Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
São Paulo, 24/05/2012
O retrato de pobreza que imediatamente permeia nosso imaginário ao tratarmos dA África, logo se mistura à realidade e pinta mesmo nossa ótica. É claro que cenas assim marcam, mas não são as que ficam.

Por Frei Clauzemir Makximovitz (*)

Um mês em terra estrangeira é pouco para conhecer um povo. Ainda mais um povo tão diferente. Seria atrevimento em tão pouco tempo querer conhecer o povo angolano; não é para isso esse tempo de estágio. Mais efetiva seria a oportunidade de melhor conhecer a si mesmo. E a si mesmo se conhece no confronto com o diferente, com o limite…

A situação social aqui é desesperadora, tão ou mais que as extremas e desiguais realidades que vemos no Brasil. Aqui, a indiferença é mais difícil de justificar, tão mais evidentes podem ser os problemas. Mas não são os problemas o que primeiro chama a atenção. Certamente é o povo. Já é sabido que a real riqueza de um país é seu povo, mais que petróleo ou qualquer mineral precioso, é a gente que habita uma terra que dá seu real valor, pautado nas possibilidades que encerra.

As belas imagens naturais, como a paisagem de nossa casa do postulantado, em Kibala, e as aldeias tradicionais que pontilham no caminho, ajudam a formar uma outra imagem de Angola.

Aqui, as possibilidades abundam, escasseiam as oportunidades. Mas num local em que quase tudo vem de fora, importado, o angolano parece encontrar algo distinto…, algo a manter vivo seu próprio senso de cidadania e dignidade. E isso vemos em qualquer celebração, seja de vida ou morte, nos cantos de alegria ou nos gritos de dor, em cada estágio do ciclo da natureza que sujeita todo ser vivo.

Encantam as ofertas ao Deus da beleza que se manifesta no simples e espontâneo, contagiam as emoções que transbordam na celebração de cada perda, e cativa a esperança que irradia cada sorriso. Certamente, esses dois meses e meio serão pouco tempo para conhecer o povo angolano, mas certamente serão, como tudo em nossa vida, a justa medida, para o crescimento devido nesse tempo especial que é cada momento.

Os mercados a céu aberto, as praças de venda…

… não acentuam apenas a deficiência econômica, mas um espírito de sobrevivência e de luta, de um povo que celebra a vida, e o faz com energia e alegria…
Esse tempo aqui já está sendo de Graça, num local abençoado, que é a Fraternidade da Porciúncula, no município de Viana, Província de Luanda. Um lugar franciscano de Paz e tranquilidade, que acolhe crianças e jovens para a prática de esporte, oferece aulas de informática e ainda um espaço para retiros, acampamentos e passeios…

Nascida da missão, pois, a Igreja é por sua vez enviada por Jesus, a Igreja fica no mundo quando o Senhor da glória volta para o Pai. Ela fica aí como um sinal, a um tempo opaco e luminoso, de uma nova presença de Jesus, sacramento da sua partida e da sua permanência, Ela prolonga-o e continua-o. Ora, é exatamente toda a sua missão e a sua condição de evangelizado, antes de mais nada, que ela é chamada a continuar…

Enviada e evangelizadora, a Igreja envia também ela própria evangelizadores. É ela que coloca em seus lábios a Palavra que salva, que lhes explica a mensagem de que ela mesma é depositária, que lhes confere o mandato que ela própria recebeu e que, enfim, os envia a pregar. E a pregar, não as suas próprias pessoas ou as suas ideias pessoais, mas sim um Evangelho do qual nem eles nem ela são senhores e proprietários absolutos, para dele disporem a seu bel-prazer, mas de que são os ministros para o transmitir com a máxima fidelidade.
(Evangelii Nuntiandi, 15)

(*) Frei Clauzemir está em estágio na Missão de Angola, junto com Frei Alcionir dos Santos, Frei Weliton Bortolon, Frei Alisson Zanetti. Veja mais.

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