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Por Frei Germano Guesser
Frei Elzeário faleceu nesta manhã, às 8h45, na residência dos frades, em Gaspar. Ele tinha 98 anos e faria aniversário no próximo dia 16.
A missa de exéquias será amanhã, às 9h00, seguida do sepultamento.
No dia 24 de julho (sábado) Frei Elzeário estava marcado para celebrar a missa das 19h00 na Matriz. No almoço disse que não poderia celebrar pois estava muito fraco. E de lá para cá não celebrou mais. Antes disso, celebrou no dia 11 de julho as 09h30h, na comunidade São João Batista.
Visivelmente estava enfraquecendo. Começou a comer menos e andava com dificuldade. Ainda ia ao correio dirigindo o Voyage como também ia ao mercado comprar algumas coisas. No entanto suas pernas cada vez mais estavam enfraquecendo.
No dia 20 de agosto, foi internado no Hospital de Gaspar para receber soro. Ficou ali uma semana e a pedido do seu médico de confiança (Dr. João Spengler), aceitou ficar no quarto de baixo, que fica no piso térreo. Quando chegou em casa, no dia 27, não gostou muito, mas acabou aceitando. Pois, assim que teria melhores condições para caminhar, subiria.
Desde que chegou, dia após dia, suas forças foram se esvaindo. Contratamos um técnico em enfermagem para ficar com ele na parte da manhã (8 -10) e na parte da tarde (16:30 – 18:30) e ao longo do dia e à noite havia leigos voluntários que nos ajudavam na assistência.
Seu médico o visitava todos os dias.
No domingo, dia 29 de agosto, a pedido dele, administrei o sacramento dos Santos Óleos. Fez sua confissão e disse ter consciência de sua situação e que esperava o chamado de Deus.
Passado o susto, se fortaleceu novamente. E para seu bem e segurança, contratamos um enfermeiro para ficar à noite com ele.
No domingo, 05 de setembro, veio uma enfermeira do hospital dar soro a ele. O mesmo se repetiu na quarta-feira, dia 08.
Sexta-feira, dia 10, parou de ingerir alimento, líquido e os remédios. No sábado praticamente permanecia imóvel na cama. O médico passou às 11h30 e disse que não sobreviveria por mais de 24 horas. E domingo, dia 12, nos surpreendeu a todos. Pediu comida e aceitou tomar banho. Voltou a tomar os remédios. Nem sempre conseguíamos entender o que falava.
Hoje, terça-feira, dia 14, de manhã, ele pediu sopa. Recebeu a sopa e mostrou o armário. Mostramos o hábito e a estola, e depois a camisa. Acenou com a cabeça, concordando. Subimos para dividir as tarefas da semana e a Telma, nossa funcionária, me chamou. Estava respirando com dificuldade. Fiquei junto e na presença do enfermeiro, Frei Elzeário deu seu último suspiro.
“Só posso agradecer ao Deus de todas as misericórdias que, para fazer penitência pelos meus erros, me concede ainda esta idade. Nem é esta idade que me impede ou proíbe de continuar nesta luta; pois acho que é vontade de Deus, embora já meio cansado, precisando de corrimãos ou de um braço amigo. É servir. Servir até o fim, com as forças que ainda me restam. A gente é franciscano. E a gente é padre. "Não é a voz, mas a dádiva; não é o discurso, mas o amor; não é
a viola, mas o coração o que canta aos ouvidos de Deus. Obrigado, povo de Gaspar”. (Fala de Frei Elzeário quando completou 80 anos de vida religiosa franciscana, na Matriz de Gaspar).
Faltavam 2 dias para seu aniversário de 99 anos.
Descanse em paz!
Depoimento de Frei Djalmo Fuck
Convivi com Fr. Elzeário durante quatro anos (2003-2006), na Paróquia S. Pedro Apóstolo de Gaspar. Homem de um temperamento forte, posições firmes, regrado e disciplinado em tudo aquilo que fazia. Homem de objetivos claros, convicções determinadas, de uma tenacidade invejável. Homem dócil e sensível diante do sorriso de uma criança que chegava perto dele para ser abençoada. Valorizava sua família, seus laços de sangue, sua terra natal. Engraçado em suas observações e escritos, de um humor polido, fino e inteligente! Nos muitos textos que escreveu, era difícil alguém escapar de seus comentários e adjetivos. Todos conheciam Fr. Elzeário, seu jeito e temperamento.
Contente e feliz quando era convidado para almoçar na casa de algum paroquiano. Isso era para ele motivo de contentamento, de felicidade! Homem inteligente e crítico no sentido pleno da palavra. Nenhuma notícia de jornal ou revista lhe passava despercebida. Para tudo havia respostas, comentários, correções! Versado em diversos assuntos, especialmente história, viveu até os últimos dias de sua vida, entre o quarto e a biblioteca pessoal, escrevendo, lendo... de forma disciplinada e metódica. Não fez da velhice desânimo ou lamúria, nem viveu na ociosidade ou desocupado. Trabalhador incansável, horas e horas passadas em sua antiga máquina de escrever Olivetti, sua companheira inseparável.
Celebrou recentemente 80 anos de vida franciscana. Uma “santa inveja” para todos nós, seus confrades. Do frade menor, posso testemunhar sua vida de oração constante, regrada e disciplinada, bem como a celebração diária da eucaristia. Se não fosse possível celebrar na igreja matriz, celebrava na capela interna da casa paroquial. Gostava de visitar as comunidades do interior, de dirigir o seu carro Voyage. Não recusava trabalho! Queria se sentir útil, exercer com fidelidade sua vocação de pastor. Jamais parou ou desanimou, fez de sua vida um recomeço constante, até mesmo na enfermidade. Agora vive na eternidade e lembra para cada um de nós o desejo de Francisco de Assis: “Irmãos comecemos, pois até agora pouco ou nada fizemos”.
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