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A solidariedade é muito mais do que uma virtude, é uma força capaz de unir nações e mover montanhas, da mesma forma que ser levarteano é mais do que ser solidário é dar um pouco de si para o mundo sem esperar nada em troca; é viver todos os dias pela arte e pelo humanismo.
E foi nesta vertente que no passado sábado no dia 30 de Abril de 2011 o Movimento literário Lev´Arte cumpriu mais uma vez o seu nobre papel procedendo a entrega de donativos ao Lar “Nossos Miúdos”, dirigido por Frei Márcio, situado no bairro Palanca. Uma iniciativa que é fruto ganhos provenientes do carácter filantrópico do evento “Poesia Solidária, a Voz Poética da Mulher”.
Para além dos membros, a atividade foi contemplada com a presença alegre, apoio moral e até material de alguns amigos do Movimento, dentre os quais as simpáticas senhoras Mizé, Adelaide, a menina Luana, Sérgio e alguns poetas, declamadores e desenhistas estes que foram todos peças chaves para o sucesso da linda tarde proporcionada aos “nossos miúdos”.
No início estavam todos um pouco retraídos com o olhar sério e preocupado, eles (as crianças) pela presença de estranhos em seu lar e os outros (os visitantes) pela precariedade em que o lugar que os acolhia se encontrava, todos silenciosos pareciam questionar em seus íntimos “como podem pais abandonar os filhos à própria sorte?”. Contudo, com o decorrer da atividade essa impressão foi se apagando e descobriram que, apesar da simplicidade em que viviam, apesar das histórias tristes que carregavam nos ombros, aqueles eram também meninos simpáticos, divertidos, bem-educados e instruídos, que naquele lugar encontravam conforto e proteção e, no Frei Márcio, viam um pai, uma mãe, enfim, uma família.
A doação foi feita em bens alimentares não perecíveis, colchões, roupa de cama, sapatos, tintas, material didático, e até alguns artigos de esporte, como bolas de futebol, basquete e material de desenho como resmas de papel, lápis de cores, cartão, cola etc. Porém, o ato não terminou com a entrega dos respectivos bens, pois os membros do Movimento Lev´Arte dedicaram várias horas do dia a um convívio agradável e caloroso com as crianças residentes no já referido lar. Sendo assim, enquanto uns brincavam com as crianças num jogo alegre e descontraído, os outros ajudavam-nas a desenhar e as mulheres preparavam a refeição que seria repartida por todos.
Depois de pronta, a refeição foi servida e à mesa sentaram-se todos para degustar da deliciosa feijoada angolana com batatas fritas e linguiça assada no forno. Foi um momento de contemplação em que todos sorriam e trocavam impressões sobre a comida e não só. Não houve quem estivesse calado ou isolado já haviam sido todos tomados pela magia da celebração e da irmandade.
Pouco antes do final, uma roda se formou no quintal e num ambiente descontraído os meninos mostraram os seus dotes no que concerne a música, dança e humor, foi hilariante vê-los brilharem por detrás dos olhares tristes que acarretavam, vê-los felizes e numa agitação positiva, ainda que fosse por alguns instantes eles já não eram os mesmos, estavam mais crianças, mais imprevisíveis e espontâneos. Este foi sem sombra de dúvida o momento mais alto da tarde, foi para nunca mais esquecer.
Sendo assim chegou o inevitável e tão adiado fim e esta foi a única altura realmente triste que se viveu em sede do Lar “Nossos Miúdos”, pois foi difícil dizer adeus. Ainda assim Kiocamba Cassua, na qualidade de orientador deste projecto, proferiu umas palavras de agradecimento e regozijo a todos os presentes pelo belíssimo convívio e pela cumplicidade e engajamento de todos na concretização de mais um sonho levarteano.
Em suma, o Lev´Arte fez acontecer mais uma vez clamando por solidariedade, entrega e humanismo pois quando deixarmos de cuidar uns dos outros aí, sim, será o fim da humanidade. (Mira Clock)
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