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| Revigoramento de Agudos |
Último Revigoramento do ano vai reunir 55 frades em Vila Velha
Por Moacir Beggo
No momento em que a Ordem Franciscana celebra o seu 8º centenário de fundação, a Província Franciscana da Imaculada Conceição realizará em Vila Velha, no Espírito Santo, o último Encontro de Revigoramento de 2008, que neste ano ganhou um significado especial com a comemoração dos 450 anos da presença franciscana no estado capixaba. Do dia 28, terça-feira, até 31 de outubro, 55 frades se encontrarão na Casa de Encontros Santa Clara para refletirem a respeito da vida religiosa e da formação de cada frade, nas dimensões: pessoal, espiritual, profissional e ministerial, de forma que o frade menor esteja sempre num processo de conversão permanente, em busca de maior perfeição, a exemplo de São Francisco.
"É o momento de realmente dar um novo ânimo ao carisma, à identidade do frade menor, à sua consciência missionária evangelizadora- pastoral e, sobretudo, um dos grandes momentos de convivência fraterna na Província", explica o Moderador da Formação Permanente e Vigário Provincial, Frei Vitório Mazzuco Filho.
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| Revigoramento de Blumenau |
Segundo Frei Vitório, o Revigoramento é uma atividade ligada à Formação Permanente e já existe desde a década de 60 na Província da Imaculada. Antigamente, era conhecido como "Encontro de Reciclagem" e depois passou a ser chamado de "Encontro de Atualização Teológica e Pastoral". A partir do governo provincial de Frei Estevão Ottenbreit, quando Frei Clarêncio Neotti era o Moderador da Formação Permanente, passou a ser chamado de Revigoramento.
Neste ano, a Província da Imaculada realizou quatro encontros: o primeiro na Casa de Encontros São José, na Vila Itoupava, em Blumenau (SC), reuniu 43 frades; o segundo no Seminário de Agudos, no interior de São Paulo, reuniu 42 frades; e, no Centro de Formação de Curitibanos (SC), reuniu 35 frades. Para o Vigário Provincial, o Revigoramento favorece o encontro de várias gerações e a partilha de experiências que ajudam a renovar o ideal franciscano em cada frade. Somente os frades com a profissão solene participam.
Nesta entrevista, Frei Vitório Mazzuco explica com detalhes como vai ser o Revigoramento de Vila Velha e todas as festividades ligadas a ele, especialmente a ida dos 55 frades para Colatina, no Norte do Espírito Santo, onde a Província assumiu uma área pastoral da Diocese. No dia 31, será erigida canonicamente a fraternidade franciscana de Colatina. Confira!
Site Franciscanos - O que é o Revigoramento?
Frei Vitório - É o momento de realmente dar um novo ânimo ao carisma, à identidade do frade menor, à sua consciência missionária evangelizadora-pastoral e, sobretudo, é um dos grandes momentos de convivência fraterna na Província. Revigorar a escolha, a vocação; o conhecimento das Fontes Franciscanas e seus valores, uma temática muito específica. E o Revigoramento passa a ser, junto com os retiros, um grande momento de aprofundamento, porque de certa forma, por ter mais de três dias completos, obriga o frade a deixar suas atividades, a sentar-se e, de um modo mais tranquilo, rezar, estudar, ler, refletir, partilhar, tanto individualmente como também num trabalho em grupo. O Revigoramento passa a ser também um grande momento na formação permanente. Em que sentido? Ele concretiza realmente todos os sonhos que se tem de uma constante formação dos frades, condensado em dias.
Site Franciscanos – Todos encontros são definidos com antecedência no começo do ano?
Frei Vitório - Realmente, data, época e regiões são definidas antes. Os Revigoramentos sempre foram feitos em quatro regiões diferentes da Província para facilitar os deslocamentos dos frades. Sempre teve uma liturgia própria, uma dinâmica própria. Cada revigoramento é único no seu modo. Porque também os grupos não se repetem e misturam, sobretudo, todas as faixas etárias da Província. E sempre houve uma participação entusiasmada daqueles que foram.
Site Franciscanos – Mas não é obrigatório?
Frei Vitório – Por não ser obrigatório, é lamentável que um bom número dos frades não vá. Muitos faltam e nem dão satisfação. Olham até com um certo desdém, ou porque sejam auto-suficientes e auto-didatas na própria formação. Mas aqueles que vão, certamente voltam revigorados.
Site Franciscanos – Qual é a temática abordada neste encontro?
Frei Vitório - A cada ano a temática varia muito. Neste ano, foi escolhida pelo Conselho de Formação Permanente, que é composto pelos coordenadores dos Regionais, pelos secretários dos Secretariados, pelos animadores dos Serviços, pelo Ministro Provincial, pelo Vigário Provincial e Moderador da Formação Permanente. Este Conselho escolheu como tema três grandes momentos distintos:
1. No primeiro dia, que a gente considera quase um retiro, o Ministro Provincial tem retomado a identidade sacerdotal dos frades presbíteros. Em que sentido? Para distinguí-lo realmente de um sacerdote diocesano, mostrando que no seu ministério, no seu serviço, ele tem uma especificidade que vem da nossa bagagem, da nossa herança franciscana. E também para que o frade melhore as suas relações no trabalho pastoral, já que as paróquias constituem a grande frente no trabalho da Província. Os irmãos que participam desses encontros e que entram nessa problemática ligada mais ao presbítero, de certa forma são contemplados, porque este temática feita pelo Ministro Provincial é o modo da acolhida, da hospitalidade, da abordagem, do aconselhamento, da sacramentalização, da relação que o frade tem com o seu povo.
2. O segundo é a comunhão com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, a Conferência Episcopal Latino-americana, a força do pensamento eclesial, que é o documento de Aparecida, onde se destaca o aspecto de discípulo missionário. Sobretudo, a comunhão com as linhas priotárias da CNBB até 2010. Então, trata-se do estudo da eclesiologia e as linhas de força da eclesiologia no Brasil para mostrar realmente este grande amor que São Francisco e os frades têm pela Igreja.
3. O terceiro momento é a Justiça, Paz e Ecologia. No entanto, não mostrando que isso seja apenas um detalhe de um tema de militância ambiental, mas que faz parte da nossa forma de vida de como realmente cuidar da criação.
O último dia tem sempre uma dinâmica por faixas etárias. Ou se faz uma retomada dos pontos fortes do revigoramento com algumas resoluções práticas para levar à Província ou se estuda aspectos de como devemos contemplar a formação permanente para
os próximos anos. Ou então se faz um espaço aberto para o diálogo com o Governo Provincial. Nas entrelinhas, está a vivência fraterna, que é a grande inspiração desse encontro, pelo fato de os frades estarem num lugar determinado, longe de suas atividades, o que favorece de um modo fantástico esta partilha. Isso passa ser a grande marca dos revigoramentos.
Site Franciscanos – Mas este Revigoramento vem carregado de significados e momentos especiais?
Frei Vitório - Esse encontro, que vai ser realizado em Vila Velha e é o último de 2008, tem algumas características diferentes dos outros. Ele vai integrar a nossa escolha missionária de avançar mais para o Norte da Província, investir mais no estado do Espírito Santo, onde nós tínhamos apenas duas fraternidades. Já foi inaugurada a fraternidade evangelizadora em Colatina e, agora, vamos instaurar de um modo franciscano e oficialmente a fraternidade religiosa. Nós vamos erigir a fraternidade franciscana em Colatina. Todos nós, frades, vamos no dia 31, na parte da manhã, em direção a Colatina, onde junto com a fraternidade local e o bispo D. Décio Zandonade, faremos, então, a marca definitiva da nossa presença franciscana, como fraternidade franciscana na Diocese de Colatina.
Site Franciscanos – O Encontro acontece no ano em que se comemora 450 anos da presença franciscana no estado.
Frei Vitório – Sim. Para reforçar a nossa presença no Espírito Santo e, como o estado está no limite extremo de nossa Província e Vila Velha, com seus dois santuários, está também distante do centro da Província, é a primeira vez que tantos frades vão estar reunidos neste estado. Vamos comemorar conjuntamente os 450 anos do Convento da Penha, vamos estar presentes na Casa Verde, que fica no Morro da Penha, bem no meio da mata, hoje preservada. Isso é muito simbólico, porque lá nós vamos trabalhar a consciência do cuidado do meio ambiente, do cuidado por todo ser criado e pela natureza.