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Site Franciscanos – O que muda na Missão depois do Capitulo Provincial de 2006?
Frei Evaristo – O Capítulo Provincial (em novembro de 2006) assumiu oficialmente a Missão e, neste sentido, ela entra na estrutura global da Ordem Franciscana. E vai fazer com que mais Províncias enviem frades para lá. Conseguiu-se também um número maior de frades para Angola visando estruturar todas as fases da formação, de modo especial a reestruturação do Postulantado, tendo em vista o Noviciado da Missão. Com isso, os candidatos não precisariam mais sair de Angola para fazerem este ano de experiência no Brasil.
Frei Ângelo – A Fundação vivia no anonimato e era conversa de poucos. No Capítulo, a gente sentiu que a Missão é um assunto freqüente. Todos comentam e perguntam. Há um interesse maior dos frades. Podemos dizer que a Fundação saiu do anonimato, do sonho, da paixão de um pequeno grupo que estava lá levando a coisa adiante, como voluntários – vocês estão lá porque querem –, e agora está na boca do povo, como se diz.
Frei Alexandre – O Capítulo também assinalou que a iniciativa de ir para a Missão não passa só pelos frades, mas pelo próprio governo da Província. A gente vê realmente que a Missão é de todos e o carisma missionário não é exceção de alguns. Mas é um carisma do franciscanismo. É um momento belo que se vive neste contexto.
Frei Evaristo – Alguns perguntam por que ir a Angola se nós temos também uma África dentro do Brasil, ou se temos tanta pobreza no Brasil? A questão não é a necessidade de Angola porque temos também aqui. É porque a Igreja nasceu missionária. E a Ordem Franciscana também nasceu missionária. Ou nós somos missionários ou nós somos franciscanos. Quer dizer, na Igreja há várias formas de sermos missionários, mas este missionário ‘ad gentes’ é uma característica essencial da Ordem Franciscana.
Site Franciscanos – Qual o principal desafio da Missão hoje?
Frei Ângelo – Vejo assim que um dos grandes desafios – nós estamos lá com um objetivo: semear a Ordem Franciscana – é como vamos dar esse testemunho em Angola, um país em que está em ebulição, sofrendo mudanças e transformações profundas e culturais? E não é um processo, assim, lento como o que outros países viveram. É uma transformação violenta, rápida, do dia para a noite você tem coisas novas. Todo mundo está vivendo isso. Se a gente não se cuidar, também vai entrar um pouco dentro deste ritmo e corre-se o risco de se descaracterizar como frades, como Ordem Franciscana. Então, acho que um dos grandes desafios é como que a gente vai estar diante de tudo isso?. Como que a gente vai viver junto com o povo essa transformação, como a gente vai prepará-los e vai também, junto, se preparar para poder não ser engolido por esse progresso ilusório, por essa reconstrução, que no fundo traz benefícios, sim, mas para um grupo de privilegiados.
Site Franciscanos – De qualquer forma, vocês já têm uma boa base em 16 anos?
Frei Angelo - Nestes 16 anos, a gente já marcou presença e começa a criar um jeito franciscano de estar, fazer, de coordenar, de viver lá com eles. Aos poucos, a gente vai criando estas características, essa maneira de ser nossa. Agora, em 16 anos, contudo, temos uma missão “adolescente”, e o adolescente sonha muito. Às vezes comete certas irresponsabilidades. Então, a Fundação, em 16 anos, está passando para uma fase mais “adulta”, vamos dizer assim.
Frei Evaristo - A busca não é de dar rumo ao povo, mas de estarmos juntos com o povo e sermos menores e servidores entre eles. Assim, como Francisco, anunciando a paz e o bem. Assim, buscando fomentar os valores do Evangelho no meio da cultura.
Site Franciscanos - Quanto tempo será necessário para a missão de Angola ser independente?
Frei Evaristo – Para você ter uma idéia, só depois de muitos anos os franciscanos do Egito conseguiram abrir uma missão no Sudão. Na África do Sul tem uma Província estruturada há muito tempo e estão abrindo uma missão na Namíbia. A Ordem reforçou uma frente missionária no Quênia, que abrange dez países. Então, não temos a pretensão de logo ir para fora, mas de fato estruturar o franciscanismo e a Ordem dentro de Angola neste momento. “Partir em missão” é uma coisa para o futuro, não é o pensamento de agora. O pensamento de agora é “ir em missão para Angola”. Quer dizer, no futuro, a Missão vai dar este passo. A Ordem já tem presença missionária em mais da metade dos países da África, e essa presença é crescente porque tem vocações. A exceção é o Norte da África, onde a maioria é mulçumana. O Congo democrático tem a maior província da África, com praticamente 200 frades num país. Em todos os países da África subsaariana as vocações são florescentes. Então, se espera num futuro que todos os países da África possam ter missionários a partir das missões africanas.
Frei Alexandre - Em outros países verificamos que antes de 50 anos essa autonomia não aconteceu. Então, acho que a gente não pode criar falsas expectativas achando que daqui a 20, 30 anos isso vai acontecer. Nós devemos criar uma estrutura que possibilite fazer com que os frades depois consigam, com os recursos locais - não só vocacionalmente mas materialmente - levar essa Fundação adiante.
Site Franciscanos – Como você sente o apoio da Província?
Frei Evaristo – Desde o início, quando os frades partiram para Angola, tinham uma certeza no coração de que não estavam indo sozinhos. Estavam indo em nome da Província e com o respaldo da Província. Foi sempre a Província que nos sustentou, a Província que nos socorreu no momento de doença. É ela que reza muito e faz campanhas em prol das Missões. Por exemplo, no ano passado, houve uma campanha grande para que se pudesse colocar uma Bíblia na mão de todos os catequistas das comunidades. E até tenho que fazer um agradecimento muito grande a todas as pessoas que colaboraram nesta campanha. E a outra parte da campanha foi para kits escolares para ajudar as crianças que não podiam comprar o material escolar.
Frei Angelo – A última campanha foi um pedido à Província para conseguir doadores de pequenas máquinas, pequenos aparelhos, de fazer estas sacolas plásticas que a gente recebe nos mercados. A gente sempre recebeu apoio da Província e agora vê que a Província começa a se envolver também no apoio à Evangelização.
Frei Alexandre – Cada dia, cada noite, as nossas orações e nossos agradecimentos na intenção da Província e de nossos benfeitores.
Frei Evaristo – Nem todo mundo pode ser missionário mas todo mundo pode rezar pelas missões, apoiar as vocações para as missões.
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