Celebração eucarística no Santuário marca os 450 anos de presença franciscana
Por Moacir Beggo
Vila Velha (ES) – O segundo dia do Encontro de Revigoramento dos frades da Província da Imaculada Conceição, que está sendo realizado no Projeto Santa Clara, em Vila Velha (ES), terminou com a celebração eucarística no Santuário do Divino Espírito Santo. Os avisos dados pelo pároco Frei Nolvi Dalla Costa para este importante momento litúrgico na Paróquia e Santuário fez com que o povo da cidade lotasse a grande e bela igreja dedicada ao Divino Espírito Santo em plena quarta-feira.
A celebração aconteceu às 19 horas e foi presidida pelo Moderador da Formação Permanente, Frei Vitório Mazzuco Filho, que teve como concelebrantes Frei Augusto Koenig, Ministro Provincial, e os frades que residem na Fraternidade do Espírito Santo: Frei Hipólito Martendal, guardião, Frei Nolvi Dalla Costa, pároco, e Frei Vunibaldo Vogel.
Frei Vitório destacou que a presença de 50 frades nesta celebração era significativa e fazia parte de um momento importante na história da presença franciscana no estado.
Além de comemorar os oitocentos anos de fundação da Ordem, a Província comemorava 450 anos da presença franciscana no estado do Espírito Santo. “E nós estamos aqui neste Santuário, também aos pés da Virgem da Penha, e nos sentimos bem. Sentir-se bem é exatamente ter essa grande acolhida, essa força. Sentir esse calor humano de cada pessoa, de todos os irmãos e irmãs aqui nesta noite”, disse Frei Vitório, frisando: “Mas com uma certeza: tudo isso nos leva a um maior compromisso e a um maior empenho”, enfatizou, citando as novas frentes da ação pastoral que a Província está assumindo no estado: em Colatina e, possivelmente, em Cachoeiro do Itapemirim.
Segundo o Moderador da Formação Permanente, que está animando o último encontro de Revigoramento neste ano, a Província da Imaculada Conceição tem que estar onde está o povo. “Ela tem que estar onde está a devoção, a piedade, os anseios, os sonhos, os sofrimentos, as necessidades e os apelos do povo”, frisou.
O Documento de Aparecida
O segundo dia do Revigoramento teve a assessoria do teólogo Névio Fiorin, que refletiu com o grupo o Documento de Aparecida. “Quando Frei Vitório me convidou para o Revigoramento, fiquei de fato pensando que nós estamos num tempo, num período de releitura, de síntese, de aproximar as diferenças e as tensões e buscar uma síntese de nosso tempo. Então, vamos pensar a ação pastoral da Igreja à luz do Documento de Aparecida”, explicou o teólogo que trabalha na Iser Assessoria, que saiu de uma outra organização, o Iser, que trabalhava com o campo religioso.
Em quatro partes, Névio abordou o tema durante todo o dia, até o meio-dia desta quinta-feira. “Eu aqui trabalho na perspectiva de fazer-nos uma recepção positiva do documento de Aparecida”, explicou Névio, reforçando que essa recepção positiva foi feita no pós- Concílio do Vaticano II.
Na sua reflexão, Névio destacou que a sociedade moderna , sobretudo as metrópoles, as cidades médias, estão perdendo essa perspectiva da hospitalidade que foi fundamental. “É um traço bíblico, judaico, um traço lá dos patriarcas, que foi fundamental em toda a vida da Igreja medieval. Vamos lembrar o surgimento da Ordem Franciscana, como era fundamental essa questão da hospitalidade. Sem esse espírito de hospitalidade, que estava latente na Idade Média, a Ordem não teria sobrevivido. A Ordem só ganhou consistência em cima exatamente dessa hospitalidade. Sem isso, não dá para pensar a mendicância. Pense hoje em fazer aquela proposta de Francisco? É fadada ao fracasso. Não devemos duvidar do Espírito, tudo bem. Não vamos duvidar do Espírito Santo. Mas analisando humanamente, racionalmente, ela deverá ser fadada ao fracasso. A hospitalidade não é mais um valor da nossa sociedade. Então, como é que a gente recupera isso? Como é que a gente recupera o exercício da compaixão?”, deixou a pergunta para os frades.
O dia intenso no Revigoramento terminou com um jantar de confraternização ofercido pelas duas fraternidades do Espírito Santo numa churrascaria da cidade.