Ministro Provincial abre em Vila Velha o último Encontro de Revigoramento
Por Moacir Beggo
Vila Velha (ES) - O Ministro Provincial, Frei Augusto Koenig, abriu nesta terça-feira (28/10) o último Encontro de Revigoramento dos frades da Província da Imaculada, abordando o tema da “Espiritualidade na Vida Religiosa”. “Se entendermos a oração apenas como momentos dentro de um horário, ainda não aprendemos a orar”, disse aos 55 participantes na primeira reflexão do dia no Projeto Santa Clara, um complexo moderno que foi construído para retiros e encontros na região litorânea de Vila Velha (ES).
Todo o encontro está sendo animado por Frei Vitório Mazzuco Filho, que é o Moderador da Formação Permanente na Província. Ele explicou que este último encontro tem características próprias, já que está inserido em dois grandes momentos celebrativos: os 450 anos da presença franciscana no estado do Espírito Santo e a instauração oficial da Fraternidade Franciscana em Colatina, uma cidade a duas horas da capital capixaba.
Por isso, a reflexão da quinta-feira, sobre o tema Justiça, Paz e Ecologia, será feita na Casa Verde, que fica no meio da mata que circunda todo o Morro da Penha, seguida da celebração eucarística no Convento. É a primeira vez que a Província reúne um número tão grande de frades no estado. “Sem dúvida vai ser um grande momento formativo”, disse Frei Vitório.
Frei Bertolino Tholl, reitor do Santuário da Penha, e Frei Hipólito Martendal, guardião da Fraternidade do Espírito Santo, deram as boas vindas aos confrades. Frei Bertolino lembrou que este encontro já tinha sido projetado no ano passado como parte das comemorações dos 450 anos. “Os frades não conheciam esta casa, que ainda não está totalmente pronta. Diante destes momentos celebrativos, foi feita a oferta para realizar esse encontro aqui. Nós, frades do Convento da Penha, desejamos a todos um encontro onde todos possam aproveitar ao máximo. Que ele se transforme em vigor para nós!”, desejou Frei Bertolino.
Frei Hipólito ressaltou o carinho com que os fiéis do Santuário estão tratando o encontro. “Foi uma alegria muito grande poder recebê-los num pedaço nosso, da Província. E o que mais me tocou foi a participação do nosso povo, quando nós fizemos a primeira reunião para convidar voluntários. O problema foi limitar o número. Alguém pode estranhar o luxo, o cuidado principalmente nas refeições. Tudo foi feito com doações deles. E eles fizeram voluntariamente porque têm esperança que nossa presença se firme ainda mais no estado”, disse Frei Hipólito, falando em nome dos voluntários.
Frei Vitório explicou que o primeiro dia foi escolhido para que se fizesse um “recolhimento para dentro da espiritualidade. Mas é um dia que vamos pensar a nossa espiritualidade e nossa identidade como frades e, como frades presbíteros também”, disse. Frei Augusto, antes de sua palestra, pediu: “ Vamos deixar o coração aberto para que o Espírito aja em nós”.
Nesta quarta-feira, o encontro terá a presença do teólogo Névio Fiorin, ex-frade desta Província. “ Ele está nos acompanhando desde o primeiro o Revigoramento. Ele trabalha no Iser, Estudos da Religião. É muito importante para nós participarmos da comunhão com a Igreja. O Névio vai colocar para nós os desafios da eclesiologia. Isto é, o modo de como a Igreja é conduzida a partir do Documento de Aparecida e das linhas prioritárias da CNBB de 2008 até 2010”, explicou Frei Vitório.
Reflexão sobre a oração
Após a palestra de Frei Augusto, alguns frades falaram sobre o tema. Frei Adriano Dias do Nascimento, o aniversariante do dia, falou de sua experiência como sacerdote no Santuário da Penha, onde diariamente atende milhares de peregrinos de diferentes estados e regiões. “A oração para mim é olhar os rostos das pessoas. A oração vem do relacionamento com as pessoas. Quando você está lá, aspergindo as pessoas, você vê o olhar das pessoas. Não é só quando você sobe ao altar que está com Deus, mas quando você olha o rosto das pessoas e vê a esperança delas”, resumiu o frade.
Frei Lency Smaniotto reforçou a idéia. “Deus está no próximo. Baseado nas palavras do próprio Cristo, toda Lei dos Profetas se resume em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. E mentiroso quem diz amar a Deus, a quem não vê, se não ama o irmão que vê”.
O guardião do Convento da Penha, Frei Bertolino Tholl, lembrou que o trabalho no Santuário é como um “espelho de Deus para as pessoas”. “As pessoas vêm com sede, não de palavras, porque palavras estão cheias, mas querem sentir este Deus em nós. Sem alimento e se não procurarmos fazer com que esse Deus esteja vivo em nossas vidas, as pessoas sairão de lá sem nada”, frisou.
Já Frei André Becker, reitor do Santuário de Santo Antônio do Valongo, em Santos, contou que a imagem forte de oração é a lembrança de sua mãe fazendo a oração à beira do fogão. “Isso sempre me chamou a atenção. Ela sempre fez sua oração ao lado de onde passava a comida que nos alimentava, onde passava a comunhão em família, onde no inverno a gente se aquecia...”.
Frei Aldolino Bankhart, pároco do Senhor Bom Jesus dos Perdões, em Sorocaba, disse que nunca se esqueceu do que disse o Papa Paulo 6º em 1965 sobre a oração: É trazer Deus para tudo, mas é muito mais levar tudo e todos para o Deus.
Frei Antônio Michels, mestre em Imbariê, lembrou que a mística é feita do ordinário, do dia-a-dia. “São os desafios, os dilemas pessoais, não o extraordinário. Nas pessoas é onde eu me encontro com Deus. Acolher as pessoas é fazer a experiência de Deus. Mas a Liturgia é a grande fonte da oração. Para mim, esse é o caminho espiritual. Se a gente vai outras fontes de espiritualidade, mas não bebe desta, é como ser convidado para um churrasco e, lá, comer pão com banana. Uma coisa também é que hoje dou muito mais valor à Bíblia como instrumento de escutar Deus falando para nós”, completou.
A celebração eucarística, às 18 horas, encerrou o dia de reflexão. Frei Ivo Theiss, guardião do Convento Santo Antônio, presidiu a celebração na festa de São Simão e São Judas Tadeu. Na sua homilia, Frei Ivo destacou que Deus não faz um convite para segui-lo, mas faz uma convocação. “Cristo chama os apóstolos, acredita neles. Eles se deixam amar. Hoje, Simão e Judas Tadeu se deixaram amar. Isto é, não se dão a liberdade de dizer não ao chamado. Na verdade, no reino de Deus não existem voluntários. Quer dizer, ‘eu quero’. Não, o Reino de Deus é maior do que aquilo que eu quero. Eu me coloco à disposição, isso sim. Mas ele convoca. Somos convocados. No Reino de Deus não há voluntários, mas os convocados. Por isso se fala na vocação, nos chamados, no qual eu não me dou o direito de dizer não. Esse difícil ministério, na verdade, me encanta e me deixa sem o direito sequer de me desanimar, sem o direito sequer de dizer ‘estou cansado, não quero mais’. É isso que cada manhã me reconstrói e que, durante o dia, alimenta minha ação de graças. Deixar-se amar e não se dar o direito de dizer não”.