
O SEFRAS É UMA COISA FRANCISCANA 100%
Por Frei Regis Daher e Moacir Beggo
Quando chegávamos a Gaspar, ou mais especificamente no topo do morro onde se localiza o cartão postal desta cidade catarinense - a igreja matriz de São Pedro Apóstolo -, Frei Elzeário Schmitt escapou por segundos com seu carro. Mas a governanta da Casa Paroquial, Maria Telma Zimmermann, tranqüilizou-nos ao dizer que ele voltaria logo, pois diariamente, por volta das 10 horas da manhã, ele vai ao Correio buscar as correspondências da fraternidade. Dito e feito. Não demorou muito e logo Frei Elzeário chegou.
Aos 96 anos de idade, Frei Elzeário foi lembrado na festa dos Jubileus da Província da Imaculada, em Rondinha, pelo fato extraordinário de comemorar 78 anos de vida religiosa. O segredo dessa longevidade, segundo ele, é o “sangue bom”. E tem como provar: os pais faleceram acima de 90 anos de idade e a irmã mais nova acaba de fazer 100 anos. No ano passado, um irmão dele que morava em Florianópolis faleceu com 103 anos.
Para este frade, de família alemã e muito religiosa – 3 padres franciscanos e 11 religiosas -, em 78 anos de vida franciscana, o que está causando “espanto” nele é o trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Sefras. Para ele, que acompanha tudo através dos informativos e revistas, o Sefras “é o movimento mais importante, que está acima de qualquer faculdade e de qualquer doutorado.
É uma coisa franciscana 100%”, garante.
Confira esta entrevista exclusiva para o Site Franciscanos.
Site Franciscanos - Fale-nos um pouco de sua vida e de como nasceu e desenvolveu a sua vocação franciscana. Em que contexto?
Frei Elzeário - Foram exatamente os franciscanos os responsáveis pela minha vocação. Eles passavam muito lá em casa quando eu era menino. Sou o último filho de uma grande família de 14 filhos. Minha irmã, a que mora em Lages, e é a mais moça: vai fazer 100 anos! Depois dela, sou eu. Os meus irmãos - os 12 -, todos são falecidos. Um irmão faleceu no ano passado, em Florianópolis, com 103 anos. Ele era um historiador muito inteligente. Era um bom pai de família e seus filhos todos estão formados. Na minha família, há um caso muito raro. Nós éramos oito homens e seis mulheres. Desses oito irmãos, três foram agraciados com o título de Cidadão Honorário nas cidades em que eles viveram.
Site Franciscanos - Em cidades diferentes?
Frei Elzeário - Sim. Em Jaraguá do Sul, Canoinhas – e eu - em Porto União. Já o meu pai era um colono lá de São Pedro de Alcântara. Ele falava muito pouco, mas gostava de escutar e ouvia muita música. Aí veio essa tendência de a família se dedicar muito à música popular. E o Papai, com suas economiazinhas, contratou um professor particular, porque a escola era longe e nem todos podiam frequentá-la. Esse professor se tornou conhecido em toda a região porque trabalhava em várias casas. Ele era muito musical. Traduzia do alemão para o português antigas canções alemãs e vice-versa. Ensinava e tocava pistão. Então, nasceu em casa uma verdadeira paixão pela música. Nós aprendemos muito com ele e desse aprendizado veio a sequência para o lado cultural das coisas.
Site Franciscanos - Mas o Sr. foi para o Seminário quando era criança?
Frei Elzeário - Sim. Frei Gervásio (Kraemer + 1946) sempre passava lá em casa. Ele e os frades vinham a cavalo de Santo Amaro da Imperatriz para Angelina e, como era uma viagem comprida, paravam sempre lá em casa. Tinham de almoçar, pousar ou tomar café. E nossa casa era bem encostada na estrada. E ali começou essa tendência, puxando não só para o sacerdócio, mas para os franciscanos. A mamãe queria muito, pois ela era da Ordem Terceira.
Então, eu fui mandado para Rio Negro em 1923, mas já tinham começado as aulas. Foi em final de fevereiro. Frei Gervásio tinha mandado um recado para "o menino ir já para o Seminário porque as aulas tinham começado". Colocaram-me no 1º ano, então, perdi o ano todo, por causa de um mês. Mas foi bom porque a gente ficou pronto aos 24 anos de idade. E, antes de 24 anos, ninguém podia se ordenar. Frei Odorico (Durieux + 1997), por exemplo, que depois trabalhou muito aqui em Blumenau, ficou pronto antes do tempo e teve de esperar um ano inteiro. Então, fiquei padre justamente com 24 anos de idade.
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