Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
São Paulo, 24/05/2012


“Como os santos, Senhor, nós queremos comprometer-nos em seguir o teu programa de vida”.

Por Frei Clauzemir Makximovitz (*)

Com essa motivação de vida, que certamente perpassou cada passo formativo na vida de Frei Afonso e de Frei António, ambos celebraram, com suas famílias, confrades, amigos e irmãos na fé, neste domingo, 23 de janeiro de 2011, uma grande festa do serviço cristão. Frei Afonso (na foto à direita), já diácono, foi eleito e ordenado sacerdote. Frei António (na foto à esquerda), foi eleito para o serviço ordenado do diaconato.

O momento foi histórico na Missão. Depois de duas décadas da presença dos missionários da Província Franciscana da Imaculada Conceição em Angola, comemoradas no ano passado, a Missão de Angola, batizada de Fundação Imaculada Mãe de Deus, pôde festejar com muita alegria os primeiros frutos deste trabalho de evangelização missionária. Frei Afonso é o primeiro sacerdote formado pela Missão e Frei António é o segundo diácono formado pela Missão.

Frei Afonso recebe o Espírito Santo, concedido desde os Apóstolos, e tem suas mãos ungidas, para o múnus de santificar.

Na foto principal acima, a prostração durante a Ladainha de Todos os Santos é sempre muito significativa, lembrando nossa fragilidade e pequenez, total dependência da Graça de Deus que imploramos rememorando sua ação na vida de tantos homens e tantas mulheres que nos precederam.

Foi um dia bonito, muito quente e ensolarado. A igreja da Missão Católica do Bailundo, ficou pequena para tanta gente que veio presenciar este momento histórico, portanto, foi preparada uma bela missa campal em frente à igreja.

Com início às 9h30, o que corresponde às 6h30 do horário de Brasília, a celebração, presidida por D. José de Queirós Alvez, Arcebispo de Huambo, e concelebrada por D. Chingo Ya Hombo, Bispo emérito de Mbanza Congo, e por Frei Ângelo Luis, presidente da Fundação Imaculada Mãe de Deus de Angola (FIMDA) e por dezenas de sacerdotes, contava com vários diáconos e participação efetiva de religiosos e religiosas de várias Ordens e Congregações. Quase a totalidade do frades da Fundação Imaculada Mãe de Deus (FIMDA) estavam presentes, e ainda Frei Antônio Michels, representante do Governo da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.

Sempre num ritmo animado, sob o impulso do canto angolano, em línguas tradicionais, a celebração seguia, solene e significativa. Frei Vitalino Piaia era o comentarista e animador, mas contava com um dos padres concelebrantes para algumas inferências em língua tradicional, Umbundo, a fim de explicar o sentido especial do que era celebrado àqueles que não compreendessem bem o português.

Após a Ladainha, seguimos o rito das ordenações. Frei Antônio se aproxima de D. José, que pela imposição das mãos e prece elevada a Deus, o ordena Diácono, para o serviço do Senhor.

Nda mwa ondaka ya Uku ka mukayike
Omitima vyenu!
Amen, aleluia.
Popya atatekulu, otchikumba tchove,
Tchukuyuvite.

Dizia o canto na acolhida da Palavra de Deus, pedindo aos que ouvem a Palavra que não fechem os corações. Fala Senhor, que teu povo escuta! As leituras, proclamadas em Umbundo, língua tradicional da região, tratavam da vocação e missão dos escolhidos de Deus.
Is 8,23b-9,3
Sl 26(27)
1Cor 1,10-13.17
Mt 4,12-23

Após o Evangelho, proclamado em Português e em Umbundo, segue-se a chamada e eleição dos candidatos ao diaconato e ao presbiterato, que se apresentaram, acompanhados dos pais, cantando: Senhor, que queres que eu faça?

Na homilia, D. José ressaltou que Jesus, no início de sua atividade de pregação ilustra a origem do chamado ao presbiterado e ao diaconato de nossos eleitos. Cristo é Sacerdote, nós todos somos povo sacerdotal, participantes do sacerdócio de Cristo. Citando a Lumen Gentium, reafirmou que todos são participantes de um sacerdócio santo e real. Agradeceu às comunidades do Bailundo e de Cabinda por doarem a Deus o que tem de melhor, seus dois filhos, Frei Afonso e Frei Antonio, para esse serviço, de pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar os sacramentos como Sacerdotes do Novo Testamento. O Senhor há de transformá-los e enviá-los pare serem nossos Ministros do Senhor. Ministro que faz às vezes do próprio Cristo, a quem representam por virtude do próprio Cristo. Diácono é por natureza servidor. Sacerdote também se apresenta sempre como servidor em Cristo!

A alegria da celebração transparece em cada rosto e olhar, que ao invés de cansaço expressa fé e esperança. Reflexo disso é a festa de ofertar a Deus aquilo que Ele nos possibilita produzir. Cerca de 30 minutos foram necessários para que a comunidade expressasse esse sentimento latente de restituição, de oferecer com alegria, reconhecer que o que temos, de Deus recebemos, danças, ofertas e muita festa na tâmbula.

Aos nossos Freis Afonso e Antonio, Dom José pediu fidelidade. Fidelidade a Cristo, ao sacerdócio, a fim de viverem para o Senhor, dedicarem-se de coração a Sua Obra. Que vossa referência seja o Cristo!, dizia ele. É preciso manter viva nossa ligação com o Senhor, e a oração é o caminho. Criar clima de oração, de silêncio, de adoração e profunda ligação com Cristo. Se ides ser ministros do Senhor, tendes de ser Suas testemunhas. E testemunhar o Cristo pobre, o Cristo humilde e sofredor. Pobreza, castidade e obediência são fundamentais na Vida Religiosa, mas também no sacerdócio, como Paulo que dizia “não sou eu quem vivo, mas é Cristo quem vive em mim”.

Por fim, Dom José novamente fez um apelo aos novos ministros e servidores da Palavra do Senhor, que estivessem atentos aos mais frágeis, tal como a tarefa de pastor exige, atenção aos doentes, aos fracos e sofredores.

Em seu nome e no de Frei Antonio, Frei Afonso, no final da celebração, dirigiu algumas palavras de agradecimento a todos, fazendo algumas considerações acerca do processo formativo, da progressão que é cada passo na vida do vocacionado. Só recebe a coroa quem segue conforme as regras. A despeito das inúmeras dificuldades que surgem, Jesus não nos permite que passemos ao lado, Ele exige comprometimento, Cristo pede que tomemos a Cruz! Onde quer que passemos ou trabalhemos, todo espaço será para nós chão sagrado.

Falando de vocação, citou Frei Valdir Nunes, que fora seu formador e costumava lembrar que Vocação, além de ser mistério, é dom pessoal de Deus, que chama quem quer e envia para onde quer...

Ainda antes da bênção final, Frei Afonso deu sua primeira bênção sacerdotal a seus pais, num momento profundo e repleto de emoção.


A seguir procurou enumerar agradecimentos aos que fizeram papel importe em suas caminhadas formativas, formadores, professores, benfeitores, familiares, amigos e várias outras pessoas e entidades marcantes.

Ao final de cinco horas de celebração, o povo ainda permanecia incansável nas orações e louvores, seguiu para o almoço cantando (já eram quase 15 horas) após os cumprimentos aos neo-ordenados.

Duas décadas em Angola

Em 1990, o Papa João Paulo 2º comparou a África a um homem espancado, ferido, à espera do Bom Samaritano. Foi diante deste quadro que a Província da Imaculada atendeu ao chamado da Ordem Franciscana e enviou para Angola seus primeiros missionários. Frei Plínio Gande da Silva, Frei Pedro Caron e Frei José Zanchet chegaram a Katepa (Malange) em 25 setembro de 1990.

Em janeiro de 1991 se juntou a eles Frei Juvenal Sansão; depois Frei Lotário Neumann e Frei Evaldo, em março de 1991; e, por último, Frei Odorico Decker.

A Missão de Angola foi elevada à condição de Fundação, com o nome de Imaculada Mãe de Deus, no dia 26 de maio de 1998. Hoje, a Fundação tem sede na capital e abriga a Fraternidade São Francisco de Assis, no bairro de Palanca, que atende também a Paróquia de São Lucas (2000). A sede é também um Santuário, muito procurado pelos angolanos. Na Fraternidade da Porciúncula, no município de Viana, vizinho a Lunda, funciona o pós-Noviciado). Em Malange, no bairro de Katepa, – a 430 quilômetros da capital -, está a Fraternidade São Damião, responsável pelas etapas do Aspirantado (aberto em 96) e o Postulantado (aberto em 97). Mas neste território da Missão, de 500 quilômetros para o Sul, há cerca de 600 aldeias. Devido a campos minados que ainda existem na região, o acesso é restrito e as estradas são precárias, exigindo muito esforço dos missionários.

Nestes 20 anos, a Missão colheu os primeiros frutos com os professos solenes Frei António Boaventura Zovo Baza e Frei Afonso Kachekele Quissongo, ordenados diácono e presbítero, respectivamente, e os professos simples Frei João Batista Chilunda Canjenjenga, Frei Gaudêncio Chingando Choputo Numa, Frei José Morais Cambolo e Frei Manuel Tchincocolo Ramos. Neste ano, faz o noviciado em Rodeio, no Brasil, Frei Mvula Nzaje André.

Frei Antônio Boaventura Zovo Bazaé filho de Eduardo Baza e Maria Tereza Zovo Baza, natural de Cabinda, nascido em 25 de setembro de 1976. Em 1977, seus pais, em consequência da guerra, foram parar em Kimbianga (centro de refugiados), no antigo Zaire, atual República Democrática do Congo. Iniciou os estudos primários no Congo, continuando em Cabinda. Apresentou-se na Ordem dos Frades Menores no ano de 1997. Fez o curso propedêutico no Seminário Maior São José, em Malange, postulantado entre 2000-2001 na Fraternidade Nossa Senhora da Porciúncula em Viana, e em 2002, fez o noviciado em Rodeio, SC, Brasil, na Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, professando em 4 de janeiro de 2003. Em 2006 obteve o título de Bacharel em Filosofia e Pedagogia pelo Centro Dom Bosco de Estudos Superiores, iniciando em 2007 os estudos de Teologia no Seminário Maior de Luanda, terminando em 2010 o terceiro e penúltimo ano. Em 2009, fez a Profissão Solene na Ordem Franciscana, e recebeu os ministérios instituídos (acolitado e leitorato) no mesmo ano.
Frei Afonso Katchekele Quissongo, filho de Antonio Quessongo e Antonia Cafeca, nasceu em 03 de abril de 1974, na aldeia de Ngando, município do Bailundo, Província do Huambo. Acompanhado vocacionalmente pelas Irmãs de São José de Cluny, por livre vontade escolheu a Ordem Franciscana, se apresentando em 1997. Terminado o curso propedêutido no Seminário São José em Malange, fez o postulantado entre 2000-2001, na Fraternidade Nossa Senhora da Porciúncula em Viana. Em 2002 fez o noviciado em Rodeio, SC, Brasil, na Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, professando em 4 de janeiro de 2003. Em 2006 obteve o título de Bacharel em Filosofia e Pedagogia pelo Centro Dom Bosco de Estudos Superiores, iniciando em 2007 os estudos de Teologia no Seminário Maior de Luanda, Sagrado Coração de Jesus. Em 30 de junho do mesmo ano, fez a Profissão Solene na Ordem Franciscana. Recebeu os ministérios instituídos (acolitato e leitorato) em 2008. Em 12 de junho de 2010 foi ordenado Diácono pelas mãos de Sua Excelência Rvma. D. Damião Franklin, Arcebisbo de Luanda. Em dezembro do mesmo ano concluiu os estudos de Teologia.

(*) Frei Clauzemir está em estágio na Missão de Angola, junto com Frei Alcionir dos Santos, Frei Weliton Bortolon, Frei Alisson Zanetti. Veja mais.

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