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Uma decisão corajosa
Ao final de 1206, Pedro Bernardone, convencido
de que nem as razões nem a força podiam torcer
o ânimo de Francisco, decidiu recorrer ao Bispo,
instaurando-se um julgamento como nunca aconteceu
na história de outro santo. O palco do julgamento
foi a própria Praça Comunal de Assis, bem à
vista de todos.
Bernardone exigiu que seu filho lhe devolvesse
tudo quanto recebera dele. Francisco, ciente
da sentença de Cristo: "Quem ama o seu pai ou
a sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim"
(Mt 19,29), sem vacilar um momento se despojou
de tudo até ficar nu, jogou os trajes e o dinheiro
aos pés de seu pai, e exclamou: "Até agora chamei
de pai a Pedro Bernardone. Doravante não terei
outro pai, senão o Pai Celeste".
O Bispo, então, o acolheu, envolvendo-o com
seu manto. Daquele momento em diante, cantando
"Sou o arauto do Grande Rei, Jesus Cristo",
afastou-se de sua família e de seus amigos e
entregou-se ao serviço dos leprosos, tratando
de suas feridas, e à reconstrução das Capelas
e Oratórios que cercavam a cidade.
Cada dia percorria as ruas mendigando seu pão
e convidando as pessoas para que contribuíssem
com pedras e trabalho na restauração das "Casas
de Deus" que estavam em ruínas.
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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