
alegre, seu temperamento descontraído e seu
gosto pela música o salvaram do desespero. Encontrava
ainda forças para reconfortar e reanimar a seus
companheiros de infortúnio.
Costumava dizer, em tom de brincadeira para
seus companheiros: "Como quereis, que eu fique
triste, sabendo que grandes coisas me esperam?
O mundo inteiro ainda falará de mim!"
Ao término de um ano foi solto da prisão, retornando
para Assis, onde se entregou novamente aos saudosos
divertimentos da juventude e às atividades na
casa comercial de seu pai.
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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