Mensagem de Frei Vitório Mazzuco às Clarissas de Colatina
Há quatro aspectos da mística de Santa Clara de Assis que valeria a pena lembrar neste momento.
Nas Fontes Franciscanas e Clareanas, muitas vezes ocorre esta expressão: ser mãe e ser pai. Isto é, gerar vida. Cada pai e mãe geram vida biológica e nós todos aqui somos filhos e filhas. Mas ser pai e ser mãe é a essência do cuidado. É gerar vida onde nós estamos: a vida da justiça, a vida da paz, a vida dos cuidados pelo meio ambiente, a vida do amor pela Igreja, de gerar o carisma, a missão. Tudo isso é ser pai e mãe, mas, sobretudo, gerar o imenso amor de cuidado pela vida, para todo o ser criado.
O segundo aspecto é que Clara e Francisco ensinaram para nós que é preciso ser esposo e esposa. Isto é, a mística de ser pai e mãe. Casar com o projeto de vida, sublimar o projeto de vida. O terceiro aspecto nos ensina a ser irmãos e irmãs. Isto é, gerar relacionamentos, a consaguinidade. Tudo isso, nós que abraçamos o celibato, não nos tornamos pessoas estéreis; somos fecundos, porque geramos: amizade, fraternidade, solidariedade, carinho...
E neste dia, nesta celebração nós sentimos profundamente isso. E o quarto aspecto, que é tão exclusivo de Clara, é que o amor toma forma num corpo. É o espelho. O espelho é o reflexo. Clara, como toda mulher, lá nos palácios de Offreduci Favarone, olhava no espelho e via a si mesmo. Mas teve um momento quando o amor a fez abraçar o Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, tomou forma em sua vida, nos tecidos de sua alma e seu corpo: ela já não via mais a si mesmo, mas o próprio Amado. Essa essência do espelho: ser reflexo de algo muito maior que habita em nós. Por isso, queria agradecer as Irmãs Clarissas por essa riqueza. Vocês são a encarnação expressiva e viva do que é ser mãe e pai, esposa, esposa, irmão, irmã, sobretudo, espelho.
Espelho nessa alegria, nessa transparência, nessa acolhida, nessa força, nessa energia que vocês passam para nós. Isso torna nossa vida fecunda. Deus inspirou Francisco e ele saiu pelo mundo na itinerância e vocês ficaram guardando a raiz da casa. A mãe sempre cuida da pessoalidade, da ponte da consangüinidade. Isso para nós é muito importante. Então, muito obrigado por vocês serem isso para nós.
Quero agradecer em nome de Frei Augusto, em nome de toda a Província da Imaculada e dizer a D. Décio que é uma riqueza para a diocese ter essa unidade, serviço, escondimento, cuidado pela raiz, porque a vida é assim. Jesus teve uma mãe. Clara, Francisco; Joana Santal, Francisco de Sales; São Gerônimo, Melânia e Paula; Dom Bosco, Santa Maria Mazarello, não é? Então, todos nós temos na nossa essência nesse grande encontro que nos fecunda.
Muito obrigado!