Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
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-- Reportagem --
05/03/2009
Frei Inácio Hinte
Sede da Vozes em Petrópolis

O logotipo da Editora Vozes
ao longo dos anos

A Editora Vozes completa, neste dia 5 de março, 109 anos "de uma vida pelo bom livro", como diz o seu lema. Segundo o téologo Leonardo Boff, que já trabalhou nas Vozes quando era frade franciscano e hoje tem toda a sua obra publicada pela editora, trata-se de uma das instituições culturais mais importante da Ordem Franciscana mundial, da Igreja da América Latina e do Brasil.

Sua história começa com a iniciativa de um frade, Frei Inácio Hinte, que adquiriu, em Petrópolis, uma velha impressora Alauzet dos padres lazaristas. Para isso, contou com o apoio de Frei Ciríaco Hielscher, que foi o responsável pela construção do primeiro Convento Franciscano de Petrópolis e o fundador da Escola Gratuita São José, da qual foi o primeiro diretor. Como guardião do convento, foi também o primeiro responsável pela Editora Vozes, assinando a ata da reunião de fundação da editora, em 5 de março de 1901. A editora nasceu com o nome de Typographia da Escola Gratuita São José.

Tocada a mão pelo Irmão Frei Matias Hermanns e sob a direção técnica de Frei Inácio Hinte, a restaurada Alauzet funcionou pela primeira vez imprimindo cartões de visita para o guardião Frei Ciríaco.

Quando Frei Ciríaco foi transferido, o novo guardião Frei Celso Dreiling continuou apoiando a Typographia, deixando Frei Inácio como responsável. Ele ainda incentivou a compra das máquinas Sollo e Phoenix, que substituíram a Alauzet. A máquina Sollo dispensava a ação humana para tocar a alavanca de impressão, pois ela possuía um motor. Estas duas máquinas aumentaram a capacidade de produção da Typographia, possibilitando o atendimento ao aumento de pedidos de livros, especialmente aos escolares.

Por muitos anos, os funcionários que auxiliavam Frei Inácio na Typographia da Escola Gratuita São José eram alunos ou ex-alunos da própria escola, que destacavam-se nos estudos e iam aí trabalhar. Entre os primeiros livros publicados pela Typographia estão: "O primeiro livro de leitura", editado pelos professores da Escola Gratuita São José, "A vida e o culto de Santo Antônio", de Frei Luís Reinke, "Cecília", de Frei Basílio wer, "Breves meditações para todos os dias do anno", de Frei Pedro Sinzig, e "Manná: o alimento da alma devota", um livro de orações populares escrito por Frei Ambrósio Johanning.

Em 1939, ela ganhava uma nova razão social: Editora Vozes Ltda. Tinha 50 funcionários e várias máquinas. Neste ano, o grande lançamento foi a Folhinha do Sagrado Coração de Jesus. Frei Ludovico Gomes de Castro deu outro impulso em 1963, com novos equipamentos, como a máquina “offset”, que aumentou a produção e permitiu a impressão de um caderno de 64 páginas de cada vez. Em 1968 tinha quatro filiais no Brasil.

Durante a década de 70 viria nova expansão gráfica e comercial. A Editora comprava a impressora Speed Master, uma guilhotina Guarani, de fabricação nacional, e outras máquinas da marca Heidelberg para fazer capas. Durante o período de repressão, a editora destacou-se pela corajosa publicação de obras em defesa da liberdade, como "Tortura Nunca Mais" e a "Voz dos Vencidos". Em 1989, a editora tinha 600 funcionários e 30 lojas.

Mas o mercado editorial entrou em crise no final do século passado e, junto a dificuldades internas, a Vozes sofreu a pior crise de sua história. A partir de 1999 assumiu a empresa a diretoria formada por uma gestão colegiada, que equilibrou as finanças e, dentro de uma economia globalizada, prepara-se para atravessar mais um século.

Em 2005, a Editora Vozes inaugurou um novo segmento de publicações, a Vozes Nobilis: uma linha editorial especial, com importantes autores, alto valor agregado e qualidade superior, como Anselm Grün, Mário Cortella, entre outros. No “ranking” dos livros mais vendidos destacam-se “Minutos de Sabedoria”, um pequeno grande livro de bolso repleto de pensamentos que inspiram e alentam. Os temas são de serenidade, paz e harmonia. Este livro de auto-ajuda é quase o cartão de visita da Editora Vozes em Portugal. Em outras áreas sobressaem os livros de saúde “Câncer tem Cura” e “Babosa não é Remédio mas Cura”, ou o título de referência da sociologia “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault e mais recentemente "Sociologia do Crime". Numa outra linha editorial encontramos as novenas, como a Santa Rita Cássia ou a São Judas Tadeu.

A editora produz 15 novos títulos a cada mês, além de reimprimir outros 30 ou 40. Hoje tem mais de 300 funcionários, tendo um total de 20 filiais em todo o Brasil e uma unidade em Lisboa, Portugal. ( Fonte: "Editora Vozes: 100 anos de história", de Marcelo Fereira de Andrades (2001).

A serviço da evangelização
Ao longo dos seus 109 anos de existência, a Editora Vozes tornou-se um referencial tanto nos ambientes eclesiais quanto nos ambientes universitários. Sobretudo a partir da década de 1970, ela se tornou conhecida em todos os ambientes tanto pela ousadia de suas publicações pioneiras em várias áreas como também por sua expansão por todo o território nacional. Com este processo de expansão, hoje a Editora Vozes tem vinte livrarias de varejo e catorze distribuidoras, fazendo com que todo o território nacional seja alcançado pelas suas publicações. Além disso, tem também uma sucursal em Lisboa, que vende suas publicações ao mercado português.

A missão Vozes é evangelizar através das suas publicações: “Uma vida pelo bom livro”, é seu lema. Para melhor avaliar seu potencial evangelizador talvez seja conveniente ressaltar que desde seu início até hoje a Editora Vozes sempre se apresentou com dois braços: o religioso e o cultural. Esses dois braços são a expressão de uma intuição teológica muito profunda: evangelizar é humanizar e humanizar já é evangelizar. Desde que o Verbo de Deus se fez carne, tudo o que é humano se abre para o divino e o que se abre para o divino se humaniza. Curiosamente durante um certo tempo constava de nosso catálogo inclusive um certo número de romances, considerados como canais para veicular uma série de valores. Ou seja, as publicações da Editora Vozes sempre deixaram transparecer uma compreensão ampla e ecumênica de evangelização.

O primeiro braço, constituído pelas ciências humanas, praticamente não exclui nenhuma delas, embora algumas sejam privilegiadas. Aqui convém lembrar as muitas publicações de cunho filosófico, sociológico, antropológico, pedagógico, didático, psicológico, político, econômico, histórico, e recentemente atendendo às aspirações dos profissionais de saúde. Em todas as publicações transparece a preocupação em contribuir para a formação madura das pessoas e das sociedades. E é a partir dessa preocupação que deve ser entendido o caráter crítico que transparece em muitas dessas obras. Por cobrir uma área bastante ampla de campos do conhecimento das ciências humanas, este primeiro braço constitui hoje o maior número de títulos do catálogo da editora.

O segundo braço, que poderia ser denominado de religioso – entendido de um modo bastante abrangente – cobre múltiplas dimensões do campo religioso. Convém lembrar algumas dessas dimensões: bíblica, teológica, espiritual, pastoral, catequética, litúrgica, devocional, franciscana e de ensino religioso. Essas dimensões se caracterizam em primeiro lugar por livros, que atingem os mais diversos públicos, desde os mais eruditos, até os mais simples; desde os mais clássicos, até os que retratam as tendências mais atuais, sobretudo no campo da espiritualidade.

É preciso ter presente que ao lado dos livros propriamente ditos, há também cinco revistas (Revista Eclesiástica Brasileira, Sedoc, Estudos Bíblicos, Grande Sinal e Concilium) e uma série de produtos “sazonais”, mas de grande alcance. Entre os sazonais convém lembrar a “Folhinha do Sagrado Coração de Jesus”, o Almanaque Santo Antônio, Meditações para o dia a dia. Cabe aqui um destaque especial para o papel evangelizador da Folhinha do Sagrado Coração de Jesus: esta publicação atinge anualmente perto de 600 mil lares. Outro destaque especial neste braço “religioso” de atuação da Editora Vozes é sua presença na área de catequese. Em parceria com diversas dioceses e com regionais da CNBB, a Editora Vozes desenvolveu e publicou coleções destinadas à catequese. Estes subsídios, sobretudo de preparação para Primeira Eucaristia e para Crisma, atingem a cada ano mais de 500 mil catequizandos.

Há três anos, preocupada em atingir evangelicamente todos os públicos, a Editora Vozes criou mais um segmento de publicações com o selo editorial “Vozes Nobilis”. Como o nome sugere, nesse segmento são lançados livros especiais, tanto por seu conteúdo, quanto por sua produção gráfica. É através desse segmento que seus livros começam a aparecer em livrarias de aeroportos, de shopings e nas grandes redes de livrarias. Com o mesmo objetivo, nos últimos anos foi incrementado o parque gráfico, no qual são impressas as publicações da Editora Vozes, bem como obras de outras editoras.

Em suma, pode-se dizer que a Editora Vozes se constitui numa das mais antigas e conhecidas editoras do Brasil. Pode-se igualmente afirmar que ela se constitui numa editora de peso na formação de uma consciência de cidadania fundada sobre os valores evangélicos. (Texto de Frei Antônio Moser, Diretor-presidente da Vozes)

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