Por Moacir Beggo
São Paulo (SP) - A Igreja São Francisco de Assis, na Vila Clementino (SP), abriu as suas portas nesta segunda-feira (04/10), ao meio-dia, para celebrar o seu Padroeiro na "Missa Ecológica". Em meio a uma sinfonia de latidos, especialmente durante os cânticos, Frei Djalmo Fuck presidiu a celebração eucarística.
Além de celebrar São Francisco de Assis, a Paróquia da Vila Clementino deu início neste dia ao ano jubilar para comemorar 70 anos de sua fundação.
Frei Djalmo ressaltou o quanto São Francisco respeitava as criaturas, como mostra no belíssimo Cântico do Irmão Sol. Recordou que o Papa João Paulo II o declarou Padroeiro da Ecologia em 29 de novembro de 1979.
"São Francisco nos ensina a ser esta grande fraternidade universal. Todos somos irmãos uns dos outros nesta terra. As criaturas, as plantas, os animais convivem conosco nesta terra. E, portanto, Francisco nos ensina a cuidar, a respeitar, todos os seres. Nós não estamos acima das criaturas, nem podemos dominá-las e explorá-las. Neste mundo, todos somos criaturas: pais, filhos, melhor dizendo, de único e mesmo Criador", disse, acrescentando: "Portanto, o convite que nós, franciscanos, fazemos a todos vocês neste dia é um convite de respeito, da solidariedade, da bênção, da admiração, da festa".
Segundo Frei Djalmo, nossa sociedade nos ensinou a olhar as coisas como simples objetos à disposição, muitas vezes, de um projeto utilitarista. "Francisco rompe com a esta concepção. Todos nós somos irmãos uns dos outros", lembrou.
Frei Djalmo, contudo, alertou que se cuidamos dos animais, também devemos aprender a cuidar do nosso irmão, da nossa irmã, especialmente daqueles que sofrem, que padecem, que precisam do nosso cuidado e da nossa solidariedade.
"Francisco, lá na igrejinha de São Damião, rezava, pedindo ao Senhor que revelasse o que Senhor queria dele: 'Que queres que eu faça?'. Francisco ouve do Crucificado de São Damiâo esta voz: 'Vai e restaura a minha a igreja'. Hoje, também, diante de Jesus, nos perguntamos: 'Senhor, que queres que eu faça?'. Como outros Franciscos e Claras de Assis, Jesus diz a cada um de nós: 'vai e restaura a minha igreja, vai e restaura o mundo'. Portanto, nós queremos convidá-los a levar esta mensagem de restauração, esta mensagem de paz e de bem pelo mundo", disse.
"Que vocês sejam homens e mulheres de reconciliação, de restauração, de paz, de bem; que a gente possa promover a harmonia do mundo, com menos guerra, menos competição, menos exclusão e mais amor, mais fraternidade, mais acolhida, mais abraço e mais cuidado", completou.
Durante todo o dia, os frades se revezaram para dar a bênção dos animais. Às 18 horas será celebrada a Missa Solene que abre o ano jubilar da Paróquia. O bispo Dom Tomé Ferreira da Silva – Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo, vai presidir a celebração.
A Paróquia também abriu espaço para o Projeto "Adote um amigo - Leva eu", de adoção de animais. Mais informações nos sites: www.santanaparqueshopping.com.br e www.clubedosviralatas.org.br
1941 – Ano em que tudo começou
Por decisão de Dom José Gaspar da Fonseca e Silva, foi criada a Paróquia de São Francisco de Assis, no bairro da Vila Clementino, tendo como limites a Rua Sena Madureira, Napoleão de Barros, Luis Góis, Indianópolis, França Pinto e Tangará.
O terreno escolhido era na rua Borges Lagoa. Transformaram o prédio particular da Família Cruz em igreja provisória, sendo inaugurada no dia 29 de junho de 1941 – Festa de São Pedro e São Paulo. O primeiro pároco foi Frei Afonso Junges, OFM.
Os frades residiam no convento do Largo São Francisco e viajavam de bonde ou de ônibus todos os dias. Para evitar essas penosas viagens, o Sr. Abílio de Araújo Vieira doou uma casa aos frades. A casa foi divida em três salas para funcionamento das atividades paroquiais. No início de 1942 chegou Frei Efrém Morosek, que se encarregou da assistência aos doentes do Hospital São Paulo e era também porteiro do convento. A Residência Franciscana foi então oficialmente erigida no dia 24 de agosto de 1942, sendo Frei Honório Nacke o primeiro guardião. Convento simples, sem móveis nem cozinha, início pobre porém alegre e cheio de esperança.