Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
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Antes de embarcar para Assis, na Itália, onde vai participar do primeiro encontro de todos os bispos franciscanos da Ordem dos Frades Menores, Dom Frei João Bosco visitou a Sede Provincial e a Paróquia de São Francisco de Assis, em São Paulo, onde residia antes de ser ordenado bispo em março, e concedeu esta entrevista ao Site Franciscanos, onde fala com alegria da boa acolhida que teve na nova diocese, das sementes lançadas pelo Papa durante a sua visita e da sua
expectativa com relação ao Encontro de Bispos Franciscanos, que começa no dia 18, em Assis, na Itália, e vai até o dia 22 de junho.

Apenas dois meses depois de sua posse, o novo bispo da Província da Imaculada Conceição pôde visitar  todas as paróquias da Diocese de União da Vitória, no Paraná, participou da Conferência dos Bispos do Brasil, em Itaici, e ainda pôde participar do encontro dos bispos com o Papa Bento 16 em São Paulo. “Contrariando a expectativa, o Papa veio sorridente, manso, de braços abertos. Mais estranho ainda é que o povo não fez questão dos preconceitos. As multidões foram ao seu encontro”, observa Dom Frei Bosco.  Acompanhe!

Por Moacir Beggo

Site Franciscanos - Dois meses depois de sua posse na Diocese de União da Vitória, o Sr. já pode dizer que conhece o seu rebanho?
Dom Frei João Bosco – Quando cheguei, não conhecia nada. Agora, pelo menos, já consegui me reunir com os padres várias vezes, visitei todas as paróquias, mas ainda falta muito para a gente conhecer um pouco mais profundamente as comunidades, o Interior, os movimentos. Mas acho que já conheço um pouco mais. E eles também tiveram oportunidade de estar comigo nas celebrações e nas visitas que fiz pelas paróquias. Esse início foi mais um conhecimento da realidade paroquial. No segundo semestre, vamos começar a entrar mais em contato com as comunidades a partir das crismas e, no ano que vem, depois da Páscoa, já estaremos começando a visita pastoral de uma semana toda em cada paróquia e, assim, teremos a possibilidade de conhecer melhor as comunidades. Enfim, é um conhecimento progressivo.

Como é essa realidade da diocese que o Sr. citou?
Dom Frei João Bosco
– Tinha três receios e imaginava serem os maiores problemas a enfrentar. O primeiro era como lidar com uma herança de trinta anos do bispo anterior, Dom Walter, estando à altura para continuar o trabalho que ele fez. O segundo era até que ponto alguém que sempre viveu em metrópoles, como Rio e São Paulo, iria se adaptar a uma realidade cultural diferente, especialmente formada por migrantes poloneses e ucranianos, numa região muito católica. E o terceiro receio, como é que o povo simples, humilde, de uma região que foi muito grande e importante durante um determinado período e que agora declinou em relação ao restante do Estado, iria me receber e acolher. Os três pontos, posso dizer, superaram a minha expectativa. Primeiro, Dom Walter é um bispo emérito que ajuda muitíssimo, com a sua palavra, com seu respeito à autoridade do novo bispo. Ele se coloca à disposição e não interfere de modo nenhum. Os próprios padres admiram esta qualidade dele. Quanto ao segundo ponto,  acho que havia um desejo de mudança, havia uma vontade de progredir, e isso ajudou bastante a aceitação. E o povo todo é muito carinhoso e acolhedor. E expressa isso nas suas celebrações, oferecendo ao bispo palavras bonitas de saudação, presentes, frutos da própria da terra e gestos de carinho muitos fortes. Esse é um retrato de quem chegou um pouco temeroso e depois de dois meses vê uma realidade bem positiva.      

Como é o bispo Dom Frei João Bosco?
Dom Frei João Bosco – Tenho a impressão que as pessoas enxergam em mim uma pessoa amiga e simples, embora quando cheguei não tinham essa expectativa de ser assim tão próximo. Então, essas conversas que tive com os conselhos e tudo o mais, mostraram que é possível dialogar muito bem, ser amigo e ser irmão. É assim que eu tenho procurado me mostrar e é assim que eles me vêem.  

Como foi participar da 1ª Conferência dos Bispos do Brasil em Itaici?
Dom Frei João Bosco - Creio que é um privilégio tão grande poder fazer parte de um grupo seleto de não mais 400 pessoas. Ali, em Itaici, tinham 300 bispos e naquela assembléia passou toda a problemática da Igreja atual do Brasil. Eu me sinto muito pequeno diante daqueles grandes luminares do episcopado, que se manifestam, que dão suas opiniões, fazem intervenções. Ainda me sinto muito acanhado diante disso. Mas é um fórum muito interessante e privilegiado para a gente entender o todo da Igreja no Brasil. Por outro lado, pude entender pela primeira vez a importância das 10 comissões que são a alma da ação da Igreja no Brasil, para as quais foram eleitos os presidentes  nesta assembléia. Elas apresentaram seus relatórios e também mostraram o caminho que estão seguindo.     

Que balanço o sr. faz da visita do Papa Bento 16 para a Igreja do Brasil?
Dom Frei João Bosco – Os frutos já estão se fazendo notar. A visita do Papa, mais do que aquilo que ele diz nos discursos, traz um significado muito forte. Isso une as igrejas, põe em pauta assuntos que talvez não seriam discutidos se ele não viesse. Mostra os assuntos, as predominâncias dos temas que deverão fazer parte da caminhada da Igreja. Acredito que o saldo desta visita, a gente ainda está por perceber – ele é muito positivo -, une de certa forma o continente latino-americano, uma vez que a vinda dele não foi só para o Brasil. Foi para a América Latina e para a abertura da 5ª Conferência do Episcopado Latino-americano e do Caribe. Cria uma comunhão entre as diversas conferências que será muito importante nos próximos anos. E a gente tem expectativa de que a 5ª Conferência traga, não novidades pastorais, não é isso, mas um enfoque interessante para que todos trabalhem juntos. Episcopados que estão mais avançados numa ou noutra área, quando somam as experiências, aparece claro qual é o ritmo de todos. Qual é o rumo de todos. A visita do Papa trouxe uma força muito grande para o nosso continente.        

Que expectativa o Sr. tem para este encontro dos bispos franciscanos, que começa no dia 18 em Assis?
Dom Frei João Bosco – A expectativa é um pouco ampla e vaga porque nunca houve um encontro como este. O bonito é o fato de os bispos estarem juntos. Há uma forte ligação entre a Ordem, que comemora 800 anos, e a Igreja, porque o bispo, na hora que  assume essa missão, não fica fora da vida franciscana, mas se torna alguém da vida franciscana que está ligado à estrutura da Igreja de uma forma privilegiada. É bonito ver que há uma ligação forte entre uma Ordem que quer se renovar e dizer ao mundo a que ela veio e uma Igreja que é uma formada também por franciscanos na sua hierarquia e que responde a este desejo da Ordem de ser Igreja.

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