O Master em Evangelização e Missão, promovido pelo ITF neste ano, apresenta algumas características próprias. Entre elas, destaca-se o fato de reunir em sala de aula um grupo eclético, formado por frades e religiosos de diferentes países da América Latina. São pessoas com experiências e culturas diversas, que se reúnem com objetivo de pensar o exercício da Evangelização em suas diferentes possibilidades.
Aproveitando a riqueza deste grupo tão diverso, o site Franciscanos, em parceria com o ITF, apresenta uma série de entrevistas com os participantes do curso. Além de abrir novos horizontes aos leitores, este trabalho também tem o objetivo de fomentar nos internautas a curiosidade em torno do tema da Evangelização e, quem sabe, arrebanhar novos candidatos para a participação nesta iniciativa pioneira do ITF: o Master em Evangelização e Missão. |
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O atleta de Cristo
Entrevista com Frei Abelino Yeguaori, OFM
Por Frei Gustavo Medella, OFM
Ele tinha sonho de ser um grande jogador de futebol. Era destaque na equipe do colégio e também no time de sua cidade, Urubicha, no Departamento de Santa Cruz, Bolívia. No entanto, se Abelino Yeguaori não chegou a se tornar um artilheiro dos gramados, quis a Providência Divina que ele brilhasse em outros campos. Aquele menino sonhador se tornou um frade franciscano, que há oito anos trabalha na Paróquia de São Francisco de Assis, na Cidade de Santo Inácio de Velasco, onde coordena uma série de atividades pastorais.
Frei Abelino nasceu no dia 08 de abril de 1970. Tem mais três irmãos: dois homens (um deles é falecido) e uma mulher. Ele pertence à Província Missionária de Santo Antônio da Bolívia, que conta atualmente com 149 frades. Frei Abelino completou cinco anos de ordenação sacerdotal no dia 19 do último mês e está no Brasil desde fevereiro, quando chegou para participar do Curso Master em Evangelização e Missão oferecido pelo ITF.
Como surgiu seu interesse pela Vida Religiosa Franciscana?
Frei Abelino – Na minha terra só havia escola de Ensino Fundamental e eu nem pude completar os estudos, porque fui expulso do colégio por conta de uma briga com um companheiro. Então, durante dois anos, fui trabalhar como serralheiro. Em 1987, voltei para casa, decidido a completar meus estudos. Foi nessa época que um missionário franciscano me apresentou a ideia de ingressar no seminário menor. Fui por causa dos estudos e nem tinha noção do que significava a vida religiosa ou a vida sacerdotal. Minha vontade mesmo era ser jogador de futebol. Era muito conhecido, porque jogava no time do colégio e também na equipe da minha cidade. Aos poucos este sonho foi se distanciando, pois não podia sair do seminário para participar dos jogos da equipe local. Certa vez o reitor me chamou a atenção, dizendo que lá era um lugar de formação de sacerdotes, e não de jogadores de futebol. No seminário tive a oportunidade de terminar o último ano do Ensino Fundamental e também pude concluir o Ensino Médio, mas nem tinha ideia de me tornar padre ou frade.
E de que maneira então você decidiu seguir o caminho da vida consagrada?
Frei Abelino – Depois que terminei os estudos, no ano seguinte, em 1992, tive contato com o projeto OSCAR (Obra Social Caminho de Acesso Rural), que realiza um trabalho muito intenso junto às camadas mais pobres da sociedade e é dirigido pelos frades. Para ser voluntário no projeto, precisaria passar por um exame e também ter uma carta de apresentação do pároco. Na época eu passei no exame, mas meu pároco não quis me dar a carta. Consegui ingressar mesmo assim. E foi ali que comecei a ver mais de perto a vida e atuação dos frades, o que começou a chamar minha atenção. Então pedi para ser Aspirante à vida franciscana e fui aceito. O contato com aqueles frades que trabalhavam no projeto foi fundamental em meu processo de discernimento
Depois do ingresso, que etapas você percorreu?
Frei Abelino – Em 1993, ingressei no Postulantado e continuei trabalhando no projeto. No ano seguinte fiz o Noviciado e, logo após, estudei Filosofia e Teologia em Cochabamba. Após a Teologia, participei de um curso de Espiritualidade Franciscana, com duração de um mês, em Córdoba, na Argentina. Isso foi no início de 2001 e, naquele mesmo ano, no dia 22 de setembro, fiz a Profissão Solene na Ordem dos Frades Menores. A ordenação sacerdotal foi no dia 19 de março de 2004. No fim da Teologia, fui designado para fazer uma experiência na Paróquia de São Francisco de Assis, Cidade de Santo Inácio de Velasco, e lá permaneço até hoje.

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E quais são os principais desafios que você pôde perceber nestes anos em todos estes anos de missão no mesmo lugar?
Frei Abelino – O primeiro deles foi a adaptação na fraternidade, composta por frades de diferentes nacionalidades: um espanhol, um italiano, um austríaco e eu. A pastoral também apresentava muitos desafios. Percebi que o principal trabalho a ser feito era o investimento na formação de lideranças leigas e, pelo jeito, a semente plantada deu frutos. Temos trabalhos em diferentes áreas, entre eles uma escola de música com 600 alunos. Recentemente, entregamos 40 casas a famílias pobres. Cada vez mais tenho aprendido que, como frade menor, mais do que trabalhar em favor dos pobres, preciso trabalhar com os pobres.
Como surgiu a oportunidade de vir ao Brasil para fazer o curso Master em Evangelização?
Frei Abelino – Eu fiz um pedido ao Definitório da minha Província para fazer um curso de especialização em Evangelização e foi aprovado. Quando soube da oportunidade oferecida pelo ITF, em Petrópolis, logo providenciei minha inscrição e aqui estou.
Depois destes dois meses de curso, o que você destaca como mais valioso?
Frei Abelino – Primeiramente o fato de poder me atualizar em temas tão importantes para o exercício da evangelização, como a globalização, por exemplo. Também destaco a convivência e o entrosamento com os colegas de curso, vindos de diferentes lugares da América Latina. Outro ponto muito positivo é o contato com os frades em período de formação. Com certeza todas estas estão sendo experiências muito positivas.
vEJA O VÍDEO DO TRABALHO EVANGELIZADOR DE FREI ABELINO: