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03/09/2007 

Por Frei Gustavo Wayand Medella

Frei Francisco Morás, OFM, é professor do Instituto Teológico Franciscano (ITF) e doutor em Teologia Sistemático-Pastoral pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (Puc-RJ). Licenciou-se em Catequese e Pastoral pela Universidade de Lovaina, na Bélgica. Nesta entrevista, Frei Morás aponta alguns possíveis caminhos para a Catequese frente os desafios do mundo contemporâneo.

Franciscanos - Quais são os principais desafios para a Catequese nos dias de hoje?
Frei Francisco Morás -
Falar em desafios é uma questão complexa, porque eles podem se apresentar de maneira diferenciada de acordo com a região do país, com as dioceses, com as paróquias e, inclusive, de acordo com as comunidades. Mas eu penso que três desafios concernem a praticamente todas as comunidades: a motivação, a formação e o comprometimento. Dentro destas três palavras nós poderíamos resumir estes desafios.

 MOTIVAÇÃO 
Muitas catequistas se perguntam sobre como motivar um encontro de catequese. O problema pode estar no próprio conceito de catequese. Muita gente pensa que catequese é uma aula, como se fosse em uma escola, onde tem um conteúdo que precisa ser passado e aprendido e depois uma cobrança sobre este conteúdo. Na catequese moderna e contemporânea, temos que distinguir entre catequese e aula. A catequese tem que ser um encontro vital. Portanto, se quisermos superar este problema da motivação, temos que transformar as aulas em encontros de catequese, ou seja, o encontro entre a fé e a vida, a discussão sobre os problemas vitais das crianças e, ao mesmo tempo, dar uma resposta de fé.
 FORMAÇÃO 
Nós sabemos que há uma carência muito grande na formação de catequistas. Um catequista bem formado certamente vai dinamizar melhor o encontro de catequese. Temos que investir mais neste ramo. Às vezes as comunidades se preocupam muito, e é necessário, com a construção, com o salão paroquial, mas esquecem que é preciso investir também na formação dos agentes e dos catequistas.
 COMPROMETIMENTO 
Aqui o desafio é saber como envolver na comunidade aqueles que já receberam os sacramentos da iniciação (Batismo, Eucaristia e Confirmação). Muitas vezes, após fazer a primeira comunhão, ou a crisma, o adolescente desaparece da comunidade. Neste aspecto, nós poderíamos trabalhar melhor a questão do envolvimento destes jovens nas próprias atividades da comunidade. É uma forma de mantê-los ligados, e não mantê-los apenas em reuniões, mas sobretudo em atividades concretas. Eu me lembro de uma comunidade em Petrópolis-RJ que conseguiu dinamizar e manter estes jovens em atividade fazendo com que eles visitassem as famílias da comunidade e recolhessem donativos para cestas básicas. A partir destas atividades se faziam reflexões. Esta iniciativa foi interessantíssima porque a partir dela muitos adolescentes voltaram à comunidade.

Franciscanos - Qual a importância da atuação da família no processo de catequese da criança?
Frei Francisco Morás -
A família sempre foi, e continua sendo, a célula-mãe da igreja. Este fato nunca vai mudar. No entanto, o que nós estamos percebendo nos últimos anos é que o conceito de família está sofrendo mudanças. Hoje nós vemos em muitas comunidades, por exemplo, famílias que se reduzem à mãe e aos filhos, pois o pai não existe, ou desapareceu. O conceito de família, embora permaneça, tem que ser repensado. Mas isso não significa dizer que a família deixa de ter importância na formação e na catequese das crianças. O grande desafio hoje é fazer com que haja interação entre a comunidade e os pais das crianças, a fim de que todos se integrem à comunidade, ou ao menos que eles (os pais) sejam estimulados a participar da vida e da formação da criança e do adolescente na catequese. A família continua mantendo uma importância capital na formação e na continuidade da vida de fé das crianças.

Franciscanos - Além do envolvimento em atividades concretas, que outros tipos de iniciativa poderia ajudar a envolver os jovens na comunidade?
Frei Francisco Morás -
As comunidades e as pessoas são muito criativas. O importante é que esta reflexão continue para que se encontrem novos caminhos de incentivo ao engajamento destes jovens. As festas de comunidade, por exemplo, podem se tornar um fator de envolvimento. Outra possibilidade seria a participação mais efetiva nas celebrações litúrgicas: que as crianças e os jovens assumam tarefas na atividade celebrativa da comunidade. Estes são alguns outros caminhos possíveis.

Franciscanos - Deixe uma mensagem final
Frei Francisco Morás -
A atividade dos catequistas talvez seja a mais importante na comunidade de fé. Muitas vezes não se valoriza devidamente esta atividade, de acompanhar e motivar a criança, não só no conhecimento, mas também na vivência da fé. Muito mais do que formação, muito mais do que técnicas de animação catequética, as crianças vão levar por último e para sempre o exemplo de cada catequista.

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