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Giotto di Bondone
1267-1337
Pouco se sabe da vida de Giotto, o grande pintor do século XIII e XIV, cujas pinturas se caracterizam por representações tridimensionais do espaço, a recuperação do naturalismo, da imagem, da figura humana e da introdução de uma dimensão afetiva.
Na monumental basílica gótica de São Francisco, principal ponto de referência de Assis, na Itália, Giotto pintou uma de suas obras-primas: as principais cenas da vida de São Francisco: sua conversão, o abandono de seus bens, um momento de êxtase, a canonização de São Francisco, entre outras.
Giotto passou de um estilo bizantino para um mais realista e inovador. Alcançou seu máximo explendor às ordens do Papa Bonifácio VIII.
Ele aprendeu a representar não só pessoas, objetos e paisagens, mas também, pela primeira vez em muitos séculos, o estado psicológico dos personagens por meio das posturas e expressões dos rostos.
Giotto revolucionou a pintura ao criar a noção de tridimensionalidade. Abandonou a rigidez bizantina e dotou suas figuras de volume e sentimento, expressando assim, por meio da arte, o humanismo que são Francisco de Assis imprimiu à religião no início do século XIII.
Giotto di Bondone nasceu na localidade de Vespignano, perto de Florença, em 1266, 1267 ou 1276, e foi discípulo de Giovanni Cimabue, o maior pintor da Itália no fim do século XIII. O biógrafo Giorgio Vasari conta que Cimabue encontrou Giotto ainda criança, no campo, quando o menino desenhava sobre uma pedra. Levou-o a seu ateliê de Florença, ensinou-lhe pintura em mosaico e afresco e logo o aluno se tornou conhecido pelo talento. Giotto era ainda muito jovem quando o superior geral dos franciscanos o escolheu para pintar a vida de são Francisco de Assis com base na nova biografia oficial do santo, escrita por são Boaventura por volta de 1266. A obra, executada na mais elevada das duas capelas superpostas da basílica de Assis, inclui quatro alegorias e 23 afrescos. Entre estes, destaca-se "São Francisco pregando aos pássaros", em que Giotto representa uma cena ao ar livre e substitui por um céu azul o céu dourado simbólico da tradição bizantina. Presume-se que iniciou seu trabalho na basílica em 1296 ou 1297 e partiu para Roma em 1300, onde pintou os afrescos e mosaicos da antiga basílica do Vaticano, mas desse trabalho restou apenas o mosaico "Navicella", em que mostra a barca com os apóstolos e a caminhada de Cristo sobre as águas. Nessa época teria pintado também "São Francisco recebendo os estigmas", na igreja da Santa Cruz, em Florença.Entre 1306 e 1309, Giotto permaneceu em Pádua para executar o que muitos consideram sua maior obra, a decoração da capela da Arena, de propriedade de Enrico Scrovegni. Atrás do altar, Giotto pintou o "Juízo final" e nas paredes laterais, afrescos com cenas dos Evangelhos e da vida da Virgem e a série "Vícios e virtudes". Em 1311, de volta a Roma, executou trabalhos para o cardeal Stefaneschi e depois, em Florença, pintou uma Madona para a igreja de Todos os Santos. Amigo de Dante, foi incluído na Divina comédia, citado no "Purgatório" como o pintor que superou o grande mestre Cimabue. Pouco se sabe sobre o período em que permaneceu em Nápoles, nos últimos anos da vida. Admirado por seus contemporâneos, Giotto morreu em Florença, em 8 de janeiro de 1337.
©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
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Ao utilizar raios ultravioleta, restauradores descobriram novos detalhes nas obras de Giotto, expostas na capela Peruzzi, em Florença, na Itália.
Esses "segredos" permaneceram escondidos por anos e só puderam ser descobertos graças aos novos recursos da tecnologia. "Encontramos o segredo de Giotto", afirmou Isabella Lapi Ballerini, chefe do Opificio delle Pietre Dure de Florença, um dos mais prestigiados laboratórios de restauração artística do mundo.
No ano passado, dezenas de restauradores e pesquisadores começaram um ambicioso projeto não invasivo, cujo objetivo foi analisar a condição de 12 obras de Giotto pintadas na capela em 1320.
O intuito do estudo, financiado por uma bolsa da Fundação Getty, de Los Angeles, nos EUA, foi reunir informações sobre os 170 metros quadrados da capela.
Durante o projeto, realizado nos últimos quatro meses, restauradores trabalharam em três obras de Giotto. Enquanto observavam as pinturas sob raios ultravioleta, os especialistas perceberam detalhes surpreendentes, não visíveis a olho nu.
"Essas descobertas são realmente espantosas", disse Cecilia Frosinini, coordenadora do estudo que analisou cenas da vida de João Batista e João Evangelista, pintadas por Giotto.
"Sabíamos que podíamos obter alguns resultados interessantes a partir do diagnóstico científico, entretanto quando olhamos as imagens sob luzes ultravioleta, todas as pinturas, algumas pouco nítidas por conta da ação do tempo e de restaurações antigas, assumiram uma nova vida", afirmou Frosinini apontando para uma cena. "Elas possuem efeitos tridimensionais e só agora conseguimos ver todas as nuances claro-escuro. Há corpos sob as roupas e é possível perceber as dobras dos tecidos e as expressões dos rostos", completou a especialista.
A equipe que trabalha na investigação dessas pinturas é composta por 34 pessoas, entre historiadores de arte, restauradores e pesquisadores. É esperado que as obras em diagnóstico durem em média dois anos e meio, tanto na capela Peruzzi como na Brandi, que também faz parte da Basílica de Santa Cruz.
Até o momento, os novos detalhes descobertos somente são visíveis com esta luz ultravioleta, mas a exposição contínua desses raios podem danificá-las ainda mais.
A capela Peruzzi foi imortalizada na cena do livro "Um Quarto com Vista", de E.M. Forster, em que a jovem Lucy Honeychurch é apresentada aos trabalhos de Giotto por seu futuro marido, George Emerson.
As obras de Giotto na capela Peruzzi influenciaram Michelangelo, que nasceu 140 anos após a morte do arquiteto e pintor italiano. Seu trabalho na Capela Sistina, realizado por volta de 1500, foi baseado nas pinturas de Giotto, afirmam estudiosos. |