O II Congresso Pan-americano de JPIC - depois de avaliar as diversas realidades regionais - verificou que nos encontramos frente a uma grave crise socio-ambiental que engloba o continente, onde a terra clama profundamente por uma justiça ambiental. Como exemplo disto se constatam as mudanças climáticas, das quais o ser humano é causa de uma acelerada degradação do planeta, e é iminente uma catástrofe irreversível.
Esta crise está ligada à exploração indiscriminada dos recursos naturais, à deterioração crescente da qualidade de vida de muitos sectores da nossa sociedade e à perda da autonomia e soberania dos nossos povos. Tudo isso evidência uma lógica que conduz a uma morte lenta e sistemática, e que tem sua origem no hegemônico modelo de desenvolvimento neoliberal, promovido por vários atores.
Esse modelo destrói o meio ambiente, agravando a realidade dos emprobecidos e excluídos, sobre tudo as mulheres, crianças, comunidades étnicas e outros grupos vulneráveis. O modelo gera uma distribuição desigual da riqueza, crescimento da brecha entre ricos e pobres, deslocamento massivo de populações, deterioração do tecido social, um processo produtivo que não respeita a dignidade humana, e novos conflitos armados pelos recursos naturais.
A partir de nossa vocação franciscana, nós somos chamados a nos comprometer na luta pela justiça que envolva a todos os setores da sociedade e que promova uma forma de vida com uma vinculação cosmocêntrica.
Vemos com esperança como, em diversos lugares do continente, avançam processos históricos animados por uma opção pela vida de seus povos e que trilham por caminhos alternativos ao neoliberalismo, construindo modelos de sociedade e de desenvolvimento democráticos e sustentáveis.
Avaliamos que em nosso continente está despertando a consciência – em particular em muitos setores e grupos – do compromisso com a justiça ambiental.
Como resposta a estes sinais dos tempos, nos quais identificamos o chamado do Deus de Jesus Cristo para trabalhar profética e decididamente em favor da vida e da nossa irmã e mãe Terra:
OPTAMOS pela realização de um trabalho coordenado e sustentável pela JUSTIÇA AMBIENTAL e decidimos que a Amazônia seja nosso projeto comum.
Desafios:
Fundamentação.
Buscar uma chave de leitura eclesial e social a partir empobrecido para ler a crise sócio-ambiental, levando em consideração a antropologia, a teologia e o franciscanismo. Algumas referências se encontram em Romanos 8:22, Efésios 1:10., no Cântico das Criaturas de São Francisco e nas haecceitas do Beato John Duns Scotus.
Integrar em nossa visão uma leitura interdisciplinar.
Formação e aprofundamento.
Identificar as causas e as conseqüências da crise sócio-ambiental para nelas intervir.
Promover e participar em diversos cursos e oficinas.
Buscar uma pedagogia que nos ajude a viver a dimensão ambiental.
Organização.
Fortalecer as estruturas funcionais, como as nossas Conferências e identificar as problemáticas regionais...
Seguir, acompanhar e avaliar o processo de animação de JPIC.
Estratégias.
Questionar como estamos envolvidos enquanto atores dentro da crise ambiental.
Atuar com outras organizações e fortalece-las: movimentos sociais, comunidades de base, outras igrejas, etc.
Desenvolver campanhas: Aqüífero Guarani, migrantes, etc.
Promover a Não Violência ativa como forma de confrontar os sistemas de injustiça.
Comunicações.
Criar una página web sobre a justiça ambiental, cujo tópico principal seja a Amazônia.
Criar e sustentar redes de interação; por exemplo: a Comissão para a Amazônia com as Conferências do Brasil e Bolivariana, FAN (Rede Franciscana de Ação - da Família Franciscana dos EUA), e o intercambio de frades.