Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 04/02/2012
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20/03/2009

O Master em Evangelização e Missão, promovido pelo ITF neste ano, apresenta algumas características próprias. Entre elas, destaca-se o fato de reunir em sala de aula um grupo eclético, formado por frades e religiosos de diferentes países da América Latina. São pessoas com experiências e culturas diversas, que se reúnem com objetivo de pensar o exercício da Evangelização em suas diferentes possibilidades.
Aproveitando a riqueza deste grupo tão diverso, o site Franciscanos, em parceria com o ITF, apresenta uma série de entrevistas com os participantes do curso. Além de abrir novos horizontes aos leitores, este trabalho também tem o objetivo de fomentar nos internautas a curiosidade em torno do tema da Evangelização e, quem sabe, arrebanhar novos candidatos para a participação nesta iniciativa pioneira do ITF: o Master em Evangelização e Missão.

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VEJA AINDA AS ENTREVISTAS
Frei Manoel Ramiro Cachimuel Villa
Frei Álvaro Cepeda van Houten, OFM
Frei Abelino Yeguaori, OFM
Frei William Robert Riascos, OFM
Padre Jorge Vargas La Rosa
Frei Felipe Ortiz Dominguez, OFM
IMAGENS DE PADRE JORGE
VARGAS LA ROSA
(para visualizar em tamanho maior
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A Força do Espírito Missionário
Entrevista com Padre Jorge Vargas La Rosa

Por Frei Gustavo Medella, OFM

“Para minha idade, eu era um jovem que tinha tudo: bom emprego, um grande círculo de amigos, a família estava bem, mas algo faltava. E este algo era Deus”. Por causa deste “algo”, Padre Jorge foi capaz de abandonar tudo e se inserir em um projeto audacioso: tornar-se franciscano e, mais tarde, um missionário.
Padre Jorge Vargas La Rosa nasceu a 29 de setembro de 1953, em Iquitos, no Peru, em uma família de seis filhos. Era professor do Ensino Médio e ministrava as disciplinas de Química e Ciências Biológicas. Sentia-se atraído pela vocação religiosa e, aos 30 anos, ingressou no seminário franciscano. Fez noviciado, inciou os estudos de Filosofia e, depois, transferiu-se para o Seminário de Santo Toríbio, em Lima, estando ligado ao Vicariato Apostólico de Requena.
Ordenou-se sacerdote em 26 de março de 1995 e trabalha desde então na pequena Bretanha, um povoado localizado na selva peruana.

Como surgiu a idéia de ingressar na Vida Religiosa Franciscana?
Padre Jorge Vargas La Rosa - Fiz os dois últimos anos do Ensino Médio em escola franciscana e, depois, também lecionei em instituição ligada aos franciscanos. O testemunho dos frades começou a me falar e, por outro lado, as circunstâncias da vida, a necessidade das pessoas, a falta de oportunidade dos jovens para o estudo e o trabalho, tudo isso foi me provocando. Eu sentia o seguinte: para minha idade, eu era um jovem que tinha tudo, bom emprego, um grande círculo de amigos, a família estava bem, mas algo faltava. E este algo era Deus. Muito importante para minha decisão foi conhecer uma religiosa franciscana Missionária de Maria. Nós conversamos bastante e, depois de falar com ela muitas vezes, tomei a decisão definitiva. Tinha 25 para 26 anos. Queria tomar uma decisão bem fundamentada, para não voltar atrás mais adiante pois, na minha opinião, isto seria uma loucura.

Fale um pouco sobre sua região de trabalho.
Padre Jorge Vargas La Rosa - A sede do Viacriato é Requena, uma cidade de aproximadamente 30 mil habitantes que se localiza no departamento de Loreto, o maior do Peru. Este departamento abarca mais da metade da selva peruana. A capital de Loreto é Iquitos, minha terra natal, e Requena fica ao sul. Eu trabalho na Paróquia da Imaculada Conceição, em Bretanha, distante 12 horas de barco da sede do vicariato. No povoado, há dois mil habitantes, mas eu atendo também a 30 comunidades menores, totalizando uma população de cerca de 10 mil pessoas. Não há estradas, apenas pequenas veredas para circulação dos chamados moto-carros, e o principal meio de transporte é o bote, ou o barco. Para chegar ao último povoado que atendo, são necessárias cinco ou seis horas de viagem em bote rápido. O fornecimento de energia elétrica também é reduzido: apenas das 18h às 22h. Todo o povoado dispõe de apenas três telefones, que nem sempre eles funcionam.

Quantos sacerdotes trabalham no vicariato?
Padre Jorge Vargas La Rosa - Somos ao todo seis padres. Eu, diocesano, mais cinco sacerdotes franciscanos. Eu trabalho sozinho em Bretanha. Agora que estou no Brasil, não há ninguém me substituindo. O bispo, Dom Juan Climent, OFM, irá mandar um padre para lá durante a Semana Santa. É muito difícil conseguir gente para trabalhar naquela região.

Quais os principais problemas que afligem o povo de Bretanha?
Padre Jorge Vargas La Rosa - Duas necessidades são muito fortes: saúde e educação. Não temos nenhum hospital, mas apenas um posto médico. Não há laboratório nem atendimento odontológico. Em caso de emergência, é necessário levar o paciente até Requena. Para isso, o Centro de Saúde dispõe dos botes. A educação também é deficiente. Há escolas, mas não existe nenhum centro de formação técnica, nem universidade. Apesar disso, tenho conseguido ajudar alguns jovens a estudar fora. Em uma viagem de férias, por exemplo, a uma cidade da costa peruana chamada Trujillo, fui a uma universidade privada e lá consegui oito vagas. Então comecei a levar os jovens de dois em dois. Eles foram acolhidos por famílias e conseguiram se adaptar bem aos estudos. Eles contaram também com apoio do poder público de Bretanha, pois a maioria das famílias são pobres, vivem da pesca ou da agricultura, e não teriam condições de manter os filhos estudando fora.

Como é a religiosidade deste povo?
Padre Jorge Vargas La Rosa - Diria que se trata de um povo medianamente religioso. Eles dão muito valor ao sacramento do batismo e querem logo batizar seus filhos. É preciso lembrar também que, por muitos anos, os padres passavam por lá apenas para batizar as pessoas. Antes da minha chegada, a comunidade estava há quinze anos sem a presença fixa de um sacerdote. Eu estou lá desde que me ordenei, há mais de quatorze anos. São pessoas acostumadas ao trabalho braçal, mas também são muito finas e se magoam facilmente. Tem até alguns que não vão à missa pois, às vezes, ao meditar a Palavra de Deus, eu utilizo palavras reais e fortes, e eles acham que estou lhes dando uma repreensão. Mas pouco a pouco vão entendo que o Evangelho tem suas exigências próprias e não pode ser acomodado de acordo com as conveniências pessoais de cada um. 

Qual é o grande desafio pastoral, na sua opinião?
Padre Jorge Vargas La Rosa - A formação de lideranças leigas é bastante difícil, porque lhes falta até a formação básica. Os que tem esta formação, por motivo profissional, não costumam ajudar muito. Vão à missa, mas não se envolvem muito no trabalho pastoral. No entanto, há pessoas que, com toda limitação são muito fiéis e dedicadas.

Com relação ao Curso Master em Evangelização, o que lhe motivou a vir ao Brasil estudar?
R- Fui convidado pelo ministro provincial da Província Missionária de São Francisco Solano (Frei Mauro Vallejo Lagos, OFM), a quem já conhecia do tempo que estive nos franciscanos. Pensei um pouco e conversei com meu bispo, que também é franciscano, e ele me autorizou a vir, com as despesas pagas pelo vicariato.

Quais são suas expectativas em relação ao curso?
Padre Jorge Vargas La Rosa - Primeiro, está sendo para mim uma renovação teológica e espiritual. O ambiente que encontrei aqui foi ideal (Padre Jorge está hospedado no Convento do Sagrado Coração de Jesus, em Petrópolis). Estou numa casa de formação, onde posso retomar algumas coisas. Em Bretanha, o único tempo que tinha para oração era no início da manhã e, depois, os trabalhos iam até à noite. Aqui consigo ter mais tempo para este cultivo. Tenho ainda interesse em ver diferentes experiências pastorais, metodologias para evangelização e também reafirmar minha opção missionária. No Peru, pelo menos, há cada vez menos missionários, e o povo de Deus continua clamando. Creio que a Providência não deixará morrer este trabalho. Até quando minha saúde permitir, pretendo prosseguir neste serviço.

Deixe uma mensagem final
Padre Jorge Vargas La Rosa
- Gostaria muito se alguém que lesse esta entrevista se animasse a também ser missionário, especialmente em Requena. Que se comunicasse conosco para conhecer um pouco mais de nossa realidade.

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