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O pedido da Igreja
No Dia Mundial de Luta contra a Hanseníase, o presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde, Zygmunt Zimowski, fez um convite “à comunidade internacional e às autoridades de cada Estado” a “desenvolver e reforçar as necessárias estratégias de luta contra a hanseníase, tornando-as mais eficazes e capilares, sobretudo onde o número de novos casos ainda é elevado.Tudo isso sem descuidar as campanhas de educação e de sensibilização capazes de ajudar as pessoas afetadas e suas famílias a saírem da exclusão e a obterem os cuidados necessários”, acrescentou.
No texto, recordou que o Dia 31 “é sobretudo um dia de solidariedade com os irmãos e irmãs que possuem a doença”.
O Vaticano recordou que, entre os fatores que favorecem a perpetuação da hanseníase, “encontram-se certamente a indigência individual e coletiva, que frequentemente comporta a falta de higiene, a presença de doenças debilitantes, a alimentação insuficiente, inclusive a fome crônica e a falta de acesso oportuno aos cuidados médicos”.
Além disso, acrescentou: “No âmbito social, persistem ao mesmo tempo os medos que, normalmente gerados pela ignorância, acrescentam um pesado estigma à já terrível carga que a hanseníase comporta também quando já se está curado”.
Do ponto de vista estatístico, os países mais afetados se encontram na Ásia, na América do Sul e na África. A Índia apresenta o maior número de pessoas afetadas; o Brasil fica em 2º lugar. São registrados também numerosos casos em Angola, Bangladesh, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Indonésia, Madagascar, Moçambique, Nepal e Tanzânia.
Dom Zimowski destacou que, em todas as épocas e civilizações, o destino do hanseniano é ser marginalizado, privado de qualquer tipo de vida social, condenado a ver seu próprio corpo desfazer-se até que chegue a morte. “Infelizmente, também hoje, quem a sofre ou se cura, ainda carrega as mutilações inconfundíveis e é condenado à solidão e ao medo, a permanecer como invisível aos olhos dos demais, da sociedade, da opinião pública”, acrescentou.
A mensagem também denunciou que “nos países economicamente mais avançados, parece que esta doença foi esquecida, assim como as pessoas afetadas por ela”.
O prelado também agradece o trabalho realizado pelas igrejas locais e pelas diversas realidades religiosas, assim como pela Organização Mundial da Saúde, pelas associações, ONGs e numerosos voluntários e pessoas de boa vontade, comprometidos com estes doentes. |
Por Moacir Beggo
São Paulo (SP) - Depois de quatro anos tendo como sede o Convento São Francisco, no centro de São Paulo, o Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase iniciou, neste domingo, às 10 horas, mais uma campanha durante a Missa de Ação de Graças na reformada Igreja Santo Antônio do Pari, para onde se mudou a sede do Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras).
O novo coordenador do projeto, Frei Miguel da Cruz, presidiu a celebração, tendo como concelebrantes o Definidor da Província, Frei Mário Tagliari, e o Animador Provincial do Sefras, Frei José Francisco de Cássia dos Santos, além de frades da comunidade, religiosas e convidados que participam do projeto como colaboradores e parceiros.
Frei Miguel explicou que o projeto é atualização do abraço de São Francisco de Assis ao leproso no início de sua conversão. Explicou ainda que se trata de um compromisso intrínseco à espiritualidade franciscana, lutando junto à sociedade civil e aos fóruns públicos pelos direitos dos hansenianos e pela eliminação da doença no Brasil. "Através de campanhas que fornecem informações sobre a hanseníase e ações sócio-educativas, estamos ajudando a vencer o preconceito de uma enfermidade estigmatizada", observou o celebrante.
Frei Miguel citou dados da Organização Mundial da Saúde, em 2009, que dão conta de mais de 210 mil novos casos, sendo 39 mil no Brasil. Ele também lembrou que no último dia 31 de janeiro foi comemorado o Dia Mundial de Combate à Hanseníase, quando o Conselho Pontifício para a Pastoral no Campo da Saúde pediu aos países uma maior luta contra a hanseníase, que continua se propagando no mundo. "Atualmente, a hanseníase (Mal de Hansen), conhecida também como lepra, continua infectando anualmente milhares de pessoas do mundo inteiro", enfatizou. Este ano comemorou-se o 57º Dia Mundial de Combate à Hanseníase, uma iniciativa do escritor francês Raoul Follereau (1903-1977), cuja causa de beatificação está começando a ser estudada.
O projeto desenvolvou nestes quatro anos ações em todo o Brasil, especialmente com entidades ligadas à Igreja e organismos públicos. Frei Miguel adiantou que uma das atividades neste ano será um Concurso artístico voltado para crianças de 6 a 14 anos, que terá a parceria da Ordem da Cruz de Malta, que teve como representante na celebração Brigit Sauer. "As crianças são nossos maiores multiplicadores de informação. E nós já vimos que isso funciona em outras campanhas, como a do fumo e do álcool, divulgadas na televisão. Esperamos que, com esse novo projeto que tem o nome de "Hanseníase tem cura, abrace esta causa", também tenhamos sucesso", disse Brigit.
Outras ações também estão sendo desenvolvidas pelo governo estadual. Segundo a técnica em Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde, Cláudia Fedato Nascimento, além de um trabalho de informação junto às crianças nas escolas estaduais, a Secretaria oferecerá formação técnica aos médicos, enfermeiros e demais profissionais ligados à saúde. "A hanseníase é uma doença que pode deixar incapacidades tanto nas mãos como nos pés e isso é um dos grandes problemas que nos aflige hoje em dia. Isso porque a grande maioria não está sendo avaliada no final do tratamento, ou seja, depois de doze meses consecutivos para uma hanseníase multibacilar e de seis meses para a hanseníase paucibacilar". Segundo a técnica, isso ocorre porque há uma rotatividade de profissionais. "Os treinados em alguns municípios do estado se deslocam para outros lugares e nós ficamos sem profissionais adequados para fazer o tratamento. Por isso, uma grande incumbência nossa é a de treinar médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem para estarem fazendo o diagnóstico precoce", adiantou, reforçando que a hanseníase multibacilar é contagiante, mas se o paciente fizer o tratamento adequado no tempo determinado, vai eliminar os bacilos e deixar de transmitir a doença.
Já Olímpio de Freitas Sobrinho falou pouco, mas nem precisou pelo seu testemunho. Curado da hanseníase desde 22 de julho de 2004, contou que a doença deixou marcas em seu corpo. "Eu quero dizer a vocês que tive hanseníase, mas graças a Deus eu estou curado", reforçou. Mesmo com deficiências, ele não se acomoda e, através do Movimento Morhan, vai a escolas, igrejas para dar o seu testemunho na luta contra a hanseníase.
Outro grande estímulo na luta contra a doença foi dado pela Irmã Cesarina Lago de Souza, Franciscana Hospitaleira da Imaculada Conceição, residente na Diocese de Santo André. "Observando este projeto, tivemos uma grande ideia, principalmente com a juventude de nossa paróquia. Pedimos a autorização ao pároco para falar do projeto no final de casa missa. Na missa do dia 31 de janeiro, Dia Mundial de Combate à Hanseníase, nós atingimos 3 mil pessoas. Então, quero dizer que através de uma iniciativa muito simples, muito fácil, é possível fazer muito nesta luta. Se vocês forem de outras paróquias, peçam aos párocos para divulgar o projeto. Foi uma experiência muito gratificante para nós. No final de nossa fala, muita gente veio perguntar a respeito da doença. E havia pessoas que diziam assim: `Mas isso existe ainda?´Existe e faz o Brasil ocupar o segundo lugar em números no mundo. Por isso, que quero pedir a vocês que entrem em contato com o projeto", completou.
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