Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 24/05/2012
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Imagens da celebração dos 110 anos
da Vozes em São Paulo
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Por Moacir Beggo

São Paulo (SP) - Uma das poucas empresas centenárias que se mantêm na ativa, a Editora Vozes não poderia deixar de comemorar muito os 110 anos de sua fundação. Ao contrário das festividades por ocasião do centenário, quando levou para a sede, em Petrópolis, todos os seus funcionários, neste ano optou por fazer uma celebração festiva em cada localidade em que está presente. Neste dia 14 de setembro, festa da Exaltação da Santa Cruz, a cidade de São Paulo, com suas três filiais de livrarias e uma distribuidora, foi a escolhida.

E para a surpresa do seu diretor-presidente, Frei Antônio Moser, quase todos os convidados compareceram e São Paulo fez uma bela celebração, para um momento grandioso. Na verdade, o dia foi todo celebrativo. A partir das 13 horas, na Sala Santa Clara da Paróquia São Francisco de Assis, na Vila Clementino, os cerca de 40 funcionários da empresa em São Paulo tiveram um momento de reflexão, oportunidade para conhecer melhor a empresa em que trabalham.

O momento celebrativo aconteceu solenemente a partir das 19h30, no grande Salão Paroquial, que teve como pano de fundo a exposição da artista plástica Cristiane Carbone, que apresentou parte do seu projeto de resgate e preservação da memória e da história da cidade de São Paulo.

O Ministro Provincial, Frei Fidêncio Vanboemmel, agradeceu em nome da Província aos confrades que ajudam a dinamizar a Editora Vozes e todos os colaboradores e colaboradoras. "Nesta noite de ação de graças, gostaria de recitar simplesmente a Oração da Criaturas de São Francisco, uma oração de ação de graças. E Francisco foi mais do que ninguém um homem extremamente cioso e cuidadoso, que valorizava a palavra por excelência. Ele queria que as coisas boas fossem divulgadas e proclamadas através de cartas. Hoje, ele diria para nós que continuássemos a editar as coisas boas para a grandeza de Deus e para a edificação da criatura humana", proclamou. Antes desta celebração, Frei Fidêncio fez um histórico da presença franciscana no Brasil, até chegar ao nascimento da Vozes. Lembrou que os primeiros missionários alemães que vieram para restaurar a Província da Imaculada Conceição tinham dois campos de atuação: evangelização e educação. A Editora Vozes nasceu pela inspiração de Frei Inácio Hinte, ao colocar em funcionamento uma typographia para confeccionar os livros escolares e de catequese da Escola Gratuita São José, em Petrópolis.

Há dez anos, a administração da Editora Vozes é feita por um sistema colegiado, tendo à frente três diretores: Frei Antônio Moser, Frei Volney Berkenbrock e Frei Ludovico Garmus.
A editora que, em 110 anos, responde por mais de 5 mil títulos no seu catálogo, tem 14 distribuidoras e 18 livrarias no Brasil e uma livraria em Lisboa, Portugal.

Para Frei Volney, a Vozes não é uma coisa física, não são máquinas, não é livro: "A Vozes é um espírito que existe há 110 anos, desde o seu fundador Frei Inácio Hinte. E esse espírito, iniciado há 110 anos, se apoia em duas pernas: uma cultural e outra religiosa. Em cima delas ele caminha, porque muitas pessoas fazem a Editora Vozes. Então, hoje,  gostaria de agradecer a todos vocês que fazem a Editora Vozes. Vocês que vieram aqui, queiram ou não, fazem parte dessa história, como autor, como funcionário, como cliente etc. Todos vocês constroem e tornam possível esse espírito Editora Vozes. Muito obrigado! Gostaria que continuassem apoiando-nos para que esse espírito Editora Vozes possa continuar", agradeceu. Antes, Frei Volney falou do planejamento estratégico da editora para os funcionários.

Frei Antônio Moser emendou à fala de Frei Volney, destacando que esse espírito tem um nome: São Francisco de Assis. Para ele, a revolução digital não vai tirar o espaço do livro: "Todos nós temos consciência de estarmos vivendo numa era de comunicação das mais diversas formas, mas ousaria dizer que o ser humano é comunicação. Nós, ao longo da história da humanidade, percebemos sempre que os humanos se comunicam de muitas maneiras: através dos gestos, dos símbolos, naturalmente através dos escritos, seja através do cinzel, do papiro, do papel e hoje, naturalmente, através do nosso mundo virtual. À primeira vista, o nosso mundo livreiro tem, assim, um aspecto de perda de presença, na medida em que se multiplica a comunicação virtual. Pessoalmente, estou convencido de que não constitui uma verdade. É um outro aspecto do ser humano de se comunicar", opinou.
 
Para ele, a Editora Vozes quer ser também um órgão de comunicação e, desde o seu início, teve esse objetivo. "Comunicar o quê? Só verdades religiosas por mais importantes que sejam?", perguntou. "Não. Interessante que o primeiro livro editado pela Vozes não foi religioso, mas foi o primeiro livro de leitura, partindo de uma pressuposição de que se construo o ser humano, no caso a nossa Escola Gratuita de São José, que abrigava crianças pobres, então, conseguirei ajudar esse ser a se comunicar e, se comunicando, se enriquecer através do diálogo e da comunhão, já demos um grande passo", frisou Frei Moser.

Mirando o futuro, o diretor da Vozes enfatizou que hoje, mais do que nunca, devemos estar atentos aos sinais dos tempos, à comunicação das ideias, à captação das ideias, mas ao mesmo tempo gerar essas ideias para que ajudem as pessoas a se encontrarem". Segundo o diretor, quanto mais nos abrimos ao divino, tanto mais nós nos humanizamos. "É nesse sentido que todo o nosso vasto catálogo, com mais de 5 mil títulos ao longo de 110 anos, teve sempre de novo esse objetivo: humanizar para divinizar e divinizar para humanizar", completou.

Homenagens  
Um dos autores mais conhecidos da Vozes também esteve presente nesta festa. Celso Antunes, professor licenciado em Geografia e mestre em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo, contou uma história para homenagear os "heróis anônimos", ou seja, as pessoas que ficam fora dos holofotes e fazem com que os livros cheguem até os leitores. "Quando se faz uma solenidade, os diretores, presidentes, são os homenageados, como nestes 110 anos. Mas os heróis são os livreiros, o pessoal da expedição, aquele velho senhor que leva o pacote de livro de lá pra cá. Parabéns a eles, os verdadeiros homenageados nesta festa".

Francisco Edmilson Xavier Gomes, presidente da Associação Nacional de Livrarias, representou "toda a classe livreira" e ressaltou a parceria que existe com a Vozes desde a fundação da entidade há 33 anos. Já Vítor Tavares, vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), representou nesta cerimônia a presidente Karine Pança. "Tenho muito orgulho de ter aprendido na Editora Vozes durante 12 anos. Posso testemunhar o quanto ela é ética na sua forma de atuar comercialmente. Parabéns à diretoria e a todos", falou.

Para empresa, o cliente é seu principal patrimônio.  Américo José da Silva Filho falou em nome de todos os clientes e ressaltou a orientação editorial de "trabalhar na construção do ser humano". "Acho que ela chegou a 110 anos porque se modernizou, porque vem se modernizando através de sua equipe, de sua diretoria, de suas livraria", enalteceu.

O funcionário Devanir Ferreira da Silva, gerente da livraria Vozes da Rua Haddock Lobo, falou em nome de todas as filiais de São Paulo. "Hoje fazemos parte de uma empresa que está em sintonia com o mercado, não só do Brasil, mas do mundo. Poderia dizer que sentimos orgulho de trabalhar numa empresa reconhecida, considerando o nosso maior patrimônio, que são nossos leitores. Pois o nome Vozes é reconhecido e valorizado onde quer que se esteja", homenageou.

A festa dos 110 anos ficará completa neste ano em outubro, quando a região norte, especificamente a Vozes de Manaus, vai fazer a última celebração do programa. No encontro com os funcionários, o coordenador nacional da editora, Gustavo Simões, falou sobre as livrarias e Teobaldo Heidemann deu um panorama das vendas.

As obras da artista plástica Cristiane Carbone poderão ser vistas ainda até o dia 30 de setembro na sede social do Jockey Club de São Paulo, na rua Boa Vista, no centro de São Paulo.

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