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Utopia Franciscana

"O fato é
que, tendo desprezado todas as coisas terrenas e estando livres
do amor próprio, consagravam todo o seu afeto aos irmãos,
oferecendo-se a si mesmos para atender às necessidades
fraternas. Reuniam-se com prazer e gostavam de estar juntos:
para eles era pesado estarem separados, o afastamento era amargo
e doloroso estarem desunidos". (1Cel 15,39).
Dentro de um mundo dividido por ódios e discórdias,
a utopia franciscana não é outra que a da fraternidade,
pois São Francisco entendeu a mensagem e a beleza mais
radical do evangelho: somos todos irmãos, porque todos
temos um mesmo Deus que é Pai de todos.
Ser irmão, por isso, é o título de honra
de nossa vida de frades. Somos con-frades de todas as criaturas.
Para um franciscano só existe, conseqüentemente,
um pecado maior: o de não ser irmão, em espírito
e verdade, com corpo e alma, dos outros. Outros poderão
ter nobilíssimos apanágios: o nosso é o
do fraternismo dentro e fora dos conventos. Podemos não
ter outras virtudes, mas só a falta de fraternismo é
que adulteraria nossa identidade e nos excomungaria da verdadeira
utopia franciscana. Santos seremos e nos santificaremos junto
com os outros na cruz da convivência fraterna.
A vida de São Francisco não conheceu limites nesta
descoberta evangélica. "Vivia com os leprosos, servindo
a todos por amor de Deus, com toda a diligência"
(1Cel 7,17). "Tinha afastado de sua boca toda grandiosidade,
e também toda pompa de seus gestos e todo fausto de suas
ações" (2Cel 102,140). "Chegou à
conclusão de que deveria viver para os outros e não
exclusivamente para si" (Lm 2,5). E acreditava firmemente
que o Senhor lhe tinha dado irmãos (Regra 4,14).
Frei Giacomo Bini captou bem esta descoberta de nosso Pai, quando
escreveu em seu Relatório ao Capítulo Geral de
2003: "Somos uma fraternidade enraizada numa consagração
total a Deus segundo o projeto evangélico de Francisco"
(n.188). E disse mais: o mundo tem "sempre mais necessidade
de fraternidades teocêntricas e proféticas, empenhadas
em encarnar o Evangelho na vida quotidiana e nos diversos modos
de evangelizar" (2003, n.156).
Esta é a síntese da forma vitae franciscana e
da utopia pela qual queremos viver. Feliz o frade que assim
vive! Feliz a Província que dela se alimenta e nela tem
seu coração, vivo e posto!
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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