"A OFS é um ato de amor"
Por Moacir Beggo
Um domingo especial para a Fraternidade Santa Clara da Ordem Franciscana Secular de São Paulo. A chuva que caiu forte na manhã do Dia de Nossa Senhora Aparecida, não intimidou os convidados, irmãos e irmãs da OFS de todo estado, que se dirigiram até o Alto de Pinheiros, onde no Colégio Santa Clara foi feita a celebração dos 25 anos da Fraternidade e a renovação da profissão de fé de Rosalvo e Heidy Mota e Sandra Occhionero.
Pela primeira ordem, Frei Vitório Mazzuco Filho, o atual assistente espiritual, presidiu a celebração ao lado de Frei Anacleto Gapski, guardião do Convento São Francisco, que durante 12 anos foi assistente espiritual desta fraternidade e Frei Régis Daher. As Irmãs Franciscanas Missionárias do Coração Imaculado de Maria marcaram presença junto com as fraternidades da OFS de todo o estado.
Como lembrou Frei Vitório, a celebração era especial para ele, já que no domingo passado participou do Jubileu de 50 anos da Fraternidade de São Lourenço, em MiInas Gerais. Na sua homilia, Frei Vitório prendeu a atenção de todos com a sua reflexão que toda direto no coração. "Não se chega à Ordem Franciscana Secular pelo intelecto. Ainda que nós tenhamos doces tentações de estudo; ainda que nós vibramos com documentos e a gente faça valer o poder de quem sabe, não é esse o lugar da Ordem Franciscana Secular. A sua sabedoria vem da prática do Evangelho. Essa é a sua verdadeira ciência", assinalou o Vigário Provincial da Província da Imaculada Conceição.
Para ele, a Ordem Franciscana Secular " é um dom de amor, porque é um relacionamento de amor". E completou: "Quando a vida é colocada em conjunto, ela se torna uma comunhão de amor" (veja a homilia na íntegra).
Frei Anacleto refletiu sobre a liturgia do dia, especialmente o Evangelho as Bodas de Caná. "São 25 anos desta fraternidade de Santa Clara. Eu tenho quase a metade desse jubileu, conheço bem a gênesi dela. Essa fraternidade é a primeira que nasce dentro de um colégio, que tinha como assistente a Irmã Marilene e nós éramos co-assistentes, primeiro Frei Alberto Beckhauser e depois eu. Essa fraternidade nasceu bem dentro desse carisma de unir os frades, as irmãs e os leigos e não os deixá-los acomodados", disse Frei Anacleto. "Está certo que a gente pode celebrar, mas 25 anos talvez seja o momento de lembrar o que São Francisco disse 'comecemos agora, porque bem pouco fizemos'. Se a gente quiser imitar Francisco, quiser imitar Clara, se quisermos participar da história de Maria, padroeira do Brasil, não esqueçamos que nós nascemos pela insatisfação e caminhamos em busca de uma realização da nossa meta, de nosso ideal primeiro. Comecemos".
Rosalvo Mota, que é Vice-ministro Geral da OFS, não conseguiu segurar a emoção quando falou sobre os 25 anos. "Há 25 anos, com abraços e a promessa de comer uma pizza, é que fomos recebidos na Fraternidade Santa Clara, que estava se formando", contou entre lágrimas. "A vida fraterna é tarefa a recomeçar cada dia. Sem querer sermos mais santos do que os irmãos e irmãs de outras Fraternidades, não tenho medo de afirmar que assim foi a vida da nossa Fraternidade nestes 25 anos. Tivemos e ainda temos momentos de altos e baixos, momentos de tempestade e calmaria, por que 'devido à fragilidade humana' devemos nos converter diariamente, mas temos a consciência do nosso objetivo comum e que nos une: Cristo! Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Jesus Cristo", acrescentou Rosalvo (veja a íntegra de seu discurso).
A Ministra Regional da OFS, Maria Bernardete Nabuco do Amaral Mesquita, não pôde estar presente, mas enviou uma mensagem para a Fraternidade. Ela lembrou também o jubileu da Ordem Franciscana: "Há 800 anos, Francisco dizia diante do Evangelho 'é isso que eu quero'. Há 25 anos, atraídos pela experiência de Francisco, alguns casais encontraram o que procuravam no projeto franciscano" (veja íntegra de sua mensagem).
A celebração também contou acom a presença do Dr. Paulo Machado, um dos principais representantes da OFS no mundo. Ele participou da elaboração da atual da Regra da OFS, foi Ministro Nacional e responsável pela unficação da Ordem Franciscana Secular no país. "Não podia deixar de estar aqui presente hoje para me congratular com os 25 anos da Fraternidade de Santa Clara. E também para me congratular com aquele que eu considero o meu superirmão, o Rosalvo Mota. Realmente São Francisco consegue mexer com o nosso coração e levarmos a nos dedicarmos a um trabalho que é importante. E eu me recordo de uns tempos atrás, quando se começava no Brasil um trabalho de renovação da OFS nacional, quanto foi importante a colaboração dos irmãos de São Paulo, de várias fraternidades, unidos a outros elementos de outras regiões do Brasil, num trabalho de renovação que se concluiu com a unificação da OFS. Então, o fraternismo, a união de irmãos estava aí se verificando claramente. E por quê? Porque houve uma renovação. E nada mais importante para a OFS do que a formação contínua", observou.
Aos 94 anos, ele ensina: "Nós nunca sabemos nada. Nós temos que constantemente aprender no caminho da vida espiritual, o importante é sempre procurar aprender, ver, como é que nós podemos melhorar. A OFS nessa renovação da Igreja, com o Concílio Vaticano II, claramente se manifesta como elemento importante porque ela tem uma espiritualidade que dá a razão de ser da atividade a que nós nos dedicamos, na Igreja, na Ordem e na sociedade", finalizou, dizendo que é uma alegria ver a fraternidade caminhando e as pessoas querendo fazer "mais alguma coisa".