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São Paulo, 24/05/2012
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Por Frei Róger Brunorio, museólogo

Os apaixonados por arte podem comemorar: acaba de sair, impresso, o livro A arte moderna na obra de Fernando Jansen, coordenado pela museóloga Thelma Palha. Do artista santoamarense e da autora mineira só poderia vir coisa boa, pois bebem nas fontes de Dorival Caymmi, Jorge Amado, Maria Bethânia, Aleijadinho, Mestre Ataíde, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.

O resultado desse encontro, Fernando Jansen e Thelma Palha, foi um livro de arte que, além de apresentar os trabalhos de Jansen, faz um apanhado histórico da arte moderna.

Dos muitos frades franciscanos, Frei Fernando Jansen, atualmente, é o mais privilegiado por ter sido contemplado com a publicação desse livro. Claro que ele está muito feliz porque um sonho foi realizado. Certamente, quem ganha com a obra é o leitor que, além de mergulhar no universo da arte moderna, poderá contemplar os resultados não só de uma paleta vasta em cores, mas de obras repletas de mistérios, conteúdo e formas, ora penas delineadas, ora espessas, como nas várias telas impressionistas e expressionistas. Eclética, assim é a obra de Jansen.

Recomendo este livro a todos os leitores, não somente os apaixonados por arte, mas, sobretudo aqueles que desejam serem introduzidos na arte moderna.

Conheça um pouco mais Frei Fernando e Thelma Palha nas entrevistas abaixo:

Entrevistas

FREI FERNANDO JANSEN

Por Frei Rodrigo S. Santos

Site Franciscanos - Como o sr. se sente tendo uma obra publicada a respeito de seu trabalho?
Frei Fernando - Eu fiquei entusiasmadíssimo porque o livro ficou muito bem elaborado pela Thelma. Tive muito apoio do Frei Antônio Moser. Eu estou feliz da vida. Este livro representa um reconhecimento a todos estes anos de trabalho. Ele me permitiu recordar  a minha história artística. Ultimamente, não tenho pintado, mas o livro está aí para ser apreciado em qualquer ocasião, por qualquer pessoa. Meu sonho era realmente ter um livro, onde  minhas obras estivessem reunidas num volume  ao alcance de qualquer pessoa. No início de minha carreira,  não tinha ideia de que isto viria a acontecer porque  não sabia pintar. Sou autodidata. Mas à medida que fui descobrindo o valor da pintura e a emoção que isso me proporcionava,  a esperança ficou mais forte.

Site Franciscanos  - O sr. tem outro sonho em relação às suas pinturas?
Frei Fernando - Sou feliz quando estou pintando. Quando assino quadros, termino, dou um destino qualquer, seja vendendo ou dando de presente. Isso pra mim já é suficiente. Tiro uma foto para lembrar e está bom. Me realizo no que faço.

Site Franciscanos  - Quais foram as suas fontes de inspiração?
Frei Fernando  - Gosto tanto da pintura que acho que a inspiração vem no momento em que  pego a tela para pintar. O material que  uso também me ajuda na inspiração. Podemos falar assim:  nunca sei o que vou fazer. Para mim é muito difícil saber de antemão, a não ser que  pegue um modelo como uma natureza morta; daí sei que vou fazer aquilo. Mas, se não tenho nada à frente, pego a tela e a tinta e dali surge a inspiração. Vou criando o que vier. Por isso, não tenho uma escola que sigo. Cada vez é uma diferente.

Site Franciscanos  - Qual o estilo e que tema que o senhor mais gosta de pintar?

Frei Fernando  - A escola que mais aprecio é o impressionismo. Lembro um fato que aconteceu com Cézanne, um dos primeiros impressionsitas. Cézanne, numa época quando só existia o estilo clássico, foi entrevistado por um repórter acostumado com as exposições clássicas. O repórter, ao ver o quadro de um cavalo pintado na cor verde, disse a Cézanne que nunca havia visto um cavalo verde. Ao que o pintor respondeu: “Eu também não, mas isso não é um cavalo, mas um quadro! Eu posso me dar o luxo de criar conforme a minha emoção, o meu sentimento, a minha cabeça”. Daí surgiu o nome da escola, pois o repórter disse que isto não era pintura, mas uma impressão. Gosto mais de pintar figuras humanas, mas não gosto muito de fazer retratos, pois fico limitado a uma coisa que existe. Prefiro criar. Já fiz retratos de minha família, como se vê no livro, mas gosto de criar uma pessoa conforme minha imaginação.

VEJA MAIS SOBRE FREI FERNANDO JANSEN NO SITE DA PROVÍNCIA
http://www.franciscanos.org.br/v3/cultura/artes/freijansen/

THELMA PALHA

Por Frei Róger Brunorio

Site Franciscanos - Como foi o seu contato com o trabalho do artista Fernando Jansen?
Thelma - Conheci o Frei Fenando Jansen e a sua obra em junho de 2007, através do Frei Róger Brunorio. Na época, os frades do ITF (Instituto Teológico Franciscano) pediram a ele que organizasse uma exposição para homenagear o Jansen. Fui a Petrópolis com frei Róger e iniciamos a preparação da exposição, que foi inaugurada com o nome de “Brega-Xó”, no dia 10 de agosto de 2007.

Site Franciscanos - Fale um pouco das obras de Frei Fernando Jansen.
Thelma - A primeira vez que entrei no ateliê de Jansen, duas coisas me chamaram a atenção: o ecletismo de sua obra e as influências que a arte moderna causaram nela (obras). Ele pintou “à maneira” impressionista, cubista, fauvista, expressionista, surrealista.

Site Franciscanos -  Escrever livro é um processo longo e que, no caso, desse requer muita pesquisa, como foi fazer este trabalho?
Thelma - Apesar do trabalho, foi um enorme prazer. O Frei Jansen é uma pessoa encantadora e aprendi muito com ele. Comecei o livro com muitas visitas ao ateliê, entrevistas, gravações, organização do acervo a ser apresentado e, finalmente, a condução do livro: biografia do artista, introdução à arte moderna, artistas que participaram dos principais estilos que influenciaram o trabalho do Jansen para depois entrar na sua obra.

Site Franciscanos - O que o leitor encontrará no livro: A arte moderna na obra de Fernando Jansen?
Thelma - Um breve histórico dos principais estilos da arte moderna, presentes na obra de Jansen, passando por sua autobiografia e, finalmente, a apresentação de suas obras separadas, não por estilos, mas por séries: marinha, naturezas mortas, retratos, religiosos, árvores e fatos e estórias.

Site Franciscanos - Como fazer para adquirir o livro?
Thelma - Através da Livraria Vozes e do meu contato: thelmapalhamuseu@yahoo.com.br

Thelma Palha
Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Mestra em Museologia pela Université Haute-Alsace (Mulhouse/França).
Estagiou na Reserva Técnica do Musée d´Orsay (Paris/França) e Musée D´Impression sur Étoffes (Mulhouse/França).
Trabalha com arte sacra desde 1995: Museu Aleijadinho (Ouro Preto/Minas Gerais). Autora do Projeto de Reestruturação do museu, aprovado pelo MinC em 30 de julho de 1999, e curadora de várias exposições: Santos de Vestir, Objetos que iluminam, Por que colecionamos?, Paramentos, Ex-Votos, entre outras.
Foi responsável pela Coleção da Província Carmelitana de Santos Elias no Rio de Janeiro. Autora dos projetos de museologia e museografia do MI – Museu de Imaginárias (Lapa/Rio de Janeiro) e MIC – Museu das Igrejas do Carmo (Mogi das Cruzes/São Paulo, inaugurado em fevereiro de 2005). Trabalhando sempre com o acervo Carmelita, realizou exposições como: Faces, Flos Carmeli e Santos de Ordem, É Natal!, São Sebastião e santos mártires, Paixão, Santos juninos e Pais.
Desde 2008, possui um escritório para desenvolver projetos de consultoria e assessoria a museus e projetos culturais.
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