Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
São Paulo, 24/05/2012

Primeiras notícias e
impressões de Angola

Muitas crianças sem escola

Obras de reconstrução do país

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Sou Frei André Gurzynski, irmão franciscano (OFM), da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. Cheguei a Angola no dia 17/08/2008, para trabalhar como missionário na FIMDA (Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola).
Aos poucos estou conhecendo as pessoas, o povo, a realidade, a história... e me adaptando. A espera pelo Visto de Residência foi longa (demorou um ano e meio) mas finalmente aqui estou, feliz por ter vindo para esta terra como missionário. Sinto-me realmente chamado por Deus para esta missão.

Primeiras notícias e
impressões de Angola

Foto: Ademar Reis – www.ademar.org/fotos/angola

Praça central de Luanda, onde está a estátua de Agostinho Neto, herói da luta pela libertação e primeiro presidente do país.

A realidade que nos cerca – Angola tem entre 15 e 17 milhões de habitantes. Como muitos outros, este é um país rico (tem petróleo, diamantes...) com povo muito pobre. Luanda, capital do país, tem hoje (somando os municípios da região metropolitana) de 4 a 6 milhões de pessoas. É uma cidade de grandes contrastes, com poucos muito ricos e a grande maioria muito pobre..

Cerca de 90% da população mora nos populosos bairros da periferia, que incharam rapidamente em consequência dos 27 anos de guerra civil. Pessoas e famílias fugiam em massa do interior, onde havia bombardeios, invasão e saque de casas e aldeias, chacinas e todo tipo de violência, buscando refúgio na capital. Deixavam tudo para trás e, aqui chegando, se instalavam como e onde podiam.

Foto: Ademar Reis – www.ademar.org/fotos/angola

Barracos típicos da periferia de Luanda

Criou-se, assim, uma grande periferia com barracos precários, sem infraestrutura como água, esgoto, energia elétrica, coleta de lixo, escola, posto de saúde, estradas... A guerra, iniciada em 1975, terminou apenas em 2002. Aos poucos, o país volta ao normal, correndo atrás do tempo perdido para solucionar muitos e graves problemas.

Fraternidade da Porciúncula - Moro no bairro da Estalagem, município de Viana, periferia da capital, a cerca de 20 km do centro de Luanda. Somos quatro frades na fraternidade: dois brasileiros (Frei Ângelo J. Luis, presidente da FIMDA, e eu) e dois angolanos (Frei Afonso Katchekele Quessongo e Frei Antônio B. Zovo Baza, estudantes de Teologia). A casa fica em uma área muito bonita, no meio de um bairro muito pobre.

As instalações, com diversas estátuas de animais feitas de concreto, são parte de um parque turístico que estava sendo construído e foi abandonado antes de terminar (um dos sócios faleceu). Os frades, então, adquiriram parte do terreno e adaptaram as estruturas existentes para uma casa de formação (seminário), a fim abrigar frades e seminaristas. Da próxima vez prometo enviar fotos do local (ainda não consegui uma máquina fotográfica).

O trânsito, um grande desafio! - Com o trânsito quase sempre engarrafado, demoramos cerca de 2 horas ou mais para chegar ao centro da capital, mesmo saindo de casa  pelas 5 h da manhã! Às vezes gastamos mais de 3 horas, apesar das novas pistas pavimentadas pelo projeto de reconstrução nacional. É muito carro pra pouca estrada! Frei Afonso e Frei Antônio enfrentam todos os dias este trânsito, na ida e na volta, para poderem estudar!

Casa-mãe da Missão no bairro Palanca - A Fraternidade São Francisco de Assis, sede da FIMDA, fica no Bairro Palanca, a pouco mais de 6 km de Viana, seguindo em direção ao centro de Luanda. Ali moram Frei Sebastião A. Kremer (guardião e pároco), Frei José Urley Builtrago (frade colombiano) , Frei Atílio Battistuz (recém-chegado do Brasil) e Frei Márcio A. Terra (responsável pelo Projeto Nossos Miúdos).

Foto: Ademar Reis – www.ademar.org/fotos/angola

Celebração no Quimbo São Francisco, bosque-santuário junto à casa dos frades no Palanca.

Os frades do Palanca atendem também à Paróquia São Lucas, cuja matriz fica nas proximidades, e o Quimbo São Francisco, em frente à casa, onde se realizam muitos encontros, reuniões e celebrações, tudo ao ar livre, embaixo das árvores.

O lixo e as ruas da periferia - Só na região central há coleta regular de lixo. Nos bairros da periferia, onde mora cerca de 90 % da população, o lixo de todo tipo fica acumulado nas ruas e nos terrenos baldios. Inclusive carcaças de carros e caminhões e eletrodomésticos fora de uso.
Não há ainda reciclagem de materiais (nem de latinhas de alumínio) e muito menos coleta seletiva. No período de seca  como agora, chamado “época do cacimbo”(1), com bastante vento, as ruas de terra dão origem a muita poeira. A areia solta se acumula no meio das ruas, dificultando a circulação de veículos, o que é agravado por grandes e incontáveis buracos.

Foto: Missão Franciscana


Rua do Bairro Palanca, ainda na época da seca

Na época das chuvas (de meados de outubro até abril ou maio), as ruas destes bairros ficam intransitáveis. Os grandes e numerosos buracos se enchem de barro e lama, misturados com muito lixo. Nas ruas principais, que ainda permitem circulação, transitam apenas carros grandes e fortes (tipo jipes e picapes) com tração nas 4 rodas. São assim as ruas para chegar até nossa casa, na Estalagem. Quando chove, para andar nas ruas, só com  bota de borracha de cano longo! Felizmente chove menos na capital que no interior!

(1)“Em Angola a estação seca, chamada época de cacimbo, decorre oficialmente de 15 de Maio a 15 de Agosto. Mas varia de ano para ano e de região para região, sendo mais regular no interior”. Na região de  Luanda, por exemplo, a seca pode se prolongar até meados de outubro. Felizmente o cacimbo coincide com o período de inverno, com temperaturas mais baixas, diminuindo os efeitos da seca. Fevereiro, março e abril geralmente são os meses de chuvas mais intensas.

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