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Concentração na Catedral |
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Família unida na Romaria |
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Multidão toma conta das ruas |
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Devotos esperam na ponte pela romaria |
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O pároco Frei Nolvi preside celebração |
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Bandeirolas com estampa de Frei Bruno |
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O altar no centro do Cemitério Frei Edgar |
Por Moacir Beggo
Joaçaba (SC) - "Pelos morros do Vale deixou marcas de amor, e por isso sua luz continua a brilhar". A estrofe do hino dedicado ao franciscano Frei Bruno não poderia expressar de melhor forma o que foi a 20ª Romaria Penitencial Frei Bruno, neste domingo (28/02), na cidade de Joaçaba, no Meio Oeste Catarinense. Segundo a Polícia Militar, 55 mil pessoas caminharam devotamente pelas ruas da cidade até o Cemitério Municipal Frei Edgar, onde foi encerrada com a celebração eucarística.
Frei Nolvi Dalla Costa, pároco de Luzerna, presidiu a celebração, tendo como concelebrantes Frei Léo Severino Schmidt, também da Fraternidade de Luzerna, Pe. Paulo Ramos da Silva, pároco da Catedral Santa Terezinha de Joaçaba, Frei Alex Ciarnoski, pároco de Xaxim, que veio desta cidade acompanhando os romeiros em cinco ônibus e mais cinco sacerdotes da Diocese.
Como era de se esperar, o forte apelo desta Romaria lembrando os 50 anos da morte do franciscano fez com que o povo respondesse com uma das maiores demonstrações de fé já vista na região. Para ajudar, o tempo nublado deixou o dia agradável para caminhar e somente durante a celebração o sol apareceu timidamente.
Às 7 horas, o povo já se concentrava em frente à Catedral de Joaçaba, especialmente no velário com o busto de Frei Bruno, no lado direito da Catedral. Às 8 horas teve início a caminhada, enquanto de Luzerna, cidade que fica a 6 quilômetros de Joaçaba, partia outra romaria para o Cemitério Frei Edgar.
Com um sistema de som durante todo o percurso de 3,5 quilômetros, o povo - com destaque para uma multidão de jovens - acompanhou rezando e cantando a Via Sacra, destacando um aspecto da vida e dos atos de Frei Bruno. No Cemitério, o povo encontrou um espaço entre as alamedas e os túmulos para participar da celebração. Ao mesmo tempo, uma grande concentração se formou no túmulo de Frei Bruno, onde devotamente os romeiros acendiam velas, rezavam e deixavam seus pedidos de graças.
A Associação Amigos de Frei Bruno, responsável pela organização do evento junto com a Prefeitura, distribuiu bandeirolas aos romeiros com a estampa de Frei Bruno, deixando a celebração mais bonita.
Para Frei Nolvi, foi um momento especial presidir a celebração, já que além de ser natural de Luzerna, onde foi designado no início deste ano para assumir a Paróquia, revelou que conheceu de perto Frei Bruno. "Eu me lembro por duas vezes ele benzendo a nossa casa em Luzerna. Por isso, é uma alegria muito grande estar aqui celebrando 50 anos do falecimento deste santo que nós podemos chamá-lo", disse Frei Nolvi.
Na homilia, destacou três virtudes de Frei Bruno. "A primeira grande virtude dele foi a humildade e humildade significa dependência de Deus. Significa não ter orgulho, não ter egoísmo. Significa não ser o Senhor da verdade do mundo. E Frei Bruno viveu a sua vida na total dependência de Deus. A segunda grande virtude de Frei Bruno foi a oração. Todos aqueles que conheceram este homem atestam e comprovam que ele, andando pelas ruas de Joaçaba, no ano em que ele trabalhou em Luzerna e nos diversos lugares por onde passou, carregava em suas mãos o terço. E este exemplo eu posso lhes dizer: católico que não reza é um católico que vive depressivo, que não tem coragem de enfrentar os desafios da vida. E Frei Bruno sentiu na sua vida que a oração era o oxigênio de sua alma. Por isso, ele rezava. Ele tinha essa intimidade absoluta e profunda com o seu Senhor, que é Deus. A terceira virtude era a Eucaristia. Como esse homem adorava o Cristo Eucarístico! Como ele amava a Eucaristia! Eu me lembro que em duas vezes fui coroinha, ainda na catequese de primeira eucaristia, e a gente dizia na hora em que ele consagrava o pão e o vinho, que parecia que ele demorava uma eternidade. Ele adorava, ele sentia, ele vivia esse Cristo que ele acreditava verdadeiramente como o Pão da Vida.
Frei Bruno nos ensina a humildade, a oração e o amor profundo à Eucaristia. Isso é que nós estamos fazendo hoje. Por isso, queridas e queridos romeiros, não deixemos de participar da Santa Missa", pediu o pároco.
O pároco de Santa Terezinha, Pe. Paulo da Silva, também assumiu a Catedral há pouco tempo e participou da sua primeira Romaria, e lembrou São Paulo Apóstolo para falar do significado da Romaria para o povo catarinense. "Tudo aquilo que São Paulo fala que concorre para o bem do povo de Deus, para bem dos irmãos, olho com bons olhos e a esperança é que cada vez mais a Romaria cresça e que, de verdade, não seja uma simples caminhada como devotos, mas que nos leve a uma mudança de vida, onde cada um de nós sigamos Jesus Cristo, porque esse foi e continuará sendo pelos séculos o desejo de Frei Bruno. Jesus é o centro de nossa vida. Que vivamos como irmãos e caminhemos para a eternidade", disse Pe. Paulo.
Pe Paulo Ramos da Silva
Beatificação de Frei Bruno
A Associação Amigos de Frei Bruno trabalha incansavelmente pela beatificação e canonização de Frei Bruno. Não faltam relatos de graças alcançadas. Segundo a presidente Alcione Weiss, já foram colhidas milhares de assinaturas e o apelo do povo durante a Romaria vai fortalecer essa causa. O vice-presidente da Associação, Bruno Pelegrini, também acredita que o povo está dando uma grande demonstração de fé a Frei Bruno. "Por ele não ser santo ainda é um movimento muito grande e que a Igreja tem de prestar atenção", enfatizou.
A família Marcasoni veio unida para a Romaria neste domingo, pela terceira vez. Ademilson, Maria e a pequena Julia torcem pela beatificação de Frei Bruno. Para eles, a Romaria é um ato de fé e amor.
O processo de beatificação de Frei Bruno teve início em 2005, com a coleta de assinaturas, depoimentos de graças e milagres, bem como relatos de convivência com o padre franciscano.
Em Rodeio, cidade onde Frei Bruno trabalhou por quase 20 anos e operou vários milagres, o projeto estende-se à composição de uma biografia, iniciado junto com a coleta de assinaturas em 2005. A equipe - Fabiele Giovanella, Luiz Gadotti, Alcione Weiss e Yeda Weiss Pereira - já percorreu aproximadamente 60 municípios fazendo entrevistas e divulgando o sacerdote.
“Enquanto a devoção a Frei Bruno permanecer viva, a nossa história também permanecerá”, acredita os biógrafos. O sacerdote atendia diversas comunidades, sempre a pé ou a cavalo. Jamais aceitava carona. Há casos em que Frei Bruno chegava ao local antes da carona oferecida. Tinha o dom da clarividência (prever acontecimentos), da bilocação (estar em dois lugares ao mesmo tempo), acalmava tempestades e pela imposição das mãos e orações fez muitas curas.
Os documentos já reunidos dão conta de quatro milagres atribuídos a Frei Bruno. Três deles relacionados a mulheres com complicações na gravidez. Filha de Yeda, Clarice Weiss Pereira Schiochet conta que o filho Artur só conseguiu nascer com a graça alcançada pela intercessão de Frei Bruno. Com três meses de gravidez, ela descobriu que não conseguiria segurar o bebê. Segundo a médica, o útero estava tão aberto ao ponto de não ser possível qualquer intervenção.
A Romaria Frei Bruno teve transmissões via internet de áudio e vídeo nos sites www.freibruno.com.br e www.catadraljoacaba.org.br
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