 |
Ipumirim |
 |
Faxinal do Guedes |
 |
Caxambu |
 |
Xavantina |
 |
Xanxeré |
 |
Itá |

A Diocese de Chapecó comemorou o encerramento do Jubileu de Ouro em abril de 2009. A revista comemorativa destes "50 anos de Caminhada" destaca a presença franciscana marcante nesta região.
Segundo esta revista, o primeiro Prelado de Palmas foi o D. Carlos Eduardo de Sabóia Bandeira de Mello, frade franciscano. "Foram os franciscanos, vindos a Palmas ainda em 1903, que evangelizaram a Região da Grande Palmas, trazendo o Catolicismo romanizado.Com a criação da Prelazia de Palmas passaram a coexistir na Região o Catolicismo Popular Caboclo e o Catolicismo romanizado. Aos poucos este último suplantou o primeiro, a partir da Reforma Católica levada a efeito por D. Carlos, principalmente a partir da década de 50. Ele passou a privilegiar as regiões colonizadas por migrantes de "origem': criando na década de 50, somente na região catarinense, nada menos que 11 paróquias para atendê-los".
A diocese, que hoje tem como bispo D. Manoel João Francisco, está organizada em 40 paróquias em 80 municípios. Delas, duas são atendidas atualmente pelos frades da Província da Imaculada Conceição do Brasil: Paróquia São José do Patrocínio, em Coronel Freitas e a Paróquia de São Luiz Gonzaga, em Xaxim.
A Paróquia Santo Antônio, em Chapecó, foi atendida pelos franciscanos da Província da Imaculada desde a sua criação, em 13 de junho de 1931, até 16 de fevereiro de 1963. Em 1951, Frei João Vianey Erdrich foi transferido para Chapecó, depois de a igreja ser destruída em um incêndio em 1950. Foi ele o responsável pela criação de toda a infra-estrutura material da paróquia que possibilitou, inclusive, a criação de uma nova diocese com sede em Chapecó. Aos 8/12/51 era lançada a pedra fundamental da igreja matriz, hoje Catedral de Chapecó. Cinco anos depois, dentro da celebração dos 25 anos de fundação da paróquia, D. Carlos Eduardo Sabóia Bandeira de Mello, bispo prelado de Palmas, inaugurou e abençoou solenemente a nova igreja matriz.
Frei João também foi responsável pela construção da atual casa paroquial, da residência do Bispo de Chapecó, do Seminário Diocesano, iniciado em 1959, para cuja construção teve participação decisiva a Paróquia Santo Antônio de Chapecó. Frei João deixou de ser pároco aos 9/3/69, mas permaneceu na paróquia da catedral até o final de 1970. No início de 1971, passou a residir na casa do bispo, ficando ligado, à Paróquia de Xaxim.
A Paróquia São Jerônimo - Caxambu do Sul: Desde 1896, a comunidade católica contou com a presença de padres incansáveis: os franciscanos vindos de Palmas-PR, a cavalo; depois vinham de Chapecó e Xaxim. Entre suas vocações, está Frei Ivo Muller (1995) desta Província da Imaculada.
Paróquia Sagrada Família - Ipumirim: a primeira missa foi celebrada por Frei Justino Guirardi, no dia da Sagrada Família, aos 11 de janeiro de 1931. Antes de ser instalada a Paróquia, em 19 de junho de 1949, prestavam atendimento os frades: Frei Justino, Frei Aquiles, Frei Jordão, Frei Valentin, Frei Filóteo, Frei Elvico, Frei Godofredo.
Paróquia São João Batista - Faxinal dos Guedes: a primeira igreja católica foi construída em 1939. O atendimento religioso era feito pelos frades franciscanos de Chapecó e depois por Frei Bruno Linden, que vinha de Xaxim. Igualmente está na memória do povo a presença de freis que vinham a cavalo de Palmas (PR). O decreto de ereção da Paróquia, desmembrada da freguesia de São Luiz de Xaxim, data de 3 de maio de 1951.
Paróquia Senhor Bom Jesus - Xanxerê: Desde 1940, Xanxerê passou a ser atendida pelos freis da recém-criada Paróquia S. Luiz Gonzaga de Xaxim. Destacou-se, nessa época, a figura venerada em toda região, de Frei Bruno Linden.
Paróquia São Pedro Apóstolo - Itá: A primeira capela foi inaugurada em 29 de junho de 1921, dia de São Pedro Apóstolo. Nesta época, a comunidade pertencia à Paróquia de Concórdia e à Diocese de Lages. Era atendida pelos padres franciscanos.
Paróquia Nossa Senhora do Rosário - Xavantina: Os frades, como Frei Marinolfo Ellen, Frei André Malinski, Frei Achille Kluenkner e Frei Jordão Zuschaff (da paróquia de Concórdia) davam assistência antes da criação da paróquia, em 5 de dezembro de 1959.
Paróquia Divino Espírito Santo - Dionísio Cerqueira: a paróquia foi criada em 28 de agosto de 1955. Primeiramente, os frades franciscanos pertencentes à Prelazia de Palmas, desde o início até 1944, com destaque para Frei Casimiro que, de 1934 a 1944, visitava a região uma vez por ano.
Presença dos Frades Capuchinhos
Paróquia São Lourenço Mártir - São Lourenço do Oeste: a paróquia de São Lourenço foi desmembrada das paróquias de São Carlos e da paróquia São Luiz Gonzaga, de Xaxim. Os capuchinhos assumiram a paróquia em 1950.
Paróquia São Domingos - São Domingos: Os frades capuchinhos ficaram na Paróquia de 1972 a 1984.
Paróquia São Miguel Arcanjo - Galvão: A comunidade foi atendida pelos frades capuchinhos de São Lourenço do Oeste até 73.
Uma longa Caminhada - Histórico da Região da Grande Palmas a Chapecó
A Diocese de Chapecó está inserida historicamente na Região da Grande Palmas, que compreende o sudoeste do Paraná e o Oeste de Santa Catarina.
Pode-se afirmar, com certeza histórica, que, até meados do Séc. XIX, era dos índios Kaigang a posse efetiva da terra do Meio e Extremo Oeste de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná (1), com a presença também de alguns pequenos grupos guarani.
Foi a partir do Imperialismo do Çapital de meados do Séc. XIX, que o Grande Oeste foi "descoberto" e recebeu importância, por causa de suas riquezas naturais e terras férteis. Isto se deve ao expansionismo europeu com suas grandes migrações para as Américas em busca de terras. Esse foi o motivo real da LEI DE TERRAS de 1850.
A Religião desses primeiros habitantes de nossa terra era o Catolicismo Popular Luso-brasileiro, fruto das Missões Jesuíticas.
Nesse tempo de sua "descoberta" pelos colonizadores brancos, a Região da Grande Palmas era uma região contestada. É a chamada "Questão de Palmas': Tanto a Argentina, como o Brasil a reivindicavam. A Questão foi resolvida em favor do Brasil aos 06/02/1895 pelo arbitramento do Presidente Cleveland dos EUA, que deu ganho de causa ao Brasil, tendo como um dos argumentos a presença dos índios kaigang na região (eles também falavam o português).
A Região da Grande Palmas foi ocupada por três frentes sucessivas de povoamento.
A primeira é a chamada Frente Pastoril, formada por colonizadores brancos fazendeiros, que chegaram a Palmas vindos de Guarapuava, a partir de 1838. Sua atitude diante dos índios era de exclusão. Construíram o famoso "Caminho das Tropas", de Guarapuava ao Rio Grande do Sul, passando por Palmas e Chapecó.
A segunda foi a Frente Extrativa, assim chamada por causa de sua principal atividade, a extração da erva mate e madeira. Situa-se na segunda metade do Séc. XIX e vai Séc. XX adentro. Sua atitude diante dos índios era de cooptação. Queriam "tarefeiros" para a extração. Essa frente abriu um caminho que ia para a Argentina.
Com essas duas frentes, a pastoril e extrativa, vieram muitos caboclos. Sua religião era o Catolicismo Popular Caboclo, caracterizado por muita reza, muitos votos, muitas promessas, muito santo e pouco padre. Foi a Religião que predominou no Grande Oeste até a vinda dos descendentes de europeus.
A partir e 1916, com o fim da Guerra do Constestado (1912-1916) (2), foram estabelecidos os limites definitivos entre Santa Catarina e Paraná. Chegou então para a Região a Frente Agrícola, formada por colonos de segunda migração, vindos das terras velhas do Rio Grande do Sul. Sua atitude diante do índio era de eliminação (limpeza da área).
Os índios kaigang e guarani foram os grandes marginalizados nesse processo histórico. Ficaram confinados em áreas indígenas ("Posto Xapecó" nos municípios de Xanxerê/Xaxim e Posto Mangueirinha em Palmas, Paraná); ou dispersos em outras áreas que as
Colonizadoras lhes tomaram e que mais tarde viriam a reivindicar (casos do Toldo Chimbangue, da Paróquia Santo Antônio de Chapecó, nos anos 80; e, atualmente, do Toldo Pinhal, Paróquia de Seara, Toldo Imbu de Abelardo Luz, Aldeia Condá de Chapecó e Guarani do Araçaí, de Saudades e Cunha Porã).
Com a Frente Agrícola veio ao Grande Oeste o Catolicismo Romanizado, fruto da Reforma Católica, institucionalizada pelo Concílio de Trento (1545-1563) e implantada no Brasil na segunda metade do Séc. XIX.
A jurisdição eclesiástica era, na parte paranaense, da Arquidiocese de Curitiba e da Diocese de Ponta Grossa; e, na parte catarinense, foi primeiro da arquidiocese de Florianópolis, depois da Diocese de Lages. Em seguida, a região foi organizada autonomamente, com a criação da Prelazia de Palmas, aos 09/12/1933.
O primeiro Prelado de Palmas foi o D. Carlos Eduardo de Sabóia Bandeira de Mello, frade franciscano. Foram os franciscanos, vindos a Palmas ainda em 1903, que evangelizaram a Região da Grande Palmas, trazendo o Catolicismo romanizado.
Com a criação da Prelazia de Palmas passaram a coexistir na Região o Catolicismo Popular Caboclo e o Catolicismo romanizado. Aos poucos este último suplantou o primeiro, a partir da Reforma Católica levada a efeito por D. Carlos, principalmente a partir da década de 50. Ele passou a privilegiar as regiões colonizadas por migrantes de "origem': criando na década de 50, somente na região catarinense, nada menos que 11 paróquias para atendê-los.
(1) Mais informações remetemos à obra da UNOESC, Chapecó, 1995 (pg. 7-8 e pg. 141ss); Centro de Organização da Memória Sócio-Cultural do Oeste (CEOM). Para uma história do Oeste Catarinense: 10 anos de CEOM. Edição englobando Cardernos do CEOM nº 1 a nº 8.
(2) A Guerra do Contestado eclodiu depois de resolvida a "Questão de Palmas". Com sua conclusão, estabeleceram-se os limites definitivos entre Santa Catarina e Paraná.
Texto da Revista do Jubileu da Diocese de Chapeço - Contextualização da Região da Grande Palmas a Chapecó |